Carlos Albino: “Costumo dizer, com orgulho, que na Moita temos de tudo. Só não temos comparação”

Carlos Albino: “Costumo dizer, com orgulho, que na Moita temos de tudo. Só não temos comparação”

Carlos Albino: “Costumo dizer, com orgulho, que na Moita temos de tudo. Só não temos comparação”

A afirmação do autarca surge ao debruçar-se sobre os pilares das Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, que têm início nesta sexta-feira. “São vários os sentimentos e tradições que confluem nestes dias” e que, de manhã até à noite, prometem “encher a vila de vida e alegria”, vinca

A vila da Moita prepara-se para viver os dez dias mais intensos do ano, de exaltação às mais fortes tradições que vincam os traços da matriz identitária local. As Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem arrancam nesta sexta-feira e estendem-se até dia 20.
Carlos Albino, presidente da Câmara Municipal, debruça-se sobre várias vertentes associadas às comemorações, desde o envolvimento da comunidade, passando pela fé e pela ligação estreita ao Tejo, até ao número de visitantes e ao impacto económico do certame, sem deixar de destacar o investimento na segurança. “É uma prioridade absoluta. Continuamos a fazer um forte investimento no hospital de campanha instalado junto ao recinto das largadas, com médicos e socorristas”, salienta o autarca.
Quanto à oferta do programa festivo, o edil realça a diversidade. “Temos provas desportivas, atividades lúdicas durante o dia, passeios no varino, espetáculos, iniciativas promovidas pelas nossas associações, ranchos folclóricos, fado, música e, naturalmente, toda a componente taurina e religiosa”, resume. E conclui: “Costumo dizer, com orgulho, que temos de tudo. Só não temos comparação.”

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As Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem são o ponto alto da exaltação da identidade local. Como avalia o envolvimento e o sentimento da comunidade na edição deste ano?
À semelhança dos anos anteriores, sentimos uma enorme motivação e entusiasmo por parte das pessoas. Há quem espere um ano inteiro por estes dez dias de festa, convívio e reencontro, porque estas festividades em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem fazem parte da nossa identidade e daquilo que somos enquanto comunidade.
São vários os sentimentos e tradições que confluem nestes dias. A nossa forte ligação ao rio, a paixão dos aficionados, o respeito pelas tradições, os concertos, a cultura popular e todas as atividades que, desde manhã até à noite, enchem a vila de vida e alegria.
Mas, acima de tudo, estas são as festas das nossas gentes. É esse sentimento de pertença, vivido nas ruas e partilhado entre gerações, que lhes dá uma dimensão tão especial.

O envolvimento das escolas locais mantém-se forte, como é disso exemplo a seleção do desenho para a capa oficial do cartaz. Qual é a importância de passar o testemunho destas festividades às gerações mais jovens da Moita?
Continuamos a promover cada vez mais essa ligação entre as festas e as nossas gentes, começando naturalmente pelos mais novos. A cada ano que passa temos um maior envolvimento dos jovens e das escolas de todo o concelho. É uma forma muito bonita de estreitar laços, transmitir as nossas tradições e criar um verdadeiro sentimento de pertença entre quem aqui vive. Queremos que as novas gerações não sejam apenas espectadoras das nossas tradições, mas que façam parte delas, que as sintam como suas e que, no futuro, sejam também responsáveis por lhes dar continuidade.

A vertente religiosa, com a Procissão e a Bênção dos Barcos como expoente máximo, atrai muitos visitantes. O município trabalha com a paróquia na perspectiva de salvaguardar o património imaterial destas celebrações?
A Procissão do ano passado foi a maior de sempre. A fasquia ficou muito alta, mas queremos continuar este caminho, porque esta participação demonstra a enorme devoção das pessoas e, sobretudo, a vontade coletiva de manter viva uma tradição que atravessa gerações.
Só a Procissão envolve cerca de 800 pessoas, o que nos permite perceber a sua dimensão e importância para a nossa comunidade. A Bênção das Embarcações é igualmente um momento único e marcante. É talvez um dos momentos em que melhor se sente a ligação da Moita ao Tejo, à fé e às suas gentes. São tradições que fazem parte da nossa identidade e que temos a responsabilidade de preservar e transmitir às próximas gerações.

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É possível estimar quantos milhares de visitantes estas festas atraem à Moita durante os dez dias? Qual é aproximadamente o número de visitantes que recebem?
Durante estes dez dias de festa, estimamos que a Moita receba aproximadamente um milhão de pessoas. É uma dimensão extraordinária para o nosso território e demonstra bem a importância que as Festas da Moita conquistaram muito para lá das fronteiras do concelho.
Quem nos visita encontra uma oferta muito diversificada e pensada para diferentes públicos. Temos provas desportivas, atividades lúdicas durante o dia, passeios no varino, espetáculos, iniciativas promovidas pelas nossas associações, ranchos folclóricos, fado, música e, naturalmente, toda a componente taurina e religiosa. Costumo dizer, com orgulho, que temos de tudo. Só não temos comparação.

E estimativas ou dados sobre o impacto económico direto no comércio local e na restauração?
A restauração começa a sentir esse impacto logo no dia da apresentação das festas, que já atrai milhares de pessoas e começa, por si só, a afirmar-se como uma referência na região. Sendo estas uma das maiores festas da Península de Setúbal, senão mesmo a maior, é evidente que têm um enorme impacto na restauração e no comércio local. Durante estes dias temos milhares de pessoas nas nossas ruas, nos cafés, nos restaurantes e no comércio. É também isso que queremos: que esta grande festa popular seja um motor da economia local e uma oportunidade para quem aqui trabalha, investe e mantém os seus negócios abertos durante todo o ano.

Há eventos, como a “Tarde do Fogareiro”, que enchem as artérias principais da vila. Quais são os maiores desafios logísticos e de limpeza urbana planeados para o espaço público para esses dias?
A “Tarde do Fogareiro” é um dos momentos altos das festas e tem um fortíssimo cariz popular. Atrai pessoas de vários pontos do País e, apesar da dimensão que ganhou, tem sabido preservar a sua identidade e aquele ambiente muito próprio que a torna especial.
Naturalmente, um evento desta dimensão representa um enorme desafio em matéria de limpeza urbana, segurança, circulação e organização do espaço público. A autarquia tem vindo a investir e a reforçar os meios para garantir que as pessoas continuem a sentir-se bem e possam desfrutar da festa nas melhores condições. É um espaço único, numa tarde única do ano, que não se repete. E é precisamente por ser tão especial que exige um grande esforço de preparação e uma enorme capacidade de resposta por parte das nossas equipas.

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O aumento de visitantes motivou alguma parceria ou articulação com operadores dos transportes públicos?
Existe sempre esse cuidado de articulação com os diferentes operadores, precisamente pelo enorme impacto que estes dias têm na mobilidade e nos transportes. Ao mesmo tempo, continuamos a investir na criação de bolsas de estacionamento e na melhoria da rede viária, para tornar mais simples e segura a chegada e a saída do concelho.
É importante que quem nos visita acompanhe as informações que vão sendo disponibilizadas ao longo das festas. Trabalhamos também para que as plataformas digitais e de mapas possam disponibilizar informação atualizada e ajudar quem se desloca até à Moita. Receber bem também significa facilitar a mobilidade de quem nos visita.

Concertos, largadas de toiros e animação pela noite dentro potenciam o risco de ocorrências. O que pode dizer sobre o plano de segurança delineado em articulação com as forças policiais e de socorro?
A segurança é uma prioridade absoluta. Continuamos a fazer um forte investimento no hospital de campanha instalado junto ao recinto das largadas, com médicos e socorristas preparados para responder rapidamente a muitas das situações que possam ocorrer.
Mas, a segurança não depende apenas dos meios que colocamos no terreno. É fundamental existir uma verdadeira cultura de segurança, transversal a todos: organização, forças de segurança e socorro, participantes e público. Quem assiste deve ter o cuidado de manter as saídas desimpedidas, permitindo uma evacuação rápida quando necessária. E quem, por qualquer motivo, não esteja em condições de participar numa largada deve ter a responsabilidade de não entrar no recinto.
Queremos uma festa vivida intensamente, mas sempre com responsabilidade. Porque uma grande festa é também aquela em que todos regressam a casa em segurança.

Estão previstas algumas medidas ambientais e de incentivo à reciclagem para o recinto das festas este ano?
Todos os anos desenvolvemos uma parceria com a Amarsul para reforçar a recolha e a reciclagem durante as festas. Um bom exemplo acontece no final da “Tarde do Fogareiro”, quando são recolhidas milhares de garrafas depositadas no recinto. Perante a dimensão das festas, a componente ambiental assume também uma importância muito significativa. Uma festa desta dimensão tem necessariamente uma pegada no espaço público e todos temos de contribuir para a reduzir. O objetivo é que a Moita continue a receber milhares de pessoas, mas que o faça de forma cada vez mais responsável e sustentável.

Como acha ser possível continuar a inovar no cartaz cultural sem desvirtuar as raízes e as tradições taurinas e marítimas que definem a Moita?
É sempre possível inovar. Todos os anos procuramos subir um pouco mais a fasquia, sabendo que, à medida que crescemos, a superação se torna naturalmente mais exigente. Mas, há algo de que não podemos abdicar: a nossa identidade.
O verdadeiro sentimento de dever cumprido é vermos as famílias nas ruas, a desfrutarem da festa e a sentirem-se seguras. Este ano, a segurança será novamente uma área reforçada, nomeadamente através da instalação de múltiplas torres de CCTV em diferentes pontos do recinto. Queremos que as Festas da Moita continuem a rimar com segurança.
E depois há aquilo que nenhuma programação consegue fabricar: o ambiente das nossas ruas. As famílias que circulam entre os diferentes espaços, quem num dia ouve fado e no outro assiste a um espectáculo de sevilhanas, quem acompanha o encontro de ranchos, os bombos que animam as tardes da vila, as largadas, o rio e os momentos religiosos. Podemos e devemos inovar, mas sempre a partir daquilo que somos. É essa combinação entre tradição e capacidade de fazer diferente que torna as Festas da Moita únicas.

Se de todos os momentos destas festas só pudesse escolher um, qual o que seria para si imperdível?
É muito difícil escolher apenas um, diria mesmo quase impossível. Cada momento tem o seu significado e todos, juntos, constroem aquilo que são as Festas da Moita. Mas, porque estas festas são também um verdadeiro hino à amizade, ao encontro e ao convívio, escolheria a “Tarde do Fogareiro”.É um daqueles momentos em que olhamos à nossa volta e percebemos verdadeiramente o que significa uma festa feita de pessoas e para as pessoas. Ainda assim, não perderia de vista todos os outros momentos de encontro de que falei, porque sem eles estes dez dias não teriam o mesmo sentido. É a soma de todos eles que faz das nossas festas aquilo que são.

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