Associação diz-se preocupada com o recente relatório técnico divulgado. E defende avaliação ambiental rigorosa, independente e transparente
A associação ambientalista Quercus diz que a localização do futuro aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete coloca em risco o maior aquífero da Península Ibérica e o abastecimento de água no distrito de Setúbal. E considera “indispensável” a realização de uma “avaliação ambiental particularmente rigorosa, de um processo de discussão pública verdadeiramente informado e de uma ponderação séria dos custos ecológicos, sociais, económicos e climáticos associados à solução escolhida”.
Na posição, divulgada em comunicado na última sexta-feira, a Quercus reitera que “qualquer decisão sobre a localização do novo aeroporto deve assentar numa avaliação independente, transparente e sustentada, compatível com a proteção do ambiente, da saúde pública, dos recursos naturais e do ordenamento do território”. E manifesta “profunda preocupação face ao relatório técnico recentemente divulgado” sobre a futura infraestrutura aeroportuária.
“Um dos aspectos que mais preocupa a Quercus prende-se com a proximidade ao maior aquífero da Península Ibérica. A importância estratégica deste sistema aquífero tornou-se recentemente evidente para a sociedade portuguesa, uma vez que dele depende o abastecimento de água de grande parte da população do distrito de Setúbal. Qualquer intervenção que comprometa a sua qualidade ou disponibilidade poderá ter consequências muito graves para a segurança hídrica da região”, alerta a associação.
Os ambientalistas consideram que a opção pelo Campo de Tiro de Alcochete “continua a levantar sérias preocupações ambientais, devido aos seus potenciais impactos sobre valores naturais de elevada relevância ecológica”. E fazem notar que a operação de movimentação de terras “implicará uma alteração profunda da topografia natural, da morfologia dos solos e do funcionamento dos ecossistemas existentes”.
“Outro dos aspectos que merece particular atenção é o desvio previsto da Ribeira do Vale Cobrão. A intervenção, que abrange aproximadamente 36 hectares, prevê a criação de canais abertos destinados a assegurar a continuidade hidráulica e ecológica do sistema hídrico. No entanto, qualquer insuficiência no dimensionamento destes canais ou a ocorrência de fenómenos hidrológicos extremos poderá comprometer não só o equilíbrio ecológico da bacia hidrográfica, como também a segurança operacional do próprio aeroporto e da futura ligação ferroviária”, adianta a associação.
A terminar, a Quercus defende “o aproveitamento do aeroporto de Beja durante o período de transição, bem como uma estratégia que privilegie a substituição dos voos de curta distância por ligações ferroviárias sempre que tal seja possível”.