Festival de Almada regressa em julho e resiste a financiamento curto

Festival de Almada regressa em julho e resiste a financiamento curto

Festival de Almada regressa em julho e resiste a financiamento curto

A programação do Festival de Almada traz alguns dos mais destacados criadores do mundo do teatro e da dança

O Festival de Almada está de regresso este ano nas datas habituais, entre 4 e 18 de julho. Em palco vão estar 19 espetáculos, sendo 12 deles criações internacionais, e sete portugueses. Os espetáculos vão passar por oito palcos de Almada e Lisboa.

- PUB -

A 43.ª edição do Festival de Almada homenageia o ator e encenador Fernando Gomes e tem o encenador Miguel Seabra a dirigir o curso O Sentido dos Mestres. Em todos os finais de tarde haverá concertos, de entrada livre, na esplanada da Escola D. António da Costa, em Almada, que, mais uma vez, terá uma bancada com mais de 600 lugares para receber alguns dos espetáculos.

A programação do Festival de Almada traz alguns dos mais destacados criadores do mundo do teatro e da dança, como como o alemão Peter Stein, os suíços Christoph Marthaler e Milo Rau, a belga Anne Teresa De Keersmaeker, o sérvio Josef Nadj, o espanhol Israel Galván, ou o francês Mohamed El Khatib. O suíço Martin Martin Zimmermann iria a presentar a coreografia Louise, mas o acidente de uma das atrizes leva-o a trazer o espetáculo Dance Macabre, que terá transmissão em direto na RTP a 4 de julho, o canal irá também gravar a estreia da Companhia de Teatro de Almada, Saudações com encenação de Álvaro Correia.

Além dos espetáculos, os Atos Complementares do Festival incluem um programa quotidiano de encontros com artistas, exposições e formação teatral.

- PUB -

Com um orçamento de 631.0044 euros, cerca de um terço dos custos da 43.º edição do Festival de Almada são receitas próprias da Companhia de Teatro de Almada, a restante parte é financiada pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral da Artes e pela Câmara de Almada que comparticipa com 225 mil euros.

A preocupação e Rodrigo Francisco, diretor artístico do Festival de Almada, são os custos que cada edição acarreta, os quais têm vindo a aumentar de ano para ano, principalmente com a logística.

“Aquilo que mais espero é que, para o ano, possamos estar aqui a anunciar uma programação que vá de encontro àquilo que nós prestamos, que é o serviço Público de Cultura”, disse na apresentação da programação do Festival à Imprensa, na passada manhã da sexta-feira.

- PUB -

“Já manifestámos ao executivo municipal que não é possível manter este formato de festival com o investimento que existe 225 mil euros que remonta já a 2015. Desse ano para cá, os custos mudaram muito, não propriamente com os artistas, mas com a logística associada a um Festival deste tipo com teatro profissional e companhias que vêm de vários países da europa, com os alojamentos e viagens que é preciso suportar”, disse a O SETUBALENSE.

“A situação foi bem entendida pelo executivo municipal, é preciso saber o que vai acontecer para o próximo ano, não estamos dispostos a que haja uma degradação do festival”, acrescentou.

A Companhia de Teatro de Almada é subvencionada por períodos de quatro anos, que terminam agora, pelo Ministério da Cultura. O período de 27/30 já está contratualizado, “mas não está previsto aumento da subvenção”, revela Rodrigo Francisco. “É preciso que esta acompanhe, pelo menos, a inflação”.

Durante a apresentação da programação do Festival, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, frisou que o aumento de custos está a dificultar a realização de iniciativas, nomeadamente para a autarquia.

“Estamos todos estupefactos com o que se está a passar no mundo e, portanto, à procura de algum sentido, e o teatro é, de facto, o meio por excelência para podermos exprimir essa preocupação e começarmos a encontrar coletivamente respostas”.

A autarca afirmou ainda não ter dúvidas que “o teatro é sempre resistência, porque é sempre uma pergunta em permanência e, portanto, sim, aqui em Almada, assumo, assumimos todos, que Almada é e continuará a ser e provavelmente cada vez mais, o espaço da resistência que hoje se impõe. Do meu ponto de vista, a resistência é uma resistência pela inteligência, uma resistência pela não aceitação do que anda por aí a correr e da banalização. Almada é terra de liberdade”. 

O festival encerra com A gaivota, de Anton Tchekhov, em encenação de Christian Benedetti, que reúne diferentes leituras contemporâneas da obra ao longo da programação, incluindo também criações de Milo Rau, Miguel Fragata e Raquel Castro, que exploram a influência do texto na criação teatral atual.

Fernando Gomes homenageado nesta edição

Este ano o Festival de Almada homenageia o ator e encenador Fernando Gomes, no dia 10 de julho, às 22h00 no Palco Grande da Escola D. António da Costa.

“A surpresa foi grande e muito agradável. Só tenho é de agradecer a vossa gentileza por se terem lembrado de mim”, disse Fernando Gomes na apresentação da programação do Festival.

festival de almada caixa - Festival de Almada regressa em julho e resiste a financiamento curto

No dia 4 de julho é inaugurada no Átrio da Escola D. António da Costa a instalação de homenagem a Fernando Gomes, A Paródia de um Rei Sem Palácio, com conceção plástica de José Manuel Castanheira.

Fernando Gomes formou-se em teatro em 1974 no Teatro Experimental de Cascais, sob direção de Carlos Avilez, seguindo-se trabalhos com Filipe Lá Féria, João Mota e João Brites.

No início dos anos 80 foi um dos pioneiros do movimento Café-Teatro. Em 1988 adapta e encena uma novela de Camilo Castelo Branco, Maria! Não me mates, que eu sou a tua mãe.

Colaborou com vários tetros e, no teatro para a infância destaca-se no Teatro Infantil de Lisboa. Como ator já participou em mais de 150 espetáculos.

Partilhe esta notícia
- PUB -

Notícias Relacionadas

- PUB -
- PUB -

Apoie O SETUBALENSE e o Jornalismo rumo a um futuro mais sustentado

Assine o jornal ou compre conteúdos avulsos. Oferecemos os seus primeiros 3 euros para gastar!

Quer receber aviso de novas notícias? Sim Não