Autarcas do Montijo em ebulição com fecho da Urgência de Obstetrícia no Barreiro

Autarcas do Montijo em ebulição com fecho da Urgência de Obstetrícia no Barreiro

Autarcas do Montijo em ebulição com fecho da Urgência de Obstetrícia no Barreiro

Utentes têm protesto agendado para domingo, às 10 horas, que vai juntar eleitos de todas as forças políticas e profissionais de saúde. Petição pública a decorrer

O fecho definitivo do Serviço de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital do Barreiro, anunciado na passada terça-feira pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, está a ser contestado por deputados parlamentares, autarcas, população e profissionais de saúde. O cenário é de ebulição.

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Até mesmo no PSD, principal força política do Governo, há quem assuma que não vê com bons olhos o encerramento do serviço no Barreiro para o concentrar no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

É o caso de Pedro Vieira, vereador da Câmara Municipal do Montijo e candidato à liderança da concelhia laranja, que “mede” as palavras para evitar dizer que se opõe à medida, mas que o deixa implícito ao assinalar preocupação. “Esta situação estará a ser vista dentro de um planeamento do Governo. Posso compreender o planeamento do Governo, mas fico sempre preocupado com o fecho de valências no Hospital do Barreiro, que serve o Montijo”, diz o autarca social-democrata.

Sem reservas mostra-se Fernando Caria, presidente da Câmara do Montijo. “Sou totalmente contra! É uma medida que não cabe na cabeça de ninguém. A alternativa vai agravar os problemas que o Garcia de Orta também já sente. De Canha a Almada, por exemplo, são 70 quilómetros, é uma distância enorme”, afirma o líder do executivo municipal, eleito pelo movimento independente Montijo com Visão e Coração. O edil vai mais longe e deixa um recado para a governante: “A sra. ministra que pense no que está a fazer e que recue. Temos a esperança de que esta medida seja revertida”. Ao mesmo tempo, critica a falta de atenção de Ana Paula Martins para com os autarcas do arco ribeirinho (Montijo, Alcochete, Barreiro e Moita). “Continuamos a aguardar que se reúna connosco, que nos receba.”

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Nuno Valente, vereador eleito pelo partido Chega, também é lapidar ao comentar a decisão de encerramento do serviço na unidade hospitalar do Barreiro. “Não faz sentido concentrar a Urgência de Obstetrícia em Almada. Estamos contra. No próximo domingo iremos estar presentes, com representes de todos os partidos, numa concentração de protesto em frente ao hospital”, avança.

E Ricardo Bernardes, vereador eleito pelo PS, não foge à regra – que no seio do executivo municipal não encontra exceção. A posição do autarca é a mesma da já assumida num comunicado da Comissão Política Concelhia.

Todos à concentração
“O PS Montijo expressa a sua frontal oposição ao encerramento da Urgência de Obstetrícia que funciona no Hospital do Barreiro. O encerramento, previsto já para março, desta resposta de urgência para dar forma a uma urgência regional no Hospital Garcia de Orta, em Almada, é uma escolha política que terá impactos negativos e profundos na prestação de cuidados de saúde materno-infantis na Península de Setúbal, em particular nos concelhos do Montijo, Barreiro, Moita e Alcochete”, consideram os socialistas.

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“No caso do concelho do Montijo, que tem uma zona territorial muito vasta, muitas mães e famílias passarão a estar a mais de 70 quilómetros de distância da Urgência de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, o que fragiliza ainda mais a proximidade que deve existir entre os cidadãos e os cuidados de saúde a que têm direito. Para o PS Montijo esta decisão irá, também, ter consequências graves na gestão do Hospital Garcia de Orta, que já presta cuidados de saúde a milhares de utentes e que ficará, ainda mais, sobrecarregado”, lê-se no comunicado, A concelhia socialista considera ainda que a decisão representa “um retrocesso grave na rede de respostas de urgência hospitalar na Península de Setúbal” e exige que o Governo a “reavalie”.

Para as 10 horas do próximo domingo está marcada uma concentração junto à porta do hospital, convocada pela Comissão de Utentes do Barreiro, para defesa da maternidade local. E já estão confirmadas presenças de autarcas e deputados parlamentares de todas as forças políticas, apurou O SETUBALENSE, bem como de representantes do Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

Em comunicado, a comissão de utentes afirma que se está “perante escolhas políticas que ignoram as reais necessidades das populações e fragilizam o Serviço Nacional de Saúde”.

“Em vez de se reforçar meios humanos e técnicos, opta-se por concentrar serviços, afastando cuidados de proximidade e contribuindo para o enfraquecimento do Hospital do Barreiro. As soluções agora apresentadas não resolvem os problemas existentes, nem garantem a resposta adequada às mulheres e às famílias da nossa região. A maternidade do Barreiro é uma referência e um serviço essencial. A população não está disposta a perder mais um direito conquistado”, lê-se no comunicado dos utentes.

O Hospital do Barreiro serve, sobretudo, os concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo. Em todos já existiram maternidades, resta a do Barreiro, cujo serviço de urgência já tem sentença de morte anunciada.

On-line Petição lançada por mãe já tem milhares de assinaturas

O anúncio da ministra da Saúde motivou também o lançamento de uma petição pública on-line, intitulada “Não ao Encerramento da Urgência Obstétrica do Hospital do Barreiro”. Foi lançada nesta quarta-feira por Susana Matos, uma mãe, ex-residente no Barreiro e terapeuta da fala. E a adesão tem sido forte. Às 20h40 de ontem, a petição já tinha sido subscrita por 3563 pessoas. Número que tem aumentado significativamente desde o primeiro dia. “Lancei hoje [quarta-feira] uma petição pública pela manutenção da Urgência Obstétrica do Hospital do Barreiro e, em poucas horas, já ultrapassámos as 380 assinaturas”, salientava a proponente da petição no primeiro dia. À hora do fecho desta edição (21h45) a petição já contava com 3692 subscritores. Às 10h05 da manhã desta sexta-feira os assinantes já eram 4471.

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