Quercus questiona Governo sobre reposição do acesso livre às praias de Grândola

Quercus questiona Governo sobre reposição do acesso livre às praias de Grândola

Quercus questiona Governo sobre reposição do acesso livre às praias de Grândola

Praia da Comporta

Carta foi enviada à ministra que tutela a pasta do ambiente, “quase um ano depois da fiscalização levada a cabo pela APA”

A associação ambientalista Quercus questionou esta segunda-feira o Governo sobre a reposição do acesso livre às 10 praias do concelho de Grândola, distrito de Setúbal, nas quais no ano passado foram detetadas irregularidades, e se aplicou contraordenações.

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Em comunicado enviado à agência Lusa, a Quercus disse ter questionado a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sobre “se as irregularidades encontradas”, no ano passado, “em 10 das 22 praias fiscalizadas“ neste concelho do litoral alentejano “já foram corrigidas”.

A carta foi enviada à ministra que tutela a pasta do ambiente, “quase um ano depois da fiscalização levada a cabo pela Agência Portuguesa do Ambiente [APA]” nos 45 quilómetros da faixa costeira entre Troia e Melides, justificou.

Durante a fiscalização, “10 das 22 praias analisadas tinham acesso controlado ou condicionado por empreendimentos turísticos ou barreiras físicas”, recordou a associação ambientalista.

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Além da reposição do acesso às praias, a Quercus pretende ainda saber se, na sequência das irregularidades encontradas nestas zonas balneares, “houve lugar à aplicação de alguns processos de contraordenação”.

“Numa altura em que a discussão pública está concentrada no direito de utilização do areal em frente às áreas concessionadas por parte de todos os banhistas, questionamos se o problema de fundo foi ou não resolvido”, sublinhou.

A associação quer ver esclarecido se “qualquer cidadão pode aceder hoje a todas as praias do concelho de Grândola, tomado de assalto por empreendimentos turísticos de luxo” e se “a lei está a ser cumprida, no sentido de garantir que as praias em Portugal são de “utilização pública e acesso livre””.

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“Em declarações públicas, a ministra do Ambiente afirmou há um ano que seriam tomadas várias medidas, como a colocação de sinalização, a criação de novos acessos ao areal, a construção de estacionamento, além da remoção de cancelas ou barreiras físicas”, argumentou.

Segundo a Quercus, entre as 10 praias em causa no levantamento feito pela APA, em julho de 2025, “estavam duas praias com acesso controlado (Troia-Galé e Galé-Fontaínhas), em que o mesmo só era possível através de empreendimentos turísticos”.

Nas “oito praias com acesso condicionado (Torre, Brejos da Carregueira, Duna Cinzenta, Golfinhos, Garças, Pinheirinho, Malha Branca e Camarinhas)” verificavam-se “vários fatores como propriedades privadas, empreendimentos turísticos, estacionamento público e acessos pedonais insuficientes/ inexistentes ou falta de sinalização clara”, argumentou.

A Quercus considera ainda ser “do interesse público a clarificação desta situação, não só no concelho de Grândola”, como “noutras zonas suscetíveis de sucumbir aos interesses privados de empreendimentos turísticos, à revelia da lei e, muitas vezes, com potenciais danos para os ecossistemas costeiros”.

Na mesma nota, a associação reforça que irá acompanhar este tema durante toda a época balnear, apelando a todos os cidadãos e turistas que reportem eventuais irregularidades no acesso às zonas balneares.

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