Evento “Mar, Água e Energia 2026” contou com 70 participantes e teve como objetivo partilhar conhecimento científico e tecnológico
O Politécnico de Setúbal (IPS) promoveu o workshop “Mar, Água e Energia 2026”, iniciativa que reuniu investigadores, representantes de centros de investigação, empresas e entidades ligadas aos recursos energéticos associados ao mar, à água e à geotermia.
Integrado na Unidade Regional de Investigação MARE-IPS, o evento realizou-se na semana passada, e foi organizado pelo subgrupo Recursos Energéticos do grupo de investigação EnBioTech, com a colaboração do E2UDRES2 Research Centres of Excellence AQUA-TECH.
Com cerca de 70 participantes, em formato presencial e online, o workshop proporcionou um espaço de partilha de conhecimento científico e tecnológico sobre soluções energéticas consideradas promissoras para promover a sustentabilidade dos territórios e dos oceanos.
Entre os temas em destaque esteve a geotermia, apontada como uma fonte de energia renovável com potencial para contribuir para a transição energética em Portugal. Apesar da sua implementação ainda ser reduzida, foi assinalado o crescente interesse por esta tecnologia, cuja expansão continua condicionada por lacunas e constrangimentos no enquadramento legislativo e regulamentar.
A energia eólica ‘offshore’ foi também um tema, tendo sido apresentada como uma solução estratégica para diversificar a matriz energética nacional. Foi ainda discutido o potencial destas infraestruturas para promover efeitos positivos nos ecossistemas marinhos, nomeadamente através da criação de novos habitats e do aumento da biodiversidade, quando devidamente planeadas e geridas.
A sessão de abertura contou com as intervenções da vice-presidente do IPS, Luísa Carvalho, e do coordenador do MARE-IPS, Ricardo Salgado, que “destacaram a importância da investigação aplicada e da colaboração entre instituições científicas e o tecido empresarial para responder aos desafios da transição energética”, lê-se em informação a O SETUBALENSE.
Ao longo da tarde foram apresentados temas como a geotermia, a modelação de águas subterrâneas, as geoestruturas energéticas, a energia eólica offshore, a monitorização ambiental associada a projetos de energias renováveis marinhas, a utilização de hidrogénio verde no setor marítimo e o desenvolvimento de materiais inovadores para controlo da corrosão em infraestruturas energéticas.
Entre as soluções apresentadas esteve o desenvolvimento de revestimentos anticorrosivos de elevada durabilidade, integrados com sistemas inteligentes capazes de detetar precocemente o início da corrosão e emitir sinais captáveis por drones, permitindo a monitorização remota e a manutenção preditiva de infraestruturas de transporte de energia.
A sessão contou com a participação de investigadores do Politécnico de Setúbal, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e de parceiros internacionais da Vidzeme University of Applied Sciences.
A iniciativa integrou a atividade científica desenvolvida pelo MARE-IPS, unidade regional do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), dedicada à investigação nas áreas do ambiente e dos ecossistemas aquáticos.
Segundo o IPS, o workshop reforça o compromisso da instituição com a produção e transferência de conhecimento científico, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras de apoio à transição energética e ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais.