Autarca de Almada alerta que “terras ainda estão em movimento” e que perigo continua

Autarca de Almada alerta que “terras ainda estão em movimento” e que perigo continua

Autarca de Almada alerta que “terras ainda estão em movimento” e que perigo continua

FILIPE AMORIM/LUSA

De acordo com Inês de Medeiros, apesar de a chuva ter parado, o risco ainda existe e os deslizamentos de terra continuam a ocorrer

A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, alerta que os deslizamentos de terras continuam a ocorrer, na sequência do mau tempo das últimas semanas, admitindo que em algumas zonas não será possível as pessoas voltarem a casa.

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“É importante que continuem a aceitar e a respeitar as indicações da proteção civil. Agora está sol, mas o perigo ainda não desapareceu”, salienta a autarca, numa mensagem na rede social Facebook, publicada na segunda-feira à noite.

De acordo com a presidente da Câmara Municipal de Almada, apesar de a chuva ter parado, o risco ainda existe e os deslizamentos de terra continuam a ocorrer.

A situação, refere, tem estado a ser monitorizada por uma equipa da Faculdade de Ciência e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, que instalou marcadores nas zonas afetadas para saber como é que a terra ainda se está a mover.

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Na nota, a autarca deixa uma “palavra especial” para os munícipes afetados pelos deslizamentos de terra por viverem “num sítio onde provavelmente não vai ser possível regressar”.

Para muitas famílias, reconhece a autarca, as dificuldades ainda não passaram, especialmente em Porto Brandão, Azinhaga dos Formozinhos e Costa da Caparica.

Cerca de 500 pessoas foram retiradas desses locais, tendo algumas ficado em casa de familiares ou amigos, enquanto outras foram acolhidas em alojamentos pagos pela autarquia.

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“Para todos sei o sofrimento que é deixar uma casa de uma vida e deixar muitas memórias, nunca nos esquecemos dessa dor e estamos convosco solidariamente para que este momento seja o mais breve possível e que possam sarar e voltar a ter esperança neste nosso maravilhoso território”, refere a presidente da Câmara de Almada.

Inês de Medeiros indica ainda que foi criado um gabinete de apoio para obter todos os dados e criar um planeamento de reconstrução das vidas dessas pessoas e assegura que o município está no terreno todos os dias “a fazer tudo para que as vidas possam regressar à normalidade o mais depressa possível” e que “ninguém ficará para trás”.

A autarca adianta também que já se iniciou a limpeza de vias, bem como os trabalhos de desobstrução da rua 1.º de Maio, em Porto Brandão, “para que as famílias retiradas preventivamente possam regressar às suas casas e para que o comércio local, os restaurantes e o terminal fluvial possam retomar a atividade”.

Ainda sem prazo de conclusão, devido à instabilidade das terras, a obra em Porto Brandão irá representar numa primeira fase um investimento municipal estimado em 2,6 milhões de euros.

Desde o início das tempestades que assolaram o território continental desde o final de janeiro e nas primeiras semanas de fevereiro, o concelho de Almada registou vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão, tendo sido solicitada a ajuda ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para análise da situação.

No dia 09, foi realizada uma primeira visita dos técnicos a São João da Caparica, na sequência de um deslizamento de terras que afetou prédios situados junto à arriba fóssil, obrigando à retirada dos moradores.

No relatório elaborado, a que a Lusa teve acesso, é recomendado que o regresso dos moradores aconteça apenas depois de uma inspeção que garanta estarem asseguradas condições de estabilidade da arriba e da estrutura dos edifícios afetados.

No documento, os técnicos indicam ser provável que incidentes semelhantes ocorram no futuro, na sequência de episódios de chuva intensa e contínua, defendendo o estudo de soluções de estabilização definitivas da arriba fóssil “que poderão envolver, entre outras, medidas de drenagem superficial e profunda e de contenção de blocos de rocha, e/ou de minoração dos danos provocados pela sua destabilização, designadamente muros de espera”.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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