23 Fevereiro 2024, Sexta-feira
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Mais de mil de pessoas acompanharam funeral de Odete Santos

Paulo Raimundo e Jerónimo de Sousa entre os muitos dirigentes e eleitos do PCP presentes na cerimónia

 

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O funeral de Odete Santos, antiga deputada, autarca e dirigente do PCP, juntou esta quinta-feira mais de um milhar de pessoas no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade em Setúbal.

Entre os presentes estiveram o actual secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, que fez o elogio fúnebre, a única intervenção no cemitério, o anterior líder, Jerónimo de Sousa, os presidentes da câmara e assembleia municipal de Setúbal, André Martins e Manuel Pisco, a líder parlamentar, Paula Santos e outros deputados comunistas, como Bruno Dias, também eleito por Setúbal, e muitos outros eleitos pela CDU, como os vereadores Carlos Rabaçal, Pedro Pina e Rita Carvalho e presidentes de juntas de freguesia, como Luís Matos e Rui Canas.

O cortejo saiu do Convento de Jesus, onde decorreu o velório, percorreu, a pé, toda a Avenida 5 de Outubro, com muitas centenas de pessoas atrás dos dois carros funerários, um dos quais com as muitas coroas e ramos de flores, e, à porta do cemitério, juntaram-se mais umas centenas de pessoas que aguardavam no local.

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A urna ia coberta apenas com a bandeira vermelha do PCP e, à cabeça do cortejo, seguiam a família mais próxima de Odete Santos, nomeadamente o filho Rui e o neto.

A antiga deputada e autarca ficou sepultada na campa do filho mais velho que faleceu nos anos 90, ainda adolescente. É a campa 1859, no quadro 23.

Maria Odete Santos morreu aos 82 anos. Nascida em 26 de Abril de 1941, na freguesia de Pêga, concelho da Guarda, Odete Santos era advogada, tendo aderido ao PCP em 1974, e foi deputada à Assembleia da República entre Novembro de 1980 e Abril de 2007, eleita pelo círculo de Setúbal.

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Entrou na Assembleia da República em Novembro de 1980, eleita pelo círculo de Setúbal, e renunciou ao mandato em Abril de 2007, sendo substituída pelo deputado Bruno Dias, do mesmo círculo eleitoral. Foi deputada da II até à X legislaturas e foi eleita Presidente da Assembleia Municipal de Setúbal em 2002 e em 2005.

Integrou o Comité Central do PCP, a Direcção de Organização Regional de Setúbal do PCP e o Movimento Democrático de Mulheres. Foi ainda membro da Associação de Amizade Portugal-Cuba.

O interesse pela actividade política começou antes, quando em 1961 participou nos movimentos associativos estudantis. Foi ainda na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que Odete Santos teve o primeiro contacto com o Partido Comunista Português, ao qual viria a aderir após o 25 de Abril de 1974.

Como dirigente partidária e deputada, destacou-se em áreas dos Direitos, Liberdades e Garantias, na defesa dos direitos dos trabalhadores e dos direitos das mulheres, assuntos que abordou em conferências, debates, entrevistas e artigos publicados, refere a nota, que destaca o “particular significado” da sua intervenção na conquista de novos direitos para as mulheres, nomeadamente o combate ao aborto clandestino e pela despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez”.

No parlamento, dedicou-se às áreas do direito do Trabalho, Assuntos Constitucionais e direitos das mulheres, tendo sido agraciada com a Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Foi considerada a deputada mais mediática do PCP e, na altura da sua saída do parlamento, o ex-secretário-geral comunista Jerónimo de Sousa elogiou-a como “uma mulher apaixonada e apaixonante” que “põe o coração nas palavras”.

 

A poesia e o teatro, além da política

Escreveu vários livros, entre os quais “Em Maio há cerejas” (Ausência, 2003) e “A Bruxa Hipátia – o cérebro tem sexo?” (Página a Página, 2010), destaca o Secretariado do PCP.

“Sucessivas gerações ouviram e recordam a força que imprimiu ao declamar “Calçada de Carriche” de António Gedeão”, assinalou aquele partido.

Odete Santos gozou de uma popularidade que extravasou o âmbito político, com presenças regulares em programas de televisão, desde debates políticos a programas de entretenimento.

Apaixonada pelo teatro amador, a antiga deputada estreou-se nos palcos em 1966. Voltaria a participar numa peça em 1991, e, em 1999, protagonizou “Quem tem medo de Virgínia Woolf” numa encenação do Teatro Animação de Setúbal. Em 2004 aceitou um convite para participar desta vez numa revista, “Arre Potter Qu’É Demais”, no teatro Maria Vitória.

A Assembleia Municipal de Setúbal aprovou, na quarta-feira, um voto de pesar pelo falecimento da antiga deputada e dirigente comunista que foi também presidente deste órgão municipal.

O município de Setúbal também publicou, na sua página no Facebook, o vídeo produzido quando dos 80 anos de Odete Santos, acompanhado de um pequeno texto que recorda as diversas funções que desempenhou na autarquia.

“Na morte de Odete Santos, que integrou a comissão administrativa que governou a Câmara Municipal de Setúbal depois da Revolução de Abril e foi, ainda, vereadora eleita e presidente da Assembleia Municipal de Setúbal entre 2002 e 2009, recordamos partes do filme apresentado na sessão comemorativa dos 44 anos do 25 de Abril promovida pela Assembleia Municipal em 2018. Odete Santos: uma vida cheia de futuro!”, lê-se na publicação da câmara municipal.

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