Fórum debate estratégia para a Península de Setúbal

Fórum debate estratégia para a Península de Setúbal

Fórum debate estratégia para a Península de Setúbal

Entre as diversas medidas, a AISET apresentou um plano estratégico para posicionar Península de Setúbal como polo da nova indústria europeia

Transformar a Península de Setúbal no principal polo português da nova industrialização europeia até 2035 é a visão que sustenta o plano estratégico apresentado ontem pela AISET no Fórum Península de Setúbal – Uma Visão Estratégica para a Região.

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Elaborado com base num estudo desenvolvido pela Universidade Católica Portuguesa, o documento estabelece as linhas orientadoras para a futura estratégia da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal e procura reforçar a capacidade de captar fundos comunitários através do alinhamento com as prioridades
estratégicas da União Europeia.

Nuno Maia, responsável da AISET explicou que o trabalho pretende “perceber a dimensão do desafio e qual o caminho que estamos a desenhar para a indústria, para nos podermos adaptar e beneficiar daquilo que são os fundos comunitários”, tendo um horizonte temporal entre 2028 e 2035.

Na sessão de abertura, o presidente da CIM, Frederico Rosa, afirmou que a região entra numa nova fase de planeamento estratégico, sublinhando que “a Península de Setúbal vai ser central no desenvolvimento do país nos próximos 10 anos”. Defendeu ainda a necessidade de reforçar a autonomia do território face à Área Metropolitana de Lisboa, salientando a importância de investir em novas infraestruturas educativas e em
soluções próprias para a gestão de resíduos, considerando que a região deve deixar de funcionar como extensão da capital.

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A presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, destacou que o fórum marca o início de uma reflexão conjunta sobre o futuro da região, afirmando que o território “tem todas as condições para se afirmar como uma das principais plataformas logísticas e económicas no espaço europeu”. Sublinhou ainda a necessidade de contrariar a dependência de Lisboa, rejeitando a ideia de uma Península “apenas como dormitório da capital”.

Na sessão de abertura interveio ainda a presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, que defendeu que o desenvolvimento da região dependerá da capacidade de articulação entre os diferentes territórios, assegurando que a CCDR está disponível para “dar visão, foco e capacidade de execução ao projeto”.


A primeira mesa-redonda do fórum, foi dedicada aos desafios futuros dos fundos europeus estruturais e de investimento, centrando o debate na preparação da Península de Setúbal para o próximo quadro comunitário. Duarte Rodrigues, da Agência para o Desenvolvimento e Coesão, apresentou o enquadramento do orçamento europeu e as principais linhas que irão orientar os futuros instrumentos de financiamento.

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Durante o debate, Nuno Bento, representante da CCDR-LVT, defendeu a necessidade de antecipar oportunidades e reforçar a articulação institucional para garantir uma aplicação mais eficaz dos fundos.

Na área da transição energética, o responsável da Mota-Engil, Filipe Ferreira, sublinhou a importância deste processo para a competitividade regional, considerando-o “essencial para garantir a fixação das empresas que cá estão e para garantir novo investimento”. Defendeu ainda uma nova abordagem à temática dos resíduos, defendendo que estes devem ser vistos como “um recurso energético e não só como um problema”.

A necessidade de qualificar a população, responder às necessidades das empresas e criar condições para fixar talento na Península de Setúbal marcou a terceira mesa-redonda do Fórum, dedicada ao papel do ensino, da formação e da qualificação no desenvolvimento do território.

A presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, Ângela Lemos, defendeu uma maior articulação entre ensino e empresas, sublinhando que “a instituição, por si só, não consegue reter os diplomados, tem de existir uma relação próxima com o tecido empresarial”. Acrescentou que a definição de estratégias regionais deve envolver a academia e alertou para a importância de melhorar as condições de vida, além dos salários, para fixar jovens qualificados na região.

Os participantes deste painel destacaram ainda a necessidade de reforçar a formação ajustada às necessidades do tecido empresarial, bem como a importância da requalificação profissional e da formação contínua.

A quarta mesa-redonda centrou-se nos fatores diferenciadores da Península de Setúbal e no potencial dos seus recursos naturais e económicos para impulsionar o desenvolvimento da região.

Entre os temas em destaque estiveram o enoturismo, abordado por Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, a economia azul, apresentado por José Carlos Ferreira, e o papel da pesca na identidade e na economia regional, sublinhado por Carlos Macedo. Em representação da ADREPES, Natália Henriques manifestou ainda total disponibilidade da associação para trabalhar em articulação com a CIM.

Na quinta mesa, dedicada ao turismo, foi sublinhado o potencial crescente da margem sul do Tejo. A presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, destacou que, apesar da concentração da atividade turística na margem norte, os visitantes procuram cada vez mais experiências diferenciadas na Península de Setúbal. Já o empresário José Saleiro alertou para o baixo nível de dormidas na região e que “um dos grandes desafios da CIM” será aumentar estes valores através do aumento do número de unidades hoteleiras na Península.

A última mesa-redonda abordou as infraestruturas estratégicas, com destaque para o novo aeroporto na margem sul, a mobilidade e o ordenamento do território. Na sua intervenção, Ana Paula Vitorino, da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, considera que “seria um erro crasso ter um túnel Algés-Trafaria”, defendendo soluções que evitem criar novos pontos de congestionamento.

Na sessão de encerramento, o Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, assegurou o apoio do Governo ao desenvolvimento da região, afirmando que “pode contar com o Governo para projetarmos a Península de Setúbal”.

Também o vice-presidente da CIM, Paulo Silva, discursou na sessão de encerramento, reiterando que o problema que a região apresenta a nível do PIB per capita, deve-se ao facto da Península “ter sido prejudicada, em relação a outras regiões do País, a nível dos apoios comunitários”.

O responsável considerou ainda que o encontro representa “o pontapé de saída para a elaboração deste plano estratégico que nos vai envolver a todos num grande trabalho coletivo”.

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