30 Novembro 2022, Quarta-feira
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Parceria entre Misericórdia e grupo de voluntários promete levar alegria aos idosos da Trafaria

Combater o isolamento e garantir o envelhecimento activo são os grandes objectivos da união entre a Santa Casa e a marca “Be Yourself”

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Na pacata vila da Trafaria, na frente ribeirinha de Almada, todos querem elogiar as três senhoras por detrás da banquinha de doces e salgados disposta no Largo da República. As iguarias, confeccionadas pelas utentes do Centro Social da Trafaria (CST), saltam à vista dos que passam e ninguém resiste a provar.

De boca cheia e guardanapo vazio, um jovem inglês comenta que comeu o “melhor bolo do mundo”. Vicência Lopes, de 80 anos, não se inibe. Sorri e ainda responde à letra: “Thank you”.

Está habituada a estas andanças, pois desde 2019 que é uma das protagonistas do projecto ‘Avós do Mar’, iniciado pela antiga empresa de turismo social, ‘Varina’, e pela Santa Casa da Misericórdia de Almada, que além de oferecer lições de culinária aos turistas, promove o contacto entre diferentes gerações.

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“O arroz-doce não ficou como queria”, desabafa Vicência. “Não te rales porque estão todos a comer”, reconforta-a a amiga Libânia Anjos, de 98 anos. Além de terem construído amizade no CST, onde passam grande parte do dia, as duas senhoras estão unidas pela vontade de embarcar em novas experiências.

“Parar não é comigo”, afirma Libânia. Move-se com facilidade e se não fosse a dificuldade auditiva a denunciá-la, a ideia de ser quase uma figura centenária soaria disparatada. “Depois da pandemia tenho estado mais sossegadinha a costurar e a fazer sopa de letras, mas gosto muito de ir à ginástica e também já fiz teatro”.

Numa localidade marcada pelo envelhecimento populacional, a meta do projecto ‘Avós do Mar’ é assegurar a actividade constante da terceira idade, motivo que levou a Misericórdia de Almada a adoptar o projecto.

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“É verdade que estas senhoras são dependentes e têm de ser auxiliadas, mas todas exprimem o desejo de não estar apenas enfiadas num centro, onde só se vêem umas às outras”, afirma Sofia Valério, técnica da Santa Casa de Almada.

“Com as ‘Avós do Mar’ têm a oportunidade de dar a conhecer os pratos típicos da região que só elas fazem tão bem. No final, sentem-se reconhecidas e valorizadas, o que é muito importante nesta idade”, acredita.

“Não são meus vovós de sangue, mas é como se fossem”

Na Trafaria, a interacção com os idosos não se esgota nas actividades de culinária. Junto à venda de comida, onde estão as ‘Avós do Mar’, várias gerações se divertem a praticar jogos tradicionais, pensados e produzidos pelos utentes do Centro Social.

A ideia é da ‘Be Yourself’, marca responsável pela produção de eventos locais que privilegia a envolvência da terceira idade. Gonçalo Silvestre, um dos criadores da marca, já conta com três anos de voluntariado com idosos e, este ano, fundou a ‘Be Yourself’ para combater o isolamento.

“Sempre tive uma relação muito especial com os meus avós, então não pude deixar de sentir o mesmo com estas pessoas. Não são meus vovós de sangue, mas é como se fossem”, confirma o voluntário.

Munido do carinho que sente pelos seus “vovós” e com a ajuda dos restantes voluntários da marca, quer apostar em actividades que envolvam os idosos na vida da vila e, ao mesmo tempo, sejam uma forma de unir gerações que acredita estarem a perder a ligação.

“[Cuidar de idosos] é algo que já não se faz tanto. Com a ‘Be Yourself’ quero mostrar a outros jovens que também nós vamos chegar a esta idade e é bom termos alguém que puxe por nós, nos tire de casa e leve à rua”, diz Gonçalo.

 

Aumentar a auto-estima para garantir uma vida recompensadora

De corpo esguio e olhar fixo, Manuel Ferreira, de 89 anos, diverte-se a participar nos jogos à disposição no Largo da República. Faz pontaria ao conjunto de latas dispostas em pirâmide e só pára quando a bola por si lançada consegue derrubar os obstáculos.

Viúvo há 10 anos, o octogenário encontra no Centro Social da Trafaria a companhia para os seus dias e não perde uma oportunidade para ser desafiado pelos voluntários a fazer o que mais gosta.

“Sabem que eu gosto de cantar, então pediram-me para vir aqui cantar uns fadinhos e animar o pessoal. Vim com todo o gosto”, admite. “No final, todos batem palmas, é uma alegria”.

 

Valorizar os pontos fortes de cada pessoa é o segredo para aumentar a auto-estima da população envelhecida, algo que quer Sofia Valério como Gonçalo Silvestre consideram fundamental.

“O senhor ‘Manel’ gosta de cantar fado, a Dona Vicência gosta de fazer o arroz-doce”, expõe Gonçalo Silvestre. “Vamos gabá-los por estas pequenas coisas e fazer com que os últimos anos deles sejam recompensadores”.

 

 

 

 

 

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