O novo presidente, Ricardo Alves Mendes, diz ter sido apanhado de surpresa e que não existem conflitos inultrapassáveis
Autarcas de Sesimbra eleitos pelo PS desvincularam-se da lista do partido por “divergência com nova liderança concelhia”, pelo que vão “exercer os seus mandatos de forma independente, garantindo o cumprimento do compromisso assumido com os eleitores”, divulga Sérgio Faias, ex-presidente da Comissão Política Concelhia, e cabeça de lista do PS nas autárquicas de 2025, em nota de Imprensa.
Uma decisão com a qual o novo presidente, Ricardo Alves Mendes, diz ter sido apanhado de surpresa, uma vez que, “contrariamente ao que tem sido veiculado, não se verificam conflitos inultrapassáveis, nem de responsabilidades da nova gestão, uma vez que não existiu qualquer atrito com os referidos autarcas no período pós-eleitoral”.
Os vereadores da Câmara Municipal de Sesimbra Sérgio Faias e Bertina Duarte, e os deputados da Assembleia Municipal Paulo Caetano e Afonso Pessoa, eleitos nas listas do Partido Socialista nas eleições autárquicas de 2025, anunciaram assim a sua desvinculação das listas do partido, decisão que foi “formalizada junto do presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, do presidente da Assembleia Municipal de Sesimbra e dos órgãos competentes do Partido Socialista.
Em nota de Imprensa, os autarcas socialistas justificam esta decisão com a “impossibilidade de se reverem na orientação política da nova liderança da Comissão Política Concelhia de Sesimbra, eleita no passado dia 19 de junho”, uma vez que “não existem condições para um entendimento com alguns dos elementos que integram a lista vencedora das eleições internas, e que passam a ser os responsáveis pela condução da estratégia política do partido no concelho”.
“Para além das divergências de princípios, não nos revemos nas abordagens e métodos adotados por esses elementos, não podendo, por isso, depositar a nossa confiança nessa liderança”, referem.
Sérgio Faias, Bertina Duarte, Paulo Caetano e Afonso Pessoa afirmam que “irão exercer os seus mandatos a título individual, mantendo o compromisso assumido perante os mais de seis mil eleitores que confiaram no projeto autárquico apresentado nas eleições de 12 de outubro de 2025”. Ao mesmo tempo, garantem que “continuarão a defender o programa eleitoral que ajudaram a construir e que foi sufragado pela população do concelho de Sesimbra, mantendo uma postura de rigor, responsabilidade e sentido ético no exercício das funções públicas”.
Naquilo que diz ser um “esclarecimento cabal sobre os factos”, aos militantes, aos sesimbrenses e quinta-condenses, Ricardo Alves Mendes, sublinha, em nota de Imprensa, que, desde o sufrágio de 19 de junho para a eleição da nova presidência da Concelhia, “nunca houve qualquer comunicação, oficial ou outra, sobre a intenção de desvinculação por parte destes autarcas. Tanto a presidência desta Comissão como a Federação Distrital de Setúbal foram apanhadas de surpresa pela notícia do jornal Sem Mais”.
A isto acrescenta que o sufrágio “decorreu com total normalidade nas duas secções de voto, e em estrito cumprimento dos Estatutos e Regulamentos do Partido Socialista. Concorreram duas listas: a Lista B saiu vencedora, com 55% dos votos, face aos 45% da Lista A, traduzindo-se numa distribuição de 25 e 20 mandatos, respetivamente”. Sendo que “os resultados foram devidamente homologados pela Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, que confirma a inequívoca legitimidade desta liderança, que é, acima de tudo, o reflexo da vontade expressa pelos militantes socialistas”.
Diz Ricardo Alves Mendes, que a sua primeira preocupação “foi a de unir”, e que “nos primeiros dias após o ato eleitoral, contactou o cabeça de lista da Lista A, Nuno Afonso, com vista a um consenso sobre a composição dos órgãos da Concelhia, colocando à sua disposição a indicação de um membro efetivo e de um membro suplente para a Mesa da Comissão Política e convidando-o, ainda, a integrar o órgão executivo do Partido”.
Realça que “em ambas as situações, o candidato Nuno Afonso manifestou concordância com o caminho proposto, permitindo uma integração real e efetiva. Recorde-se, aliás, que o próprio Sérgio Faias e o deputado municipal Afonso Pessoa figuravam na Lista A em lugares elegíveis, integrando, por essa via, os órgãos da Concelhia recém-eleitos”.
Realça o novo presidente da Concelhia que “mantendo o propósito de assegurar a continuidade institucional, encetou esforços junto de Sérgio Faias para coordenar a transição de pastas e dossiers camarários, prevista para ocorrer após a tomada de posse de dia 8 de julho. No entanto, apesar de múltiplos contactos por diversas vias de comunicação, a única interação registada foi a receção das credenciais do correio eletrónico oficial da Concelhia. Mesmo após o recente impacto mediático, as tentativas de estabelecer diálogo com Sérgio Faias e com a vereadora Bertina Duarte não obtiveram qualquer retorno”.
Por fim, sublinha que a nova presidência da Concelhia “não se revê na afirmação de que ‘não existem condições para qualquer entendimento’. As condições existiram, foram criadas e foram oferecidas. A porta nunca esteve fechada: esteve, isso sim, permanentemente aberta. Não encontramos, por isso, motivo(s) que justifique(m) esta tomada de posição”.