5 Dezembro 2022, Segunda-feira
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Meeting promovido pela AISET aponta valorização da formação como solução para revitalizar o sector industrial

Além de apostar em trabalhadores com elevados níveis de qualificação, o “Meeting de Capital Humano” propôs o reconhecimento das ‘soft skills’ na indústria portuguesa

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A encerrar o ciclo de debates programados no “Meeting de Capital Humano”, que decorreu hoje no auditório municipal do Seixal, a última sessão foi um reflexo do que já havia sido enunciado ao longo do dia: “A formação de recursos humanos é a chave”, a afirmação é de João Costa, director da ATEC, mas a convicção é de todo o painel que defende que a qualificação dos trabalhadores é a resposta para a escassez de mão-de-obra qualificada na indústria.

No encontro que reuniu empresas sediadas na Península de Setúbal, não deixou de ser enunciada a ideia da valorização das qualificações dos trabalhadores, mas o reconhecimento das ‘soft skills’ foi apontado como solução para o crescimento do sector industrial no futuro.

“Nos próximos dez anos, 85% das profissões serão completamente novas e não fazemos ideia quais são”, indicou o director da ATEC. “Temos de reforçar os conhecimentos de base que os jovens precisam, reforçar a literacia digital e, acima de tudo, as competências sociais porque isso é o mais certo que vão ter ao longo da vida. Aprender, desaprender e reaprender”.

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Uma questão que levou a vice-presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), Elsa Carvalho, a mencionar que “Portugal é o sétimo país da União Europeia com menor produtividade por hora de trabalho”, o que, na visão de João Costa, se deve “aos baixos níveis de competências [dos trabalhadores] que as empresas precisam”.

Em representação do Instituto de Emprego e Formação Profissional, Carla Filipe, assegura que a Direcção do Centro de Formação do Seixal, além de “dar uma resposta de formação alargada”, tem trabalhado para “compreender as necessidades das empresas” para investir nas “competências não técnicas” dos formandos.

A necessidade de articulação entre empresas, essencialmente do sector da indústria, e as escolas profissionais, foi defendida pelo ex-director a Escola Profissional do Montijo. Para João Martins, tem de ser criada uma rede articulada entre empresas e as escolas, e apontou que a Associação da Indústria da Península de Setúbal “devia fazer parceria com as escolas do Distrito de Setúbal”, e participar num “plano de comunicação, nacional e regional, para ajudar a definir os cursos que respondam às necessidades da indústria”.

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A criação desta rede é um dos pontos que considera entre os caminhos para resolver a falta de mão-de-obra qualificada direccionada para as necessidades da península. “Temos áreas com procura excessiva e outras quase sem procura”, diz. A preocupação da escola, que “não tem problemas de recrutamento”, tem sido programar para responder ao mercado de trabalho empresarial.

Outro problema das escolas profissionais privadas tem sentido a “falta de estabilidade financeira”, refere. Pelo que diz João Martins, quando estas instituições eram financiadas pelo Orçamento do Estado “havia estabilidade”, mas quando “foram empurradas para os Programa Operacional, estiveram dois anos à espera de financiamento”, e acrescenta: “Não houve um verdadeiro investimento nos alunos, a verba sai quase toda do budget da formação que é igual à de 2008”, e com isto acaba-se “a fazer formação com equipamentos que não correspondem à realidade”.

Outro problema é a falta de formadores, porque as áreas técnicas estão no domínio de “pessoas com mais idade e não há capacidade financeira para criar equipas de jovens formadores”. Em suma, para o ex-director da Escola Profissional do Montijo, “a orientação escolar profissional não está a funcionar bem; devia ter uma perspectiva regional e responder à realidade das empresas, e não por um outro qualquer motivo”.

A orientação dos cursos com directrizes que respondem à realidade das empresas é também referida pela presidente do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), um procedimento programado pela instituição, e que que lhe tem valido um constante aumento de alunos, tanto nacionais como de outros países.

Referindo-se aos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) a funcionar na instituição, Ângela Lemos afirma que estes “são criados em conjunto com as empresas”, e garante que o ensino profissional “prepara para o mercado de trabalho”.

Deu ainda a saber que o IPS, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, “está a montar um programa de formações de curta duração”, para o qual “é importante ouvir a indústria, para ser construído em conjunto”.

Foto: Mário Romão

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