A urgência regional de obstetrícia está debaixo de olho

A urgência regional de obstetrícia está debaixo de olho

A urgência regional de obstetrícia está debaixo de olho

11 Junho 2026, Quinta-feira
Deputada do PS

Volto mais uma vez ao tema da urgência regional de ginecologia e obstetrícia no distrito de Setúbal. O balanço de 2 meses não me parece que dê descanso.

Recordar-se-ão que a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, deu garantias de que o Hospital Garcia de Orta responderia em pleno e de forma continuada, 24 sobre 24 horas, às grávidas da Península de Setúbal. As garantias teriam respaldo na concentração de recursos humanos a recrutar a partir do fecho das urgências do Barreiro.

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Para as grávidas do Litoral Alentejano ficou a obrigação de se referenciarem, condição para que o CODU desse acesso à urgência do Hospital de S. Bernardo.

Recordar-se-ão, também, que a urgência regional teve início a 15 de abril. Pois bem, logo no dia seguinte, e noutros em abril, houve “constrangimentos” no Garcia de Orta, o que  significa  que não foi possível garantir resposta plena e continuada.

Tudo piora em maio, em 12 dos dias houve anúncios de interrupções na resposta às grávidas, nalguns por mais de um período horário, com previsões ‘em baixo’ de, no mínimo, 4 horas consecutivas.

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No dia em que escrevo, 9 de junho, estão declarados constrangimentos por 3 períodos horários, que somam cerca de 11 horas! Neste mês a situação repetiu-se também nos dias 1, 2, 5 e 7.

Esta inconstância ocorre no pilar da urgência regional, o Hospital de Almada.

Sobre o assunto foi perguntado à Ministra, em plena prestação de contas na Assembleia da República, e a resposta que obtive foi, para além de que estava tudo bem, que faltavam salas de parto no Garcia de Orta. Aliás, nessa fase das respostas ocorreu um dos momentos mais descontrolados a que assisti de um governante que volta a colocar em prática uma das características já conhecidas: culpar outros. A Ministra da Saúde só se esqueceu de que quem colocou em funcionamento a urgência regional de ginecologia e obstetrícia foi ela mesma e fê-lo sem garantia dos recursos fundamentais, humanos e materiais.

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Por outro lado, o Hospital de Setúbal  também tem restrições na contingência, desde o início. Faltam recursos humanos, apesar do Governo socialista ter ampliado o número de salas de parto. Desde 11 de maio e até início de julho estão previstas limitações consecutivas. Imagine-se no pico do verão!

A Secretária de Estado, num outro momento de escrutínio, no Parlamento, também não respondeu a como podem garantir que a situação é transitória, conforme anunciado,  se não se conhecem medidas para atrair médicos obstetras ao SNS. E confrontada com a tendência crescente do setor privado absorver a crise , pelos  seguros e nos hospitais, o silêncio impera. Até parece que o objetivo é esse, e convenhamos que já pouco disfarçado.

No fundo, com a criação da urgência regional a Ministra Ana Paula Martins, com o aval do Primeiro Ministro, optou por adaptar o sistema à escassez de profissionais no SNS em vez de a combater, para além de não ter acautelado as condições físicas de que agora se vem queixar que não são suficientes.

Este é um assunto de políticas de saúde. Os profissionais no ativo fazem o que podem.

Faço questão que sejam  respondidas todas as perguntas que permitam que se saiba publicamente as condições em que se está a operar até porque já aqui relatei muitas fragilidades. Os anúncios de normalidade que a governante insiste em proclamar carecem de fiabilidade. A urgência regional de obstetrícia tem de estar sob vigia. É essencial.

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