Objetivo do encontro passou por definir posição regional. Sessão juntou 60 participantes na Casa da Baía
Cerca de 60 participantes estiveram reunidos, na manhã da passada sexta-feira, na Casa da Baía, numa sessão promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), com o objetivo de recolher contributos para a definição da posição regional no âmbito do futuro Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034.
O encontro juntou representantes dos setores empresarial, académico, científico, institucional e associativo, colocando em debate os principais desafios e oportunidades da Península de Setúbal no contexto do próximo ciclo de financiamento europeu.
Na abertura da sessão, a presidente da CCDR LVT, Teresa Almeida, defendeu uma participação ativa das regiões nas negociações em curso na União Europeia. “É nas regiões que se asseguram as grandes transformações e se decide a competitividade”.
Durante o encontro foram apresentados indicadores que evidenciam alguns dos desafios que a região enfrenta. Em 2024, o PIB por habitante, em paridade de poder de compra, correspondia a 55% da média da União Europeia, enquanto a taxa de desemprego jovem atingiu os 23,2% em 2025.
Para a presidente da comissão, os números reforçam a necessidade de apostar na modernização económica e na qualificação dos recursos humanos. “Estes números dão-nos razões concretas para investir na modernização produtiva e nas qualificações, em áreas emergentes no quadro de inovação assumido”.
As conclusões da sessão irão contribuir para a construção da posição regional de Lisboa e Vale do Tejo relativamente ao próximo Quadro Financeiro Plurianual, ajudando a definir prioridades estratégicas e futuros instrumentos de financiamento.
Entre os temas em análise estiveram a reindustrialização, as novas agendas mobilizadoras, a investigação e desenvolvimento, o ensino superior, a atração de talento, a economia azul, a resiliência costeira e as infraestruturas críticas.
A CCDR LVT pretende ainda identificar oportunidades de investimento, reforçar as parcerias entre empresas e instituições de conhecimento e ultrapassar constrangimentos que dificultam a execução de projetos estruturantes.
“Queremos reforçar as prioridades de investimento com mais projetos âncora antes de 2028”, sublinhou Teresa Almeida.
A responsável destacou igualmente as potencialidades industriais, portuárias, científicas e marítimas da Península de Setúbal, considerando que a concretização de projetos como o novo aeroporto, as novas ligações ferroviárias e as travessias sobre o Tejo deverá ser acompanhada por uma estratégia de ordenamento e desenvolvimento territorial.
O processo de construção da estratégia regional assenta ainda em dois instrumentos fundamentais: o novo Plano Regional de Ordenamento do Território de Lisboa e Vale do Tejo (PROT LVT) e o Plano de Parceria Nacional e Regional (PPNR), documentos que deverão orientar o planeamento, o financiamento e a execução de futuros investimentos.
A sessão contou com a presença da vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, e do vereador Paulo Maia.