Nuno Valente: “Se o candidato a Sesimbra tivesse sido o Rato Mickey, tínhamos vencido a Câmara”

Nuno Valente: “Se o candidato a Sesimbra tivesse sido o Rato Mickey, tínhamos vencido a Câmara”

Nuno Valente: “Se o candidato a Sesimbra tivesse sido o Rato Mickey, tínhamos vencido a Câmara”

A frase do coordenador da concelhia do Montijo do Chega visa Nuno Gabriel, seu opositor na corrida à liderança da estrutura distrital do partido. Nuno Valente arrasador nas críticas

As eleições para a Distrital de Setúbal do Chega realizam-se no próximo domingo. Em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM (90.9) – que irá para o ar (na íntegra) nesta sexta-feira a partir das 12 horas –, Nuno Valente, que encabeça a lista A, responde de forma dura às críticas lançadas por Nuno Gabriel, que se recandidata à presidência pela lista B. E aponta as principais medidas que pretende implementar na estrutura distrital.

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Quais os dois principais motivos que o levaram a candidatar-se à presidência da Distrital?
Foi quase uma obrigação. Avancei em nome do projeto que temos no Montijo e também pelas centenas de militantes que ao longo do último ano têm vindo a queixar-se de perseguições, saneamentos.
Costumo dizer que sou o militante mais frustrado neste momento no Distrito de Setúbal. Fui eu e mais um grupo de três que escolhemos Nuno Gabriel há quatro anos [para a Distrital] e que o elegemos. Quatro anos depois, os problemas não só são os mesmos de 2022 como estão agravados.

Nuno Gabriel acusou-o de ter faltado à palavra. Nega ter acordado com ele que não se candidataria e que o apoiaria na corrida à Distrital?
Quando não temos mais argumentos políticos, nomeadamente um projeto e ideias para debater, vimos com estes ataques vis. Nunca tive acordo nenhum nesse sentido. O compromisso que tenho é com o partido. Um compromisso desses, e falo como coordenador do Montijo, acho até desrespeitoso para os militantes. Acho que o presidente da Distrital, se calhar, não estava a querer dizer bem isso. Porque, ao olhar para a lista que ele tem – quase todos autarcas e quatro coordenadores –, isto começa a roçar um pouco o tráfico de influências. Eu jamais iria assumir um compromisso sem ser validado pelos militantes do Montijo. Os militantes do Montijo jamais apoiariam uma candidatura do sr. Nuno Gabriel, face a tudo o que foi o não trabalho, o não apoio, nomeadamente na altura da [nossa] candidatura autárquica…

Considera uma crítica indireta à sua candidatura, quando Nuno Gabriel diz que “o partido tem de estar à frente de qualquer projeto pessoalista”?
Não visto essa camisa, jamais. As pessoas que me conhecem sabem que sou um homem humilde, de trabalho, esforçado, de construção. Avaliem, por exemplo, a quantidade de vezes que se diz “eu” entre ambos. Eu geralmente não digo “eu”, digo nós, porque somos uma equipa. Avaliando estes quatro anos de mandato, os militantes sabem e reconhecem quem tem um projeto pessoalista. Basta ver o projeto que nós temos no Montijo, ali nunca existiu o “eu”. Se avaliarem, comigo há o “nós”, o “eu” está do outro lado.

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E o que diferencia a sua candidatura da do seu opositor?
Vou recuar um pouco. A estratégia da outra candidatura tem sido na base dos resultados [eleitorais]. Tentam criar uma falácia nos militantes. E aqui, mais uma vez, mostra a soberba do “eu”, do pessoalista. O mérito dos resultados das Legislativas de 2024 e 2025 foi 100% de André Ventura. Dizer o contrário é soberba pura, porque sabemos bem o trabalho que foi feito no terreno. No apoio, podia ter sido feito muito mais.

Mas não reconhece aqui uma quota-parte de mérito ao trabalho da Distrital, de quem sai para a rua em campanha?
Nós no Montijo até ao Porto fomos em campanha. O que digo é que se podia ter feito o triplo do trabalho com os meios que tínhamos. Faltou organização, faltou puxar mais gente para as campanhas e essa cola tinha de ser feita pela Distrital. Foi feita alguma coisa, mas podia ter sido feito muito mais. O mérito do resultado não podemos recolhê-lo nós. É de André Ventura.

Houve também Autárquicas. Acha que foi por falta de envolvimento, de empenho, da Distrital que o Chega não conquistou uma Câmara?
Claramente. As Autárquicas foram o reflexo da falha desta Distrital. Em 2021 éramos um partido de meia-dúzia, mas o Chega de 2026 é um partido com muito mais gente. Aconteceu que acabou por estar cada um por si novamente. O candidato Nuno Gabriel fechou-se em Sesimbra e tudo o resto foi salve-se quem puder, ou seja, cada um por si. Viu-se claramente a falência do projeto distrital nesta orgânica. Depois há outro problema: o da escolha dos candidatos, porque em Sesimbra se tivesse sido o Rato Mickey, tínhamos vencido a Câmara. Em Sesimbra tivemos, por exemplo, uma falha clara que foi escolher uns indivíduos para meter dentro das listas do Chega, que até há bem pouco tempo tinham posições do BE a acusarem-nos de fascistas.

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Voltando às diferenças da sua candidatura para a do seu opositor…
Nós temos quatro eixos: organização interna; autarcas; formação; e juventude.
Em relação à organização interna, queremos ter uma secretária de apoio na Distrital, que esteja disponível num horário de expediente normal. Um dos nossos projetos é ter também um “chatbot” na Distrital. Um dos objectivos é mudar a sede para um local com um espaço mais amplo… A sede neste momento só serve para eleições. A inércia é tal que, passados três anos, nem existe lá uma placa do partido.
Queremos também ampliar as reuniões, ter uma comissão permanente, em que chamamos pessoas com valências em várias áreas para também enriquecer tudo o que possa ser o discurso e a capacidade técnica da Comissão Política Distrital, das concelhias e dos autarcas.

E aí já estamos no eixo da formação…
… Também. Queremos dotar [a Distrital] de capacidade de formação de dirigentes, uma aposta forte na questão político-ideológica, porque temos de saber o que é ser de direita e o que é ser de esquerda. Por exemplo, como é possível esta Comissão Política Distrital, encabeçada pelo meu concorrente, ter passado seis orçamentos [municipais] entre PCP e PS?

Se for eleito emitirá uma diretiva ou um aconselhamento para que os eleitos do Chega votem sempre contra os orçamentos nos executivos de maioria de esquerda?
Há uma diretiva da Comissão Autárquica Nacional relativamente a isto. Também temos a consciência de que, nalguns casos, abre-se a exceção, quando é justificada – imaginemos o orçamento [municipal] de Sesimbra com a inclusão de uma série de propostas do Chega. Não foi o caso. Ou seja, viabilizámos de cruz e isto não pode acontecer.

Viabilizaram também em Setúbal.
Igual. Mas em relação a Setúbal, nem quero falar, é completamente contra-natura.
Em relação à CIM, por exemplo, a desarticulação [no Chega] é de tal maneira grande que em Palmela votaram a favor; em Sesimbra o atual presidente da Distrital [e vereador] votou a favor e o outro vereador absteve-se. Não há uma articulação, quando havia um normativo, precisamente da Comissão Autárquica Nacional, para se votar contra. É a prova de que o projeto falhou.

E em relação ao eixo dos autarcas?
Queremos criar uma estrutura de apoio. Temos planeado fazer duas convenções autárquicas. Queremos ter um plano de reuniões com os 20 vereadores, de forma mensal, com os deputados municipais, bimestral, e com os membros das assembleias de freguesia, de forma trimestral.
Um dos grandes objetivos é preparar as nossas estruturas para o duplo embate de 2029: Autárquicas e Legislativas, que queremos ganhar, porque sabemos que este distrito é muito importante para conseguirmos levar o nosso presidente a primeiro-ministro.
O último eixo é o da juventude. Trazer os jovens para dentro da Comissão Política Distrital, nomeadamente com [a criação] do Conselho Consultivo da Juventude. Esta candidatura quer acabar com os afastamentos das pessoas, só porque pensam diferente. De certa forma, também é contra uma ideia Estalinista que neste momento está instituída no Chega em Setúbal.

Qual a sua opinião sobre as praias da Arrábida, que são reclamadas em tribunal pelos donos da Herdade da Comenda?
A minha opinião pessoal não vincula o partido. Sou a favor de que as praias devem ser públicas. Tudo o que é orla marítima tem uma regra funcional específica, está bem claro, por isso é que digo que esta ação dos privados não será levada a bom porto. Mas, temos de ter respeito pela propriedade privada.

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