Exposição dá a conhecer espólio da Anta dos Enxacafres em Santiago do Cacém

Exposição dá a conhecer espólio da Anta dos Enxacafres em Santiago do Cacém

Exposição dá a conhecer espólio da Anta dos Enxacafres em Santiago do Cacém

Mostra, que é inaugurada às 18 horas de sexta-feira, na Junta de Freguesia de São Francisco da Serra, reúne “cerca de duas a três dezenas de peças”

A história da Anta dos Enxacafres, monumento funerário com cerca de cinco mil anos, vai ser revelada numa exposição a inaugurar esta sexta-feira, em São Francisco da Serra, concelho de Santiago do Cacém.

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O monumento megalítico, que se encontrava em ruína avançada, foi intervencionado no âmbito de uma ação de minimização de impactes associada à construção de um lanço do Itinerário Principal 8 (IP8), entre Roncão e Grândola.

Em comunicado, a Câmara de Santiago do Cacém, precisou que a Anta dos Enxacafres situa-se no limite Este deste concelho, no topo de uma pequena elevação, junto à povoação de Cruz de João Mendes, na freguesia de São Francisco da Serra. 

As escavações, realizadas em 2010 e 2011, pela empresa ERA Arqueologia, permitiram identificar a “planta da sua câmara funerária e corredor de acesso [e] uma sepultura secundária e espólio votivo que acompanhava a deposição dos restos humanos”. 

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Contactado hoje pela Lusa, o arqueólogo António Valera, da ERA Arqueologia, explicou que o “sepulcro funerário” erguido “no Neolítico, há 5.000 ou 5.500 anos”, foi utilizado “até ao final da Idade do Cobre”.

Segundo o responsável, além dos trabalhos de escavação arqueológica e de registo dos elementos identificados, foi necessário desmontar a anta, uma vez que esta se encontrava “precisamente no meio do corredor projetado da autoestrada”.

“O certo é que a autoestrada ainda não está lá e já passaram 15 anos” desde a remoção do monumento, observou.

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De acordo com o arqueólogo, o monumento integra o megalitismo alentejano, mas, ao contrário de outras antas existentes na zona, distribuídas nas encostas da Serra de Grândola, a dos Enxacafres surgia isolada, no topo da serra.

A sua localização, salientou, “está relacionada com a forma como a serra era percorrida” pelas “comunidades neolíticas”.

Para o arqueólogo, essa localização sugere que o monumento poderia funcionar como “um marco na paisagem” nas trajetórias de circulação através da serra.

Apesar de a estrutura “não estar muito bem preservada”, no seu interior foram “identificados vários artefactos associados às deposições votivas” que permitiram “afinar a cronologia do monumento”, adiantou.

Entre as peças com maior impacto museográfico, António Valera destacou “algumas placas de xisto gravadas” e uma “taça campaniforme decorada, do final da Idade do Cobre”.

A exposição, que é inaugurada às 18 horas de sexta-feira, na Junta de Freguesia de São Francisco da Serra, reúne “cerca de duas a três dezenas de peças” recolhidas durante a escavação, disse António Valera.

Segundo fontes da câmara e da junta de freguesia, o acervo vai ficar permanentemente exposto neste local.

O arqueólogo considerou a mostra “fundamental”, por permitir que o trabalho arqueológico realizado na Anta dos Enxacafres tenha “a sua conclusão lógica”, proporcionando “conhecimento ao público e, neste caso em particular, às pessoas da região”. 

A iniciativa realça “o papel” que este monumento “pode ter tido na circulação através da serra e da importância da serra para estas comunidades”, acrescentou.

Após a inauguração da exposição está ainda prevista uma palestra intitulada a “Anta dos Enxacafres: Construção de uma memória coletiva”, a cargo de António Valera.

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