Eleita comunista no Parlamento diz que as populações de duas freguesias continuam a queixar-se de maus cheiros intensos
A deputada do PCP eleita pelo círculo de Setúbal, Paula Santos, questionou a ministra do Ambiente e da Energia, Maria Graça Carvalho, sobre os últimos desenvolvimentos do caso das descargas de efluentes na zona de Poçoilos.
A eleita quer saber se o “Governo conhecimento das queixas das populações quanto à persistência de maus cheiros em Poçoilos”, assim como ter conhecimento sobre se existiram novas fiscalizações desde julho de 2025, e também se “as recentes chuvadas provocaram o transbordo de tanques de resíduos perigosos nas instalações da COMPOSET em Poçoilos”, e que medidas de mitigação estão a ser adotadas.
“Foram realizadas novas análises aos solos e águas na sequência dessas chuvadas? Quando serão públicos os resultados de todas as análises já efetuadas, de forma a garantir a necessária transparência e o direito à informação das populações? Considerando o agravamento da situação e o risco iminente para a saúde pública e para o ambiente, que medidas extraordinárias prevê o Governo adotar para garantir a remoção segura de todos os resíduos perigosos do local e a descontaminação dos solos, independentemente da morosidade do processo judicial?”, questiona também, como se lê em informação enviada a O SETUBALENSE.
Recorda a deputada que em julho do ano passado, e na sequência de uma reunião com o secretário de Estado do Ambiente, a Câmara Municipal de Setúbal foi informada de que, “do ponto de vista administrativo, tudo o que era possível teria sido feito, estando o processo a aguardar a ação do Ministério Público, para onde seguiu uma participação conjunta da CCDR-LVT, APA e autarquia”. Nesse mesmo mês a CCDR decretou a suspensão imediata das operações de gestão de resíduos na instalação da COMPOSET por ausência de licenciamento ambiental e incumprimento das regras legais.
As populações das freguesias de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra e São Sebastião, continuam a queixar-se de maus cheiros intensos e persistentes, provenientes daquela instalação, apesar de ter sido decretada a suspensão e estar a decorrer uma investigação – que envolveu até a GNR.
“Acresce que na sequência das recentes chuvadas, há indícios de que tenha ocorrido o transbordo dos tanques onde estavam depositados resíduos perigosos naquelas instalações, o que poderá ter provocado a contaminação dos solos e das linhas de água, agravando exponencialmente o risco ambiental e para a saúde pública”, complementa ainda.
Paula Santos refere que “as populações continuam sem uma resposta efetiva e sem conhecer os resultados concretos das análises que foram realizadas, mantendo-se o alarme e o risco efetivo para a saúde”.
No passado dia 18 de março foi revelado, em reunião pública do executivo setubalense, que a governante com a pasta do Ambiente iria receber, nessa sexta-feira, a presidente da câmara, Maria das Dores Meira, e que este poderia ser um dos assuntos em cima da mesa. Até ao momento não são conhecidas as conclusões da sessão.