Autarquia obrigada a apertar o cinto. Festa da Flor, Semana da Juventude, Festival de Música da Atalaia e Festival Blossom de Jazz não se realizam este ano
A gestão camarária do movimento independente Montijo com Visão e Coração (MVC) decidiu suspender alguns eventos regulares e cortar nos orçamentos das festas populares para poder investir na reparação das escolas, das estradas e na higiene urbana. Além do Carnaval e do Festival Sons no Montijo, este ano não se irá realizar também a Festa da Flor, a Semana da Juventude, o Festival de Música da Atalaia e o Festival Blossom de Jazz.
A informação começou por ser anunciada pelo vereador Ilídio Massacote (MVC) e foi depois reforçada por Fernando Caria, quando o líder do executivo apresentou o relatório de gestão e prestação de contas do município de 2025, no decorrer da reunião de câmara de quarta-feira passada. A prioridade é fazer obras consideradas urgentes. Estão previstas intervenções nas escolas “na ordem dos 4 milhões de euros”, melhorias na rede viária com um investimento “estimado em 2 milhões” e um reforço da higiene urbana com “um aumento de cerca de 1,5 milhões de euros”, avançou Ilídio Massacote.
Ainda de acordo com o vereador, que tem a pasta da cultura, a suspensão temporária dos eventos permitirá “uma poupança global estimada em 880 mil euros”, verba que será alocada aos investimentos prioritários, já que o saldo disponível da autarquia está comprometido com contratos e projetos que não foram concretizados no último mandato pelo executivo do PS e que terão agora obrigatoriamente de ser cumpridos.
A autarquia fechou 2025 com um resultado líquido de 2,6 milhões de euros e 21 milhões em caixa, porém a taxa de execução de investimento foi de apenas 23%. Dos 26,5 milhões de euros destinados a obras no concelho, foram executados pouco mais de 6 milhões. “Isto significa que três em cada quatro euros que deveriam melhorar o nosso concelho ficaram por investir”, disse Fernando Caria. Segundo o presidente da autarquia, o atual executivo ficou assim condicionado pela herança de um volume significativo de obras que não saíram do papel, o que não deixa folga orçamental para novos compromissos necessários e urgentes.
O município apresenta uma dívida de 4,7 milhões de euros e uma capacidade de endividamento de cerca de 31 milhões de euros. As finanças estão equilibradas e de “boa saúde”, admitiu o edil, o problema é que não há margem financeira para dar resposta a outras despesas que não as dos compromissos que vêm do mandato passado.
Antes, em resposta a Ilídio Massacote, Carlos Anjos, vereador eleito pelo PS, defendeu que “com os recursos disponíveis, com as receitas próprias e a possibilidade de recurso ao crédito, o atual executivo dispõe de todas as condições para concretizar as suas prioridades”.
Já Nuno Valente, vereador do Chega, enalteceu a posição assumida pela gestão do MVC. “Finalmente houve uma clarificação, mas já podia ter sido feita há mais tempo. Os montijenses antes preferem ter escolas, estradas, infraestruturas do que festas e festinhas, que também são importantes, mas estas opções têm de ser tomadas com coragem”, vincou.
As contas foram aprovadas com cinco votos a favor (três do MVC, um do PSD e um do PS). Os dois vereadores do Chega votaram contra, por o documento refletir uma gestão socialista que deixou o Montijo “num estado caótico”.