6 Outubro 2022, Quinta-feira
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Só a falta de toldo fez sombra à abertura da Unidade de Saúde Familiar Aldegalega

Nuno Canta e responsáveis da saúde enaltecem qualidade do espaço, que causou boa impressão nos utentes. Mas houve um reparo

 

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Às 8 da manhã entraram os primeiros dois utentes, de uma fila de cerca de duas dezenas que aguardavam por serviços que até ontem eram apenas prestados no Centro de Saúde do Montijo, na Avenida Luís de Camões. O número foi transmitido por um dos que foram atendidos na estreia da nova Unidade de Saúde Familiar (USF) Aldegalega, instalada numa antiga ala do hospital montijense, com um pedido à mistura.

“Aqui [à porta] só falta um toldo, para quando estiver a chover. Não é por mim, mas sim pelos mais idosos”, solicitou o utente a Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, que acabara de visitar o espaço na companhia de Miguel Lemos, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Arco Ribeirinho, e Teresa Carneiro, que assumiu recentemente a presidência do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM).

A USF Aldegalega começara a funcionar – apesar da inauguração oficial estar reservada para data ainda a definir – com cinco médicas transferidas do Centro de Saúde do Montijo. De resto, o equipamento na Avenida Luís de Camões, pelas 10 horas, aparentava estar mais desanuviado em termos de afluência de utentes. A informação plasmada na vitrina da porta ajudava a explicar: “A partir de 15-09-2022, os utentes das listas médicas abaixo mencionadas deverão dirigir-se à USF Aldegalega”, indicava o documento direccionado aos pacientes das médicas “Ana Madeira; Cátia Sapateiro; Liliana Rumor; Lina Bernyk; Rosário Santos; e Olga Samorodova”.

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Pouco antes das 11 horas, na USF Aldegalega, situada no recinto hospitalar, não se avistava vivalma à porta. A calmaria só foi interrompida pela chegada, quase em simultâneo, de Nuno Canta e Miguel Lemos. Pouco depois entraria Teresa Carneiro. Enquanto o trio “descobria” as instalações e cumprimentava a equipa residente, cá fora registava-se alguma movimentação, a conta-gotas, com a entrada e saída de utentes. E as impressões de quem acabara de ter o primeiro contacto com o novo espaço foram positivas.

“Vim marcar uma consulta, porque a minha baixa [médica] termina. Marcaram-me já para amanhã [hoje]. As novas instalações, pelo que pude ver, são boas. [E o atendimento] Foi mais rápido do que o habitual”, disse Sara Bastos.

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Opinião idêntica teve António Rita, apesar de não ter aprofundado com minúcia as novas instalações. “Vim fazer uma marcação, porque a minha médica de família passou para aqui. O aspecto é bom, tudo o que é novo tem bom aspecto. Mas não reparei muito, porque chamaram-me logo. Foi rápido, lá em baixo [no Centro de Saúde] levava um bocadinho mais de tempo”, confessou o utente.

Menos sorte teve Joana Teixeira. “Queria fazer uma marcação, fui para o Centro de Saúde e mandaram-me para cá, porque a minha médica está de férias. Mas hoje [ontem] disseram-me que já não tinham vagas e terei de regressar na segunda-feira”, lamentou, sem deixar de dar uma nota sobre a aparência do espaço. “Pelo pouco que pude ver, na zona de entrada, está tudo muito perfeitinho.”

Nuno Canta e Miguel Lemos esperam atrair mais médicos

Quem também não escondeu agrado pelo que viu foi Nuno Canta. “Apesar da imagem, o mais importante aqui é termos mais uma estrutura do Serviço Nacional de Saúde [SNS], para poder responder a mais utentes e, particularmente, a utentes que até hoje não tinham médico de família”, comentou o autarca.

Mas para isso, admitiu, “vão ser necessários mais médicos”. Situação que o edil considera poder ser colmatada a breve trecho. “A equipa está extremamente motivada e a perspectiva que nos transmitiram é que esses médicos virão rapidamente para cá, porque estas instalações novas motivam e atraem os profissionais de saúde”, afirmou, antes de descrever algumas das valências da nova USF. “Vamos ter aqui gabinetes de saúde de enfermagem, gabinetes especializados para uma doença que afecta muitos idosos, que é a diabetes, mas também para a pediatria com dois gabinetes dedicados ao acompanhamento da saúde dos bebés, além de vários outros de consulta geral e um para a área da cardiologia”, observou.

Além das cinco médicas que transitaram do Centro de Saúde do Montijo, a USF Aldegalega conta com “um clínico novo” e ainda receberá “mais um”, confirmou Miguel Lemos. Ainda assim, a cobertura de médicos de família na cidade “continua em défice”, reconheceu o responsável pelo ACES Arco Ribeirinho. “Esta unidade é de excelência. Este tipo de novas unidades permite ao nosso território uma maior atractividade, na captação de jovens médicos”, apontou, visivelmente esperançado.

E quanto aos mais de 25 mil utentes sem médico de família na cidade, Miguel Lemos esclareceu: “O Centro de Saúde do Montijo vai manter-se a funcionar e estamos a desenvolver uma resposta modelo de via verde para esses utentes. A marcação [de consultas] passa a ser feita via telefone ou via e-mail. Passam a ter resposta, mas sem médico de família atribuído.” Trata-se de um modelo, adiantou, que “está em vigor no ACES Almada-Seixal” e que “tem dado muitos bons resultados em termos de atendimento aos utentes sem médico de família”. Todavia, esta “não é a resposta definitiva”. Até porque, garantiu o responsável, a necessidade é outra. “O que precisamos mesmo é de médicos de família, ponto”, reforçou, a concluir.

Teresa Carneiro “Instalações são extraordinárias”

Teresa Carneiro enalteceu as condições da USF Aldegalega. “As instalações são extraordinárias e certamente contribuirão para oferecer melhor resposta em saúde aos utentes”, disse a responsável pelo CHBM, ao mesmo tempo que considerou a abertura da nova unidade como “um momento muito significativo para o SNS”. “As pessoas estão contentes com as novas instalações e com isso também temos a certeza de que os processos administrativos e de atendimento vão ser implementados de forma diferente, no sentido de se aproximar as respostas em saúde daquilo que é necessário”, juntou.

Sobre os primeiros dias à frente da administração do CHBM, Teresa Carneiro resumiu: “Têm sido um enorme privilégio, porque é uma instituição com uma história que queremos continuar a cumprir, com trabalho realizado que não envergonha o centro hospitalar e os seus profissionais. O desafio é continuar e aprofundar esse trabalho”.

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