Eurídice Pereira, acompanhada pelos colegas de bancada eleitos por Setúbal, lança repto ao presidente da Assembleia da República. E propõe ainda a comemoração do centenário do distrito
Se for aceite o repto lançado pela deputada socialista Eurídice Pereira ao presidente da Assembleia da República (AR), José Pedro Aguiar-Branco, Setúbal passará a integrar o conjunto de brasões que emolduram a grande tela semicircular na Sala de Sessões do Parlamento. A pretensão – juntamente com a de que seja promovido um evento comemorativo do centenário do Distrito de Setúbal, que se assinala este ano – foi apresentada pela socialista durante o jantar das Jornadas Parlamentares do PS, que decorreu esta segunda-feira em Azeitão com as participações do secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, e do presidente do Grupo Parlamentar, Eurico Brilhante Dias.
“O facto de Setúbal ser o distrito mais novo [de Portugal] não o pode excluir da representação simbólica na sala maior da Casa da Democracia”, justificou Eurídice Pereira a O SETUBALENSE.
Os deputados do PS eleitos pelo círculo de Setúbal – Margarida Afonso, António Mendonça Mendes, André Pinotes Batista e Carlos Pereira, além de Eurídice Pereira – vão apresentar, na Assembleia da República, um voto de saudação pelo centenário do distrito. E pretendem ainda que Aguiar-Branco “promova um evento comemorativo da efeméride e considere forma de acrescentar o brasão de Setúbal ao conjunto dos brasões que emolduram a grande tela semicircular na Sala de Sessões do Parlamento, onde se evoca os territórios pelos quais os deputados são eleitos”, lê-se num comunicado do Grupo Parlamentar do PS.
“As iniciativas apresentadas pela deputada pretendem dar a devida visibilidade e relevância histórica ao percurso de um distrito que, ao longo de 48 anos, foi um dos bastiões da resistência ao Estado Novo e um dos motores da economia do País, sendo conhecido por albergar a ‘cintura industrial do Tejo’, com grandes empresas como a CUF no Barreiro, a Siderurgia Nacional no Seixal e os estaleiros da Lisnave e da Setenave em Almada e em Setúbal, bem como pelo início da construção do maior e mais importante porto português em Sines, entre 1973 e 1978”, sustentam os socialistas.
Ao mesmo tempo, apresentam em resumo uma caracterização atual da região. “De acordo com os dados do Relatório do Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) para o ano de 2024, o distrito tem mais de 900 mil habitantes e cerca de 110 mil empresas, com um volume de negócios superior a 33 mil milhões de euros (cerca de 6% do total nacional) e exportações que ascendem a 7,7 mil milhões de euros (quase 10% do total nacional).”
Citada no mesmo comunicado, Eurídice Pereira lembra que “o Distrito de Setúbal é um contribuinte líquido para Portugal”. “A sua história de gente de trabalho é disso testemunho”, vinca a socialista, que aponta ainda à Península de Setúbal, em particular. “É fundamental que, a partir da nova realidade alcançada com a constituição das NUTS II e III, e com a criação recente da respetiva Comunidade Intermunicipal, este território seja uma forte alavanca para o País, nomeadamente ao protagonizar uma estratégia pujante construída com e pelos actores locais, e que venha a recolher do próximo Quadro [Comunitário] 2028-2034 os meios para a implementar em pleno”, faz notar.
A importância de Setúbal no contexto do País e, em particular, da Área Metropolitana de Lisboa (AML), adiantam os socialistas no mesmo comunicado, foi “um dos motivos que levou o Grupo Parlamentar do PS a promover um conjunto de visitas na Península no âmbito das Jornadas Parlamentares”, que decorreram de 28 a 30 de junho na AML, subordinadas ao tema “Custo de Vida: o seu aumento e os seus impactos”.