O presidente da Associação das Festas de Pinhal Novo revela os motivos que levaram à mudança de local do evento. E aponta outras diferenças face a edições anteriores
As Festas Populares de Pinhal Novo estão aí à porta. Vão decorrer de 4 a 10 de junho, mas este ano com uma alteração que marca diferença significativa para todas as edições até agora realizadas. As festividades vão passar do centro histórico da vila para o recinto do Mercado Mensal. E a expectativa é grande.
Em entrevista à Rádio Popular FM, João Serrão, presidente da Associação das Festas de Pinhal Novo, revelou os motivos por detrás da decisão tomada.
“Há várias razões, todas elas são discutíveis, mas são aquelas que assistiram à proposta que apresentámos à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia. Uma, o Pinhal Novo já não tem condições no centro [da vila]. Já não tem onde caibam os divertimentos, como os carrosséis, etc., porque ocupam muito espaço, consomem bastante eletricidade também e incomodam muita gente. Não é a principal, mas é uma das razões”, começou por apontar João Serrão, antes de enumerar mais dois motivos. “Outra das razões é que nós no Pinhal Novo temos dois eventos quase seguidos: o Mercado Caramelo, seguido das festas. O Mercado Caramelo fecha todo o centro do Pinhal Novo e temos de nos lembrar que está lá a estação. E as festas também. Acabam por fechar todo o estacionamento, todo o Largo José Maria dos Santos… Isto afeta gravemente as pessoas que têm de ir trabalhar e que deixam de ter onde pôr os carros. Depois, todos os anos as festas têm problemas de segurança para nós, em termos de coisas que desaparecem, em dificuldade em coordenar e garantir a segurança do espaço todo”, justificou.
“Tudo isto somado levou-nos a equacionar o Mercado Mensal, que é um recinto fechado. A própria GNR diz que é um espaço muito melhor de controlar e muito mais fácil de garantir segurança. E do Largo de José Maria dos Santos ao Mercado Mensal são seis a dez minutos a pé, portanto, não é propriamente uma distância enorme. A mudança para o Mercado Mensal traz uma vantagem muito grande: estará tudo concentrado [no recinto]”, adiantou. Além disso, a dimensão do recinto permite ampliar a capacidade de oferta. “O espaço é tão grande que nós teremos este ano divertimentos como o Pinhal Novo nunca teve. Vamos ter quase 30 divertimentos”.
Garantido está também o transporte gratuito entre a estação e o recinto das festas, sobretudo, a pensar naqueles que possam ter maior dificuldade na deslocação. “Vamos ter um vai-e-vem, assegurado pela Câmara Municipal. Esse transporte está garantido entre as 20h00 e a meia-noite, em permanência, vai e vem”, revelou.
Recriações e diferenças
A Associação das Festas vai também tentar recriar um cenário do centro da vila no recinto do Mercado Mensal. “Vamos fazer uma recriação. Vamos ter uma coisa chamada Largo das Festas, que, muito mal comparado, será o centro do Pinhal Novo. Vai ter uma estrutura com a réplica da fachada da Igreja em lona, vai ter uma réplica construída do coreto e um palanque para atuações”, desvendou João Serrão.
As diferenças face a edições anteriores não se resumem, porém, à deslocalização das festas para o Mercado Mensal. “Este ano temos algumas coisas muito diferentes. O Espaço Criança estará muitíssimo mais desenvolvido. Temos o Espaço Aventura também dedicado às crianças: vamos ter trial de motos, de bicicletas, vamos ter uma pista com carrinhos de pedais. Voltamos a ter um palco na gastronomia, a discoteca criou-se o ano passado e vamos mantê-la porque foi um sucesso”, destacou.
Diferença acentuada vai conhecer o Espaço da Gastronomia. “Uma das grandes diferenças é que é um espaço mais aberto, a circulação que era difícil por ser um espaço relativamente fechado neste momento é fácil, porque é um espaço muito maior. Depois tem um palco, com música mais cuidada, é onde irá acontecer a Noite de Fados, os ranchos folclóricos, muita coisa da terra, o cante alentejano…”, juntou, sem deixar de frisar que as largadas de toiros também irão decorrer no recinto do Mercado Mensal, num espaço criado para o efeito.
Quanto à programação artística, Tim (dos Xutos & Pontapés), Rosinha, Aragão, Shakra e Sebastião Antunes são alguns dos nomes confirmados para esta edição, que abrirá com a atuação da banda da Sociedade Filarmónica União Agrícola (SFUA).
Segundo João Serrão o critério para a seleção de artistas este ano foi “mais ou menos” idêntico ao do último ano, apesar de contar com “algumas diferenças”. “Como não há Pátio Caramelo, o conceito é termos no palco principal música um pouco para todos os gostos. Resolvemos investir um pouco mais do que no ano passado, mas o conceito é um pouco o mesmo.”
O último dia das festividades, 10 de junho, vai ser “especial”. “Vamos ter um piquenique do movimento associativo, aberto a toda a população, com animação, os Balha ca Carroça, a SFUA…, diversas associações que farão o que muito bem entenderem. Pelo menos três associações fazem anos nesse dia: a das festas, o Motoclube e a Académica. E optámos por regressar um pouco à génese das festas e vamos fazer, às 17h00, um cortejo do movimento associativo, não o cortejo etnográfico”, concluiu.
Valor Orçamento cresce, mas não muito
Este ano o orçamento das festas cresce, mas não muito, em comparação com o ano passado. “Este ano é maior. Não muito, mas é maior. Temos um pouco mais do que tínhamos o ano passado. Portanto, é maior, mas não é desmedidamente maior”, admitiu João Serrão, antes de revelar a grandeza de valores que envolvem esta edição. “À volta dos 250 mil euros, por aí.”
O responsável espera também que o número de visitantes aumente. “Acredito que vai crescer em relação ao passado”, afirmou, porém sem avançar estimativas. “Não faço ideia. Toda a vida ouvi dizer que vieram não sei quantos milhares, mas não há nenhum controlo, ninguém sabe quantas pessoas estão nas festas”, rematou.