6 Outubro 2022, Quinta-feira
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Área Metropolitana responsabiliza operadores por problemas da Carris Metropolitana em Setúbal

Administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa diz que está a ser trabalhada uma solução, mas não esquece que os operadores não estão a cumprir os contratos

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A administração da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) admitiu, sábado, a existência de vários constrangimentos no serviço da Carris Metropolitana na Península de Setúbal, justificando-os com o incumprimento dos operadores e com a falta de motoristas.

Os novos autocarros amarelos da Carris Metropolitana começaram a operar em 01 de Junho nos concelhos de Setúbal, Alcochete, Moita, Montijo e Palmela (área 4) e em 01 de Julho nos de Almada, Seixal e Sesimbra (área 3), todos eles no distrito de Setúbal.

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No entanto, desde as primeiras semanas de operação na Península de Setúbal, e até ao momento, foram reportadas várias queixas de passageiros, nomeadamente insuficiência de autocarros, atrasos e falta de sinalização nas paragens.

Segundo o Sindicato dos Motoristas e Outros Trabalhadores, houve também problemas operacionais, com profissionais sem indicações sobre os trajectos a realizar.

Em entrevista à agência Lusa, o administrador da TML, Rui Lopo, reconheceu e lamentou os problemas verificados na operação da Carris Metropolitana nesses municípios, assegurando que “tudo está a ser feito para que os operadores os solucionem”.

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“O nosso balanço não é positivo. Há impacto para as pessoas daquilo que são os incumprimentos dos operadores. Todas as empresas sabiam quantos quilómetros tinham de percorrer e não cumpriram. Tinham de se ter preparado. Tinham a obrigação de entrar com os recursos humanos todos, de entrar com os autocarros todos, de entrar com os recursos tecnológicos todos e nunca disseram que não entravam”, criticou.

No entendimento do administrador da TML, a raiz dos problemas na operação da Carris Metropolitana é a “falta de motoristas”, situação “complicada de resolver em pouco tempo”.

“O maior problema de todos é a ausência de mão-de-obra, que impede a capacidade de resolver os problemas. Se tivéssemos os motoristas necessários não tínhamos os problemas que temos e conseguiríamos resolver os outros. Os outros decorrem do processo que se iniciou em 2017 com a definição das redes”, apontou.

No entanto, Rui Lopo assegurou que está a ser feito um trabalho junto dos operadores para “corrigir linhas e percursos e responder melhor às necessidades dos utentes”.

“Em Almada, por exemplo, estão a fazer-se várias correções para que, no início do início do novo ano escolar, se possa responder melhor. O serviço ficará mais adequado. Isso está a ser visto e revisto por nós”, sublinhou.

No entanto, e apesar de reconhecer o incumprimento dos operadores e de dar razão à insatisfação dos utentes, Rui Lopo ressalvou também que a dimensão da operação “é complexa” e lembrou que se verificou “uma grande alteração” no serviço que era anteriormente prestado.

“A bacia de população que servimos é de quase um milhão de pessoas. São coisas gigantes. Temos de ter noção disso. O que nós temos nos transportes na Área Metropolitana, até aqui, é um raciocínio de especialista. Na margem Sul não havia horários. As pessoas já se esqueceram como era lá atrás. Não tínhamos horários, nem fiscalização”, argumentou.

Ainda a este propósito, o administrador da TML falou do caso concreto da empresa Alsa Todi, que serve os concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal, para relembrar que a operadora teve de enfrentar “diferendos laborais” que “prejudicaram a operação”.

“A Alsa estava, do ponto de vista técnico, em condições para iniciar a operação. É uma empresa com grande capacidade, comprou autocarros praticamente novos. Do ponto de vista do processo, não havia nada que dissesse que a Alsa Todi viria a ter problemas. Teve problemas laborais que contaminaram todo o processo, não tenho dúvidas” sublinhou.

Questionado pela Lusa sobre o início da operação da Carris Metropolitana nas áreas 1 (Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra e 2 (Loures, Odivelas, Mafra e Vila Franca de Xira), prevista para o início de 2023, Rui Lopo disse que, até ao momento, “estão reunidas as condições” para que isso aconteça.

“No início do ano, aparentemente, há condições para prestar o serviço, mas nós só conseguimos dizer isso com toda a certeza no final do mês de Outubro. Esse será o ponto de não retorno, pois é aí que o operador nos confirma a sua disponibilidade”, explicou.

O início da operação da Carris Metropolitana nos concelhos da margem norte do Tejo, no distrito de Lisboa (áreas 1 e 2), foi adiado para 01 de Janeiro de 2023 por não estarem “garantidas as condições consideradas essenciais”.

Também numa entrevista à Lusa, o primeiro-secretário da Área Metropolitana de Lisboa (AML), Carlos Humberto, afirmou hoje que espera uma “melhoria significativa do serviço da Carris Metropolitana na Península de Setúbal já em Setembro”, não excluindo a possibilidade de rescisão do contrato.

“O objectivo da AML não é multar, nem avançar para a rescisão de contratos, mas garantir uma melhoria global do serviço da Carris Metropolitana, que, acreditamos, poderá começar a verificar-se ainda no mês de Setembro. Mas não deixaremos de agir, jurídica e legalmente, em relação às empresas que não estão a cumprir, porque as situações de incumprimento têm consequências graves para muitos utentes dos transportes públicos”, advertiu Carlos Humberto.

No início do passado mês de Agosto, a Câmara Municipal de Setúbal e as juntas de freguesia do concelho criticaram as sucessivas falhas da Carris Metropolitana e apelaram a uma rápida normalização do serviço, face aos protestos dos munícipes setubalenses – que se mantêm, principalmente nas redes sociais -, devido ao incumprimento de horários e supressão de carreiras, muitas vezes sem aviso prévio.

Em Almada, o Movimento Fartos, 0uma organização cívica que luta por uma melhoria dos transportes públicos, também faz um balanço extremamente negativo do serviço prestado pela Carris Metropolitana nos primeiros dois meses de actividade e lamenta a ausência de resposta por parte dos operadores e da AML.

O serviço da Carris Metropolitana é assegurado na Península de Setúbal pelos operadores Alsa Todi (Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal) e TST (Almada, Seixal e Sesimbra).

A Carris Metropolitana é a marca comum sob a qual vão funcionar as operações de transporte público rodoviário na AML, gerindo as redes municipais de 15 dos 18 municípios (Barreiro, Cascais e Lisboa mantêm as operações locais) e a totalidade da operação intermunicipal dos 18 concelhos.

Para tal foi criada a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa, detida a 100% pela entidade intermunicipal.

A área 1 inclui Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra; a área 2 Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira; a área 3 Almada, Seixal e Sesimbra; e a área 4 Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal.

 

FAC (GR/GC/RCP) / Lusa

 

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