Iniciativa tem como objetivo, através de tecnologias avançadas, compreender o património escondido por baixo das terras
A Mina da Lagoa Salgada, que abrange os territórios de Grândola e de Alcácer do Sal, é um dos objetos de estudo do projeto Undercover, iniciativa financiada pelo programa Horizonte da União Europeia.
O projeto investiga como as tecnologias mais avançadas podem ser utilizadas para explorar grandes profundidades subterrâneas, detetando recursos inexplorados e que são essenciais para desenvolver ‘tecnologias verdes’. Este mostra-se diferenciador porque tem como objetivo melhorar as capacidades de prospeção, durante as fases iniciais da exploração mineral, enquanto minimizam a necessidade de métodos de perfuração invasivos.
Segundo os responsáveis, no final do projeto espera-se que haja um maior conhecimento sobre o que está ‘escondido’ por baixo de uma zona que tem sido muito falada devido a um contrato de concessão de exploração de depósitos minerais metálicos. Ainda assim, o projeto não quer ser associado a esta questão.
Numa primeira fase os responsáveis estudaram o projeto já existente, analisaram e recolheram dados e pesquisaram o que se diz na Imprensa sobre o depósito minerais. Na segunda fase, que agora decorre, o objetivo foi entrevistar agentes locais – sendo que querem ainda recolher o contributo dos bombeiros e peritos na questão das águas – para compreender o impacto na vida daquela região.
“Do ponto de vista social são eles [os habitantes] que sentem mais os efeitos – sejam eles positivos ou negativos – dessa intervenção no terreno. E por isso o que fizemos neste dia e meio, foi realmente falar com três ou quatro proprietários de terrenos naquela zona, e perceber quais são as preocupações deles, qual é a perceção que eles têm do projeto, se isso os pode beneficiar ou afetar”, refere a O SETUBALENSE Luís Martins, geólogo do Cluster Portugal Mineral Resources, uma das entidades envolvidas no projeto.
Envolvidos estão também Luís Lima, geólogo da Redcorp, Toni Eerola, do Serviço Geológico da Finlândia e Sam Whittlesey, analista de inovação sustentável da LGI naquele que é um “consórcio complementar” entre várias entidades.
Através de drones e tecnologias avançadas, e até inteligência artificial, o projeto pretende compreender o património escondido por baixo das terras.
Além disto, explica um dos responsáveis, importa também analisar o contexto social e ambiental deste projeto. “A Comissão Europeia achou por bem que o projeto tinha mérito suficiente e, não só do ponto de vista económico como também do ponto de vista ambiental e social, para ser aprovado, porque esse é um dos critérios que a comissão usa – não é só a importância económica de um projeto deste tipo, mas é também o seu impacto, seja ele positivo ou negativo, do ponto de vista ambiental e social”.
No final, até 2028, espera-se que seja publicado um relatório público com todas as conclusões do projeto.
Além da mina da Lagoa Salgada, incluído no “Iberian Pyrite Belt”, estão ainda a ser investigados o “Kussamo Schist Belt”, na Finlândia, e o “Kalahari Cooper Belt”, na Namímbia.