26 Setembro 2022, Segunda-feira
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Elvira Fortunato ‘volta a casa’, reafirma espírito crítico e garante que não vai desperdiçar PRR

Ministra da Ciência e Tecnologia visitou a Faculdade onde cresceu e garantiu que não vai deixar fugir os dinheiros dos fundos europeus

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Em dia de recepção aos novos alunos, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) esteve em festa. Foi ontem, com caloiros e veteranos no circuito central do campus vestidos com as camisolas de cada licenciatura, com adereços inspirados e desafiadores, e muitos cânticos em igual jeito.Já cerca das duas da tarde, quando chegou a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que foi recebida pelas tunas, masculina e feminina da Faculdade; foi desafiada a dançar; dançou mesmo, e afirmou ter muitos projectos para captar dinheiros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Foi o regresso de Elvira Fortunato à ‘casa’ onde estudou, foi professora, vice-reitora e investigou, qualidade em que foi pioneira mundial na electrónica de papel e premiada. A almadense voltou agora como ministra. “É uma sensação diferente. Entrei nesta casa em 1982, foi aqui que cresci e fiz os meus estudos em Engenharia Física e dos Materiais, fiz o doutoramento e investiguei”.

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Assume que sempre teve um espírito critico, e que ainda o mantém mesmo como membro do Governo. “Vou tentar fazer o melhor com os meios que existem na área do ensino Superior da Ciência e Tecnologia”, garantiu.

Há cerca de um ano, ainda antes de ter funções governativas, Elvira Fortunato afirmava a O SETUBALENSE que, principalmente na área da investigação científica, “a burocracia era muito grande”, não só em Portugal como noutros países europeus. “Estive ontem [terça-feira] em Bruxelas e uma das recomendações que fiz foi desburocratizar. Os investidores têm de confiar mais nos professores, nas Universidades e nos cientistas”.

Sobre o PRR, que apontava, também há um ano, necessitar de projectos concisos para que não se perdesse dinheiro dos fundos comunitários, afirmou que pelo lado do seu Ministério “já foram assinadas algumas dezenas de agendas mobilizadoras”, e acrescenta: “Ainda no sábado [passado] foram assinados 18 contratos no âmbito do PRR, e estas agendas mobilizadoras acabam por ser um caso único, na Europa, exactamente porque foi obrigatório incluir estas agendas. São projectos coordenados por empresas, mas que têm de ter as Universidades e centros de investigação integrados nessas equipas, de forma a transformar o conhecimento e incluí-lo na economia. É preciso fazer diferente e melhor”.

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Para Elvira Fortunato já passou o tempo das desculpas; “o dinheiro está aí, o orçamento inicial era de 900 milhões de euros, agora triplicou para 3 mil milhões de euros só para projectos específicos das agendas mobilizadoras”, revelou.

Ministra da Ciência e Tecnologia aplaude inclusão de cientistas na Comissão Nacional de Fogos

A ministra Elvira Fortunato chegou mais tarde do que o previsto à recepção aos novos alunos da FCT-UNL, o que justificou por ter passado a manhã em reunião com o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro; a primeira desde que foi criada a Comissão Nacional para a Gestão Integrada de Fogos Rurais. E não reservou o seu contentamento frente ao director da FCT-UNL, José Júlio Alferes. “Foi a primeira reunião que incluiu cientistas”, disse.

Questionada pelos jornalistas, manifestou dar “imenso valor” a esta decisão governativa. “Temos de pôr a ciência ao serviço da sociedade, tendo também por base aquilo que já é feito noutros países. Aliás, até na própria Comissão Europeia, integrei um grupo como conselheira científica durante 5 anos. É extremamente importante termos o conhecimento ao serviço das áreas governativas quando, hoje-em-dia, vivemos problemas complexos como é o caso dos fogos, este é um problema que obriga a resposta multidisciplinar, com evidência científica e sustentável”.

Director da FCT reafirma instituição como fonte de empreendedorismo e desenvolvimento

Com 8 500 alunos em 18 licenciaturas e cerca de 2 mil funcionários, a Faculdade de Ciências e Tecnologia – Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) assume-se como um motor de desenvolvimento da sociedade e meio empresarial em Almada e não só. “São jovens que querem estar integrados nesta comunidade. São investigadores, são professores que se querem aproximar das empresas”, referia ontem o director desta instituição de referência do ensino Superior, professor doutor José Júlio Alferes, durante a recepção aos novos estudantes.

A título de exemplo, aponta o Maden Parque, parque de ciências e tecnologia anexo à FCT no Monte de Caparica, a funcionar desde 2000, onde estão instaladas cerca de meia centena de empresas entre startups, spin-offs e de formação. “Queremos crescer muito mais”, afirma José Júlio Alferes que avança estar a Faculdade a preparar um master plan, para dentro do campus.

Trata-se de um projecto que “planeia o que vai ser construído no espaço da Universidade, e o que faz sentido ceder a empresas tecnológicas para serem mais um motor de desenvolvimento para a região”.

A par desde sentido de crescimento promovido pela FCT-UNL, o director lembra que existem outras iniciativas promovidas pela Câmara de Almada que tanto impulsionam a instituição como o concelho, caso dos protocolos assinados, esta semana, para a construção de residências. Um projecto que a autarquia submeteu a candidatura para apoios financeiros que visa reconverter um espaço na Romeira, na Cova da Piedade. “Entre pessoas de outras escolas, vai receber também estudantes da FCT”.

Quanto à interligação entre a Faculdade e o Innovation District – projecto que visa a criação de uma nova cidade global, na Caparica, e que irá conjugar um estilo de vida sustentável numa nova geografia de inovação e de conhecimento tecnológico, que conta com a participação de proprietários, da UNL e o apoio da Câmara de Almada -, José Júlio Alferes aponta aqui uma visão de futuro e desenvolvimento. “Vai trazer uma nova centralidade a Almada. Uma zona de habitação e tecnologia com fácil mobilidade que nos faz vibrar, por isso estamos, também deste ponto de vista muito empenhados neste grande projecto inovador; é um atractivo também para a Faculdade”, afirma.

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