19 Agosto 2022, Sexta-feira
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Lucília Ferra: “É meu dever candidatar-me ao PSD/Montijo”

A social-democrata entra na corrida pela concelhia laranja. Diz ter sido encorajada por militantes “preocupados com o descrédito” da estrutura local

 

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A antiga líder da concelhia do PSD — que foi vereadora no Montijo durante dois mandatos, líder da distrital de Setúbal do partido e deputada à Assembleia da República em duas legislaturas — quer voltar a arrumar a casa laranja para destronar o PS do poder no concelho montijense.

Ao assumir que vai a votos, Lucília Ferra deixa implícitas duras críticas à liderança de João Afonso, que já assumiu a recandidatura à concelhia e à Câmara. “O Montijo precisa de uma liderança agregadora, ambiciosa, sem ser populista nem oportunista”, atira. E não descarta voltar a candidatar-se à presidência da Câmara, até porque “não há decisões irrevogáveis nem intervenções superiores”, lembra, numa alusão a Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa.

Foi vereadora e presidente da secção do Montijo da Comissão Política do PSD, além de deputada, e depois fez uma pausa na política activa (quase duas décadas). Regressou agora como mandatária da candidatura de Jorge Moreira da Silva à liderança do PSD. Porquê?

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Aquando das eleições para a presidência do partido, o Jorge Moreira da Silva – pelas suas ideias, pelo seu projecto, pela sua dedicação à causa pública – deu-me garantias de liderar o Partido Social Democrata [PSD] com coragem e determinação. Não se tratou de um apoio contra ninguém, mas sim a favor de uma liderança para o partido e de um projecto alternativo à governação socialista do País. Hoje essa questão está ultrapassada! Temos um presidente eleito [Luís Montenegro] e todos, entre os quais me incluo, sem qualquer reserva, com ele vamos trabalhar para construir um País melhor.

O PSD vai a eleições para as distritais e as concelhias em 1 de Outubro próximo. É verdade que vai candidatar-se à presidência da secção do Montijo?

Depois de reflectir e encorajada por muitos militantes de base que consultei, preocupados com o descrédito do PSD/Montijo que conduziu à falta de confiança dos montijenses no partido, entendi ser meu dever candidatar-me. O Montijo precisa de uma liderança agregadora, ambiciosa, sem ser populista nem oportunista. O PSD tem de ter a capacidade de ouvir todos, atrair competências e escolher quadros qualificados. Só assim poderá fazer uma oposição respeitada, sólida e construtiva, apresentando um projecto alternativo aos montijenses. Não basta denunciar o que está mal, importa apresentar caminhos alternativos. As pessoas estão cansadas de diagnósticos, querem soluções. E é nisso que vamos trabalhar.

O Montijo precisa de uma liderança agregadora, ambiciosa, sem ser populista nem oportunista

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Após mais de 25 anos de governo autárquico do PS, está demonstrado, à exaustão, que a nossa terra, por incapacidade das gestões socialistas, parou no tempo. Nem os fundos estruturais, nem os planos de recuperação, nem a proximidade ao Governo, também ele do PS, foram suficientes para relançar a nossa economia local, desenvolver a terra e oferecer qualidade de vida às populações. Houve e tem havido disponibilidade financeira, mas não há capacidade da gestão PS de projectar e executar. É evidente a perda de identidade e de atractividade do Montijo. Vamos contrariar este ciclo do poder PS, de estagnação, de acomodação, de atraso e apresentar alternativas, estudadas, quantificadas e exequíveis, permitindo assim aos montijenses escolher.

Essa decisão não contraria o discurso de Jorge Moreira da Silva, no último congresso do partido, onde avançou que a sua base de apoio afinaria pela unidade e não por disputas internas? Isto tendo em conta que nesse mesmo congresso foi aprovada uma moção a apoiar a recandidatura de João Afonso à Câmara do Montijo e a enaltecer o resultado obtido nas últimas autárquicas.

Do confronto de ideias saem as melhores lideranças e os melhores projectos. Mal estaria o PSD se os seus militantes estivessem tolhidos de pensar, reflectir e escolher durante mais de três anos. Alinhados com o líder do partido, Luís Montenegro, nas diferentes secções e distritais far-se-ão escolhas e opções, que, sem pôr em causa a unidade na acção política nacional, visarão respostas aos problemas dos portugueses para que voltem a confiar no PSD. Seria inadmissível que o partido ficasse parado. Penso que nenhum militante aceitaria tal limitação e que nenhum montijense compreenderia tal inércia.

o órgão político do PSD/Montijo não está em condições de desenvolver, com competência e credibilidade, as estratégias necessárias para recuperar a confiança dos montijenses

João Afonso é também o presidente da concelhia e vai recandidatar-se ao cargo. A recente demissão de Ilídio Massacote, até então vice-presidente do órgão, tem relação directa ou indirecta com a sua decisão?

Trata-se de um companheiro muito considerado na comunidade, competente não só profissionalmente como em todas as áreas em que intervém, nomeadamente no plano social, sensato, empenhado em contribuir para o melhor dos montijenses e profundamente conhecedor da cidade. É também vereador do PSD há menos de um ano. Por tudo isto, a demissão de Ilídio Massacote preocupou-me, nomeadamente à luz das razões que invocou para tal decisão, na Comunicação Social, fortemente indiciadoras de que o órgão político do PSD/Montijo não está em condições de desenvolver, com competência e credibilidade, as estratégias necessárias para recuperar a confiança dos montijenses no partido.

Se vencer a concelhia, a aposta em João Afonso como cabeça-de-lista à Câmara do Montijo pode cair por terra ou está em condições de garantir que manterá o apoio, indo ao encontro da vontade da distrital caso Paulo Ribeiro venha a ser reeleito neste órgão?

Além das próximas eleições para o PSD/Montijo, haverá ainda, antes das eleições autárquicas, em finais de 2023, novas eleições para a concelhia, daqui a dois anos, e mais um Congresso Nacional do PSD. Três anos em política é uma eternidade. Neste momento importa “arrumar a casa” e trabalhar nas soluções que o Montijo precisa e que os nossos conterrâneos esperam de nós. O PSD [em geral], e o do Montijo [em particular], tem entre os seus militantes excelentes quadros que, motivados por uma liderança corajosa e agregadora, darão o seu melhor, desinteressadamente, em prol da nossa terra. É isso que os militantes do PSD e os dirigentes do partido esperam de todos nós.

Admite voltar a candidatar-se à presidência da Câmara do Montijo?

Não existem nem decisões irrevogáveis nem intervenções superiores [risos], como já todos sabemos. A vida, e por seu turno, a política, são realidades dinâmicas. A seu tempo, que não é o actual, os militantes e os órgãos do partido decidirão.

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