Auditoria concluiu que urgência de obstetrícia do Barreiro estava em “situação crítica” em 2025

Auditoria concluiu que urgência de obstetrícia do Barreiro estava em “situação crítica” em 2025

Auditoria concluiu que urgência de obstetrícia do Barreiro estava em “situação crítica” em 2025

IGAS apurou que o serviço dispunha de 11 médicos especialistas, mas apenas sete estavam disponíveis para prestar serviço na urgência

A urgência de ginecologia e obstetrícia do hospital do Barreiro encontrava-se em 2025 numa “situação crítica” devido à falta de médicos especialistas e pela elevada dependência de tarefeiros, apurou uma auditoria divulgada esta quarta-feira.

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A conclusão consta do relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) sobre a organização do trabalho no serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia na Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR), que encerrou em abril, quando entrou em funcionamento a urgência regional dessa especialidade na Península de Setúbal.

Segundo as conclusões da auditoria realizada entre 13 de abril e 4 de maio de 2025 – cerca de um ano antes do encerramento da ULS -, o serviço apresentava fragilidades estruturais e operacionais, que, nessa altura, já comprometiam a sua continuidade e qualidade.

A IGAS apurou que o serviço dispunha de 11 médicos especialistas, mas apenas sete estavam disponíveis para prestar serviço na urgência de obstetrícia, que apresentava uma “insuficiência significativa” desses profissionais de saúde, fazendo com que a ULSAR recorresse de forma regular a prestadores de serviço.

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Os inspetores da IGAS concluíram ainda que a diferença remuneratória entre os tarefeiros e os médicos do quadro gerava descontentamento na urgência, que esteve encerrada em 77,2% dos dias analisados (17 em 22 dias).

A média mensal de encerramentos no primeiro semestre de 2025 foi de 18,7 dias e, em 20, 25 e 26 de abril desse ano, registou-se o fecho simultâneo dos três serviços de urgência da margem sul, refere o documento, que atribuiu essa falha de articulação à escassez de médicos especialistas.

A ULSAR serve os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, servindo uma população de cerca de 220 mil habitantes.

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A auditoria decorreu na sequência de várias notícias sobre indisponibilidade do serviço de urgência de obstetrícia da ULSAR, assim como das restantes da Península de Setúbal, que, de acordo com a IGAS, dificultaram o acesso à prestação de cuidados de saúde às grávidas.

A urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, a segunda do país no âmbito deste novo modelo, entrou em funcionamento a 15 de abril, para responder à falta de profissionais de saúde nesta especialidade.

Funciona em dois polos, um no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

A criação de urgências regionais foi uma das formas encontradas pelo Ministério da Saúde para minimizar os constrangimentos dos serviços de urgência de obstetrícia, devido à carência de médicos suficientes para preencher as escalas, e que foram mais evidentes na Península de Setúbal.

Apesar do encerramento da urgência do Hospital do Barreiro, contestado por autarcas e associações de utentes, a Direção Executiva do SNS assegurou que a maternidade continuou a funcionar.

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