Cinquenta e dois anos depois da revolução do 25 de abril sejamos claros e admitamos que muita coisa falhou e muita coisa ficou por fazer. Décadas após a revolução já não basta celebrar a mudança para um regime democrático.
Eu sou nascido no pós 25 de abril portanto não vivi o tempo da ditadura mas já muito li e ouvi e de facto há efetivamente coisas que condeno, acreditem, tão veementemente como qualquer outro cidadão.
Assim como condeno da mesma forma e com a mesma veemência a tentativa de instalar uma outra ditadura pelos camaradas do PCP logo após acabar uma e não fosse o 25 de novembro de 1975 teríamos essa nova ditadura. Assim como condeno, creio que todos, a forma como tratámos os chamados “retornados” abandonados à sua sorte. Posto isto, quero analisar abertamente o que nestas décadas falhou.
Que país que temos hoje? Um país cada vez descaracterizado pela entrada várias centenas de milhares de imigrantes sem qualquer conexão com a nossa cultura, a criminalidade a tornar-se mais violenta e com máfias de todo o lado a operar em portugal; a habitação é cara e arrendar uma casa digna é um problema para muitos portugueses; a saúde está num estado lastimável e com tendência a piorar; as empresas carregadas de impostos; o cabaz alimentar aumenta absurdamente; os combustíveis aumentam brutalmente sem que o governo baixe os impostos; na educação nem professores nem escolas com condições; na justiça faltam meios humanos e materiais para que haja efetivamente justiça; a taxa de natalidade está baixa como nunca mas não há verdadeiros incentivos à natalidade; a reforma atinge-se perto dos sessenta e sete anos e cada vez mais tarde; os nossos idosos têm pensões de miséria; a corrupção está em todo o lado, seja no poder central seja nas autarquias; a imprensa local e nacional, está minada de interesses que não os de isenção e de livre informação; as violações atingem o número mais alto da última década; as forças de segurança são maltratados pela tutela e desrespeitados a olhos vistos; a máfia dos incêndios prepara-se para mais um ano lucrativo como se fosse normal; os nossos jovens emigram para outros países em busca de um futuro melhor.
E podia continuar por aí fora não houvesse limite de caracteres. É hora de analisar o que fizemos nestes mais de cinquenta anos e dizer abertamente que falhámos, que não nos podemos resignar e curvar a um país que nos falhou e continua a falhar. Não há volta a dar, este país precisa de uma limpeza de alto a baixo e de uma nova revolução que impeça que tudo continue na mesma e que uns quantos políticos enriqueçam à custa do empobrecimento do seu povo.
Que venha a quarta República com a rapidez que for necessária enquanto ainda temos país. Tarde ou cedo virá porque os portugueses estão fartos e vão demonstrar isso mesmo com uma simples caneta num boletim de voto. Até lá continuaremos a lutar contra um sistema inteiro que se aflige e demonstra não só não lidar bem como ter medo da democracia.