Partidos IL e Chega vão acompanhar a moção social-democrata, e PS já deu a saber que vai votar contra
O PSD vai apresentar na reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Almada de 21 de julho uma moção de censura à Câmara Municipal de Almada, a qual, segundo o presidente Comissão Política do PSD Almada, Paulo Sabino, “será acompanhada pelos partidos Il e Chega”. A iniciativa, refere nota e Imprensa social-democrata, tem por base a “má avaliação à ação da presidente da câmara, [Inês de Medeiros], e dos membros do executivo com pelouros delegados que integram a maioria PS/CDU”.
Entretanto, o PS Almada já deu a saber que vai votar contra a moção de censura do PSD, por considerar que a “moção de censura apresentada pelo PSD não indica soluções, não aponta caminhos, nem contribui para ultrapassar os problemas que afetaram o concelho”, justifica, em comunicado.
Numa posição pública aprovada por unanimidade pela Comissão Política Concelhia, o PS de Almada considera que a moção de censura do PSD é “um mero exercício de demagogia política, desprovido de qualquer utilidade para o bem-estar da população, sem consequências práticas e sem acrescentar qualquer valor ao debate”.
Os socialistas dizem ainda que este documento “não passa de uma tentativa de chicana política”, e defendem que o momento atual exige “sentido de responsabilidade, cooperação institucional e foco na rápida resolução dos problemas, nomeadamente o das falhas no abastecimento de água que têm afetado o concelho nos últimos dias”.
Mas, para o PSD, a falha no abastecimento de água no concelho é apenas um dos problemas da gestão de Inês de Medeiros, existindo ainda “acumulação de falhas de prevenção, planeamento, coordenação, resposta, comunicação e prestação de contas em áreas essenciais”.
“A crise da água só tornou visível um padrão que já existia na gestão do município. Os problemas agravam-se, as respostas chegam tarde e a responsabilidade é sempre atribuída a terceiros”, refere a nota de Imprensa do PSD, à qual, acrescenta Paulo Sabino, “foram afetadas 100 mil pessoas do concelho”.
Para os social-democratas, a gestão PS/CDU – coligação pós-autárquicas – tem demonstrado “falta de organização e de transparência, má gestão da água, negligência na proteção civil, crise dos desalojados e falhas na habitação, incúria na higiene urbana, falhas de energia, fiscalidade abusiva, degradação de escolas e centros de saúde e ainda crescimento descontrolado de bairros de barracas”.
Num texto longo com várias considerações a acusar a gestão da Câmara Municipal, considera o PSD que esta gestão “revela um padrão reiterado de impreparação, reação tardia, comunicação deficiente, falta de coordenação e resistência em assumir responsabilidades”, mais ainda, aponta que “isto é responsabilidade da presidente e dos vereadores com pelouro (PS/CDU), e não deve ser imputada aos trabalhadores municipais, dos Serviços Municipalizados de Almada, da proteção civil, dos bombeiros ou das juntas de freguesia, que têm trabalhado em condições muito exigentes”.
Em sete pontos, o PSD pretende que, além da aprovação da moção de censura à Câmara Municipal de Almada, por “avaliação negativa da ação da presidente e dos vereadores executivos (PS/CDU), incapazes de prever, planear, coordenar, resolver, comunicar e prestar contas as matérias essenciais”, exige que o executivo municipal “apresente à Assembleia Municipal, no prazo máximo de 15 dias úteis, um relatório integrado, completo e documentalmente sustentado”, sobre os vários problemas que têm ocorrido no território.
Recomenda ainda à Câmara Municipal que “determine, no prazo de 30 dias, uma auditoria operacional e financeira independente aos SMAS e à gestão da recente crise de água de 2026, cobrindo o planeamento, os investimentos, a manutenção, as perdas, a capacidade de reserva, os mecanismos de contingência, a comunicação e a articulação institucional, devendo o relatório final ser enviado à Assembleia Municipal e tornado público”. Entre outras questões, é exigido que a Câmara Municipal “apresente publicamente um plano corretivo integrado, com medidas, responsáveis, custos, fontes de financiamento, prazos e indicadores de execução, cobrindo o abastecimento de água, a proteção civil, a resposta social de emergência, a habitação municipal e a higiene urbana”.