7 Dezembro 2022, Quarta-feira
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Audiência à AML sobre transportes rodoviários deixa autarcas e munícipes desagradados

Carlos Humberto fez-se acompanhar de Faustino Gomes e Rui Lopo. Mas respostas não esclareceram nem convenceram

 

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A audiência era a Carlos Humberto, primeiro secretário-executivo da Área Metropolitana de Lisboa (AML), mas acabou por ser Rui Lopo, administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), quem mais falou, sem conseguir, porém, satisfazer as expectativas dos membros da Assembleia Municipal do Montijo e da meia-dúzia de munícipes que pretendiam respostas para os problemas registados com a nova rede de transportes públicos rodoviários. Da sessão desta quarta-feira, que durou pouco mais de três horas, saíram, ainda assim, três notas de destaque: na próxima semana a operadora Alsa Todi vai ter 100% de oferta em toda a área 4; os 50 motoristas contratados no exterior do País já receberam passaportes; e Sarilhos Grandes vai ter um novo serviço.

As duas primeiras foram avançadas por Rui Lopo e a última nota foi dada por Carlos Humberto, com base em informação trocada com Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo.

“Houve o compromisso de no início de Novembro [próximo] fazerem 100% da oferta ‘à pele’ em toda a área 4, algo que não está a acontecer, com especial incidência em Setúbal, Palmela e aqui nesta região de Montijo e Alcochete”, disse o administrador da TML. Nos casos de Setúbal e Palmela, Rui Lopo admitiu que até existem “linhas que não estão a ser feitas integralmente”.

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O problema resulta da falta de recursos humanos e o responsável adiantou: “Desde meados de Agosto que o operador [Alsa Todi] está a desenvolver esforços no sentido de ter um influxo forte de motoristas. Em primeira-mão – não estão aqui jornalistas, acho eu –, à partida, [isso] fica resolvido hoje [quarta-feira], porque eles hoje receberam os passaportes de 50 motoristas”. O SETUBALENSE contactou a Alsa Todi, mas a operadora não confirmou nem adiantou pormenores até ao momento.

Rui Lopo frisou ainda que a correcção de vários constrangimentos depende da estabilização da operação, o que só é possível alcançar quando houver suficiente número de motoristas. E as responsabilidades foram passadas para os ombros da operadora.

Pedido de demissão

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Para trás ficava um conjunto de questões apresentadas primeiro por munícipes e depois pelos membros das bancadas de PSD, PS, CDU, CDS, Chega, BE e IL. E, até final da audiência, ninguém ficou satisfeito com as respostas. Nem munícipes – apesar de o anúncio do novo serviço para Sarilhos Grandes ter aliviado um pouco a desilusão – nem autarcas, que consideraram ter ficado sem resposta de Carlos Humberto, Rui Lopo e Faustino Gomes, presidente da TML, que teve apenas uma breve intervenção na segunda e última ronda de esclarecimentos.

Quando estarão ultrapassadas as dificuldades em definitivo, quem é responsável por o quê, vai a AML solicitar junto da Alsa Todi o reembolso aos utilizadores que adquiriram o passe e nunca o chegaram a usar, e em que fase está o processo de penalidades aplicadas à operadora foram algumas das questões colocadas e cujas respostas provocaram desagrado. Lília Mendes (IL) foi quem melhor resumiu o estado de espírito dos autarcas: “Gastaram imenso tempo a dizer banalidades e dando a entender que apresentámos [algumas] perguntas porque não percebíamos nada disto, mas também não ficámos melhor.”

E foi Cipriano Pisco quem viria a recentrar o debate no essencial, arrancando aplausos da pequena plateia. “Depois desta discussão toda esprememos e que sumo deita? As pessoas querem é saber como se vai resolver o problema. É com a chegada dos 60 motoristas de Cabo Verde?”, questionou, antes de apontar ao problema de Sarilhos Grandes, onde a frota de autocarros ‘mora’ mas onde acaba por passar em último lugar, deixando todos os dias gente apeada.

E foi nos derradeiros momentos que a sessão quase “descambou”, quando Carlos Ferreira (CDS) pediu a demissão de Carlos Humberto. A resposta do primeiro secretário-executivo da AML – que antes já havia vincado que não iria responder a “tentativas de acusações políticas, quase provocaçãozinhas” – chegou em tom menos meigo.

“Foi a comissão executiva que propôs a aprovação do caderno de encargos, aprovado pelo conselho metropolitano dos 18 presidentes [de câmara]. Não passa pela cabeça pedir aos 18 presidentes que assumam responsabilidades políticas e que todos se demitam. Havia de ser bonito para a democracia portuguesa. Sabe por que é que não me demito? Não tem suficiente inteligência para chegar aí. Não me demito porque acho que estou a cumprir com as minhas obrigações e as minhas responsabilidades”, disparou, com Catarina Marcelino, presidente da Assembleia Municipal, a dar por encerrada a sessão.

AML Reunião em Setúbal pensada para o próximo dia 11

Tal como em Montijo, a Assembleia Municipal de Setúbal também decidiu convocar Carlos Humberto, primeiro secretário-executivo da Área Metropolitana de Lisboa, para uma audiência com o propósito de serem prestados esclarecimentos sobre os problemas registados pelo serviço de transportes públicos rodoviários. O agendamento não está ainda fechado, mas ganha força a hipótese de a sessão extraordinária vir a ser marcada para 11 de Novembro próximo, apurou O SETUBALENSE.

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