Terceira Travessia do Tejo um investimento estratégico

Terceira Travessia do Tejo um investimento estratégico

Terceira Travessia do Tejo um investimento estratégico

11 Junho 2026, Quinta-feira
Deputado Municipal em Sesimbra

Os anos passam e os investimentos continuam sem acontecer na Margem Sul do Tejo, a Península de Setúbal continua a ser vista, pelo Governo português, apenas como uma extensão residencial de Lisboa.


Um território onde se vive, enquanto o emprego, o investimento e as oportunidades continuam concentradas do outro lado do Tejo. Essa visão limita o desenvolvimento da região, bem como contribui para transformar muitos dos seus concelhos em territórios excessivamente dependentes da capital.

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O crescimento populacional do distrito nunca foi acompanhado pelo investimento necessário em infraestruturas. Com mais de 900 mil habitantes, a Península de Setúbal deixou há muito de ser apenas uma periferia da capital. Tem uma localização estratégica, entre o Tejo, a frente atlântica, a proximidade a Lisboa e margem para crescer.
Continuar a olhar para este território apenas como uma extensão residencial de Lisboa é um erro estratégico que limita o desenvolvimento económico e obriga diariamente milhares de pessoas a deslocações pendulares intermináveis.


Os tempos médios de deslocação casa-trabalho ou casa-escola na Margem Sul continuam a ser os mais elevados do país. O Barreiro e a Moita destacam-se mesmo como dois dos concelhos com maior tempo médio de deslocação em Portugal.


A realidade é simples, a Península de Setúbal vive completamente pressionada, para além das ligações marítimas, tem duas ligações rodoviárias com Lisboa e apenas uma ferroviária, o congestionamento é constante e tende a aumentar.

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A pressão sobre as infraestruturas existentes continuará a penalizar milhares de pessoas que perdem diariamente tempo de vida em deslocações longas e desgastantes. Mas este problema representa muito mais do que trânsito ou perda de qualidade de vida. Representa também menor competitividade territorial.


A mobilidade não é apenas uma questão de transporte. É uma questão económica.


Nenhum território consegue atrair investimento ou empresas se estiver excessivamente isolado. E a verdade é que, apesar da proximidade geográfica, Lisboa está hoje cada vez mais distante da Margem Sul, seja através do transporte individual ou coletivo.

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Melhorar a mobilidade entre margens não beneficia apenas quem vive na Península de Setúbal e trabalha em Lisboa. Beneficia também o movimento inverso, aproxima Lisboa da Margem Sul, reduz distâncias económicas e cria novas oportunidades de investimento.


A proximidade continua a ser um fator decisivo para a instalação de empresas, para a circulação de trabalhadores e para a criação de novas dinâmicas económicas. Quando reduzimos tempos de deslocação, aumentamos produtividade, melhoramos qualidade de vida e tornamos o território mais atrativo para investimento privado.


O debate económico português continua demasiadas vezes reduzido à discussão fiscal, como se o crescimento dependesse apenas de baixar impostos. Mas nenhum território cresce de forma sustentada sem mobilidade eficiente, infraestruturas modernas e capacidade para atrair trabalhadores e empresas.


Se queremos um distrito de Setúbal com mais empresas, mais emprego qualificado e maior capacidade industrial, logística ou tecnológica, então precisamos de criar condições reais para isso acontecer.


A Ponte Barreiro-Chelas pode ser decisiva nesse processo de transformação da Península de Setúbal. Não apenas porque melhora as ligações entre margens, mas porque pode ajudar a recentrar o desenvolvimento da Área Metropolitana de Lisboa, criando novas dinâmicas económicas no distrito.


Este projeto, para além de beneficiar toda a Margem Sul através de uma ligação mais rápida entre o eixo Barreiro-Moita-Coina e Lisboa, ajudará também a reduzir a pressão sobre as travessias já existentes. Acresce ainda a importância da componente ferroviária da solução Barreiro-Chelas, essencial para melhorar os tempos de viagem entre Lisboa, o Alentejo e o Algarve.


A Ponte Barreiro-Chelas é a solução certa para ser a Terceira Travessia do Tejo e tem mesmo de avançar o quanto antes. Com uma solução ferroviária e rodoviária, um projeto estruturante para a economia e para a qualidade de vida que está a ser adiado desde 2008.


Durante demasiado tempo, a Península de Setúbal foi pensada como periferia. É momento de começar a pensá-la como uma região estratégica para o desenvolvimento do país.

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