19 Junho 2024, Quarta-feira

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Piloto que aterrou em praia lotada e matou dois banhistas culpa golpe de vento 

Piloto que aterrou em praia lotada e matou dois banhistas culpa golpe de vento 

Piloto que aterrou em praia lotada e matou dois banhistas culpa golpe de vento 

Suspeito começou a ser julgado no Tribunal de Almada e defende que cumpriu normas da aviação civil

 

“Quis aterrar 10 ou 15 metros à frente de onde a avioneta aterrou, onde não via banhistas, mas um golpe de vento na cauda empurrou a avioneta para baixo durante a aproximação. Vi pessoas em todo o lado, não tinha outra hipótese que seguir em frente e tive noção que atingi algumas pessoas, mas não quantas. Quando saí do avião fui agredido e partiram-me os óculos”. Foi assim que Carlos Conde de Almeida, o piloto instrutor da avioneta Cessna 152 que aterrou na praia de São João da Caparica em Agosto de 2017, provocando a morte de Sofia Baptista António, de 8 anos, e José Lima, de 56, justificou esta quinta-feira no Tribunal de Almada a aterragem trágica na praia lotada da Caparica.

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O piloto começou a ser julgado no Tribunal de Almada e defende que cumpriu normas da aviação civil, nunca tendo violado a leis artes. Carlos Conde de Almeida responde por dois crimes de homicídio negligente e um crime de condução perigosa de meio de transporte por ar.

O arguido seguia com um instruendo da Escola de Aviação Aerocondor na avioneta que saiu de Cascais rumo a sul, a dois de Agosto de 2017 quando, mas o motor deixou de funcionar quando estava a sobrevoar o Tejo, a 300 metros de altitude. O motor sofreu uma falha total de potência provocado pelo bloqueio da válvula de manutenção de nível de combustível na cuba do carburador, que impediu a entrada de combustível na cuba, interrompendo assim o fluxo de combustível ao motor.

De acordo com o despacho de pronúncia do Tribunal de Instrução Criminal de Almada, Carlos Conde de Almeida perdeu 50 segundos a tentar ligar o motor e só quando estava a 150 metros de altitude, comunicou a emergência, indicando que ia aterrar na praia da Cova do Vapor, um areal sem banhistas antes da praia de São João da Caparica. Acabou por aterrar à frente, na praia lotada.

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Em tribunal, Carlos Conde de Almeida alegou que “a decisão de aterrar foi imediata, assim que o motor parou de funcionar e que a informação da aterragem na praia da Cova do Vapor era uma referência, não uma localização exacta”.

“Eu disse Cova do Vapor e peço desculpa por isso. Não conheço o nome daquelas praias e quando se deu a falha no motor, não a vi, apenas uma que estava mais à frente de onde aterrei e sem tantas pessoas”, explicou o arguido.

“Quando se dá a falha de motor”, explicou o arguido, “pedi ao aluno para manter a velocidade de 60 nós, aquela que permite controlar o avião e tentei por cinco vezes ligar o motor, apontando sempre a avioneta à zona onde queria aterrar. Se não insistisse tantas vezes em ligar o motor cometia uma negligência grosseira”, disse o piloto, acrescentando que quando aterrou a avioneta, esta imobilizou-se, não avançou 200 metros no areal, como defende o MP. Carlos Conde de Almeida foi questionado sobre a hipótese de amarar no Rio Tejo, evitando o areal da praia de São João da Caparica. O piloto negou, dizendo que não há formação para amaragem porque os aviões não são feitos para estar na água. Foi a segunda vez que Carlos Conde de Almeida se deparou com uma situação de falha de motor em pleno voo. Antes, o piloto tinha conseguido reverter a situação. “Foi devido à falta de combustível num tanque, foi alterado e o motor arrancou”.

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