Cerimónia de cremação realiza-se pelas 12h00. Presidente da República e Sociedade Portuguesa de Autores lamentam perda
O funeral de António Chainho, mestre da guitarra portuguesa e compositor, sai esta quarta-feira, pelas 10h00, do seminário de Alfragide, em direção ao Complexo Fúnebre de Setúbal onde, pelas 12h00, se realiza a cerimónia de cremação, disse à agência Lusa o agente do artista.
Natural de Santiago do Cacém, António Chainho morreu esta terça-feira na sua residência em Alfragide, no dia em que completaria 88 anos.
A perda mereceu o lamento de Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet. Na publicação, o Presidente da República evocou António Chainho como “personalidade cimeira na guitarra portuguesa e no fado, ao longo de mais de cinco décadas, acompanhando um sem número de intérpretes”. “Um símbolo inspirador para gerações de instrumentistas”, sublinhou ainda o chefe de Estado.
Na nota de pesar, o Presidente da República lembra que condecorou António Chainho com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em 2022, e apresenta “amigos e saudosos pêsames à sua família, companheiros de vida artística e admiradores”.
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) também manifestou pesar pela morte do músico. A vida e obra de António Chainho “marcaram de forma indelével a música portuguesa e a projeção internacional” da guitarra portuguesa, afirma a SPA, também na publicação de uma nota de pesar.
Para a SPA, António Chainho foi “um dos mais importantes intérpretes e compositores da guitarra portuguesa, levando-a a palcos nacionais e internacionais e despertando a admiração de músicos de referência de diferentes geografias e universos musicais”. Em 2022, a SPA atribuiu ao músico o Prémio Consagração de Carreira, “homenageando, dessa forma, o conjunto da sua obra”.
Já a Câmara Municipal de Santiago do Cacém decretou três dias de luto municipal pela morte de António Chainho e evocou o músico como “um dos mais notáveis intérpretes” da guitarra portuguesa. Numa nota de pesar publicada na sua página da rede social Facebook, o Município de Santiago do Cacém manifestou profundo pesar pelo falecimento do seu conterrâneo, natural de São Francisco da Serra, mestre da guitarra portuguesa, músico e compositor reconhecido nacional e internacionalmente.
O “mestre da guitarra portuguesa”, como era referido pela crítica especializada, encerrou a carreira de 60 anos em setembro de 2024, ano em que editou o seu último álbum, “O Abraço da Guitarra”, no qual homenageou os que através da rádio foram os seus mestres.
António Chainho nasceu em S. Francisco da Serra, no concelho de Santiago do Cacém, em 27 de janeiro de 1938, e começou a tocar no meio fadista na década de 1960. Editou sete álbuns em nome próprio e um DVD, “Ao vivo no CCB”.
Gravou e tocou com nomes como Fernando Alvim, Teresa Salgueiro, Gal Costa, Fafá de Belém, María Dolores Pradera, José Carreras, Adriana Calcanhotto, Saki Kubota, Elba Ramalho, Sonia Shirsat, Remo Fernandes, Hélder Moutinho, Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Nina Miranda, entre outros.
Em finais da década de 1970, começou a preocupar-se com a necessidade de um curso de guitarra portuguesa para novos instrumentistas, que viria a concretizar décadas depois, com a abertura do ensino da guitarra portuguesa no Museu do Fado, em Lisboa, e numa escola, com o seu nome, em Santiago do Cacém, em 2005.