26 Setembro 2022, Segunda-feira
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Motoristas ‘deixam cair’ serviço por considerarem “não ter as condições necessárias para trabalhar”

Profissionais mantiveram os autocarros ontem estacionados por falta de formação para o desempenho das renovadas funções

 

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Os motoristas da Carris Metropolitana interromperam ontem o serviço de transporte rodoviário de passageiros em Setúbal por considerarem não ter “as condições necessárias para trabalhar”, ao desconhecerem “os novos percursos e horários e muita da informação considerada fundamental”.

“O que aconteceu é que nós não temos condições para trabalhar e, por isso, não saímos com os autocarros. Não sabemos os percursos, não tivemos formação e ainda recebemos as chapas [nas quais é descrito o serviço a fazer durante o dia e os intervalos e refeições] em espanhol. Os serviços não estão de maneira que os consigamos perceber”, revelou um funcionário, que preferiu não ser identificado, a O SETUBALENSE.

A falta de formação, justificou, “deveu-se ao facto de a TST [Transportes Sul do Tejo] não ter deixado os motoristas ter formação”. “Estivemos até 31 de Maio a trabalhar para a TST, que nunca deixou que fôssemos aprender os percursos novos. A 1 de Junho arrancou a Carris Metropolitana, sem que soubéssemos o que estávamos a fazer”, acrescentou.

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A solução, sugeriu, passaria por “colocarem os motoristas a aprender nos serviços em que há horas em que estão parados”. “Agarrem em nós e ponham-nos a fazer as carreiras, para aprendermos os percursos”.

Por parte da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), garantiu o motorista que a empresa se demonstrou “compreensiva e assumiu que houve erros de parte a parte, que tentará resolver”. Para o profissional, um dos principais problemas é o da “alteração dos nomes das ruas nas escalas, que são desconhecidas de muitos”.

“Ontem [domingo] eram 23 horas e ainda não tínhamos a escala, para o serviço arrancar hoje [segunda-feira] às 04 horas. Sou sincero, com mais de 20 anos de serviço, não estou a entender nada”, confessou.

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Ao seu lado, um colega de profissão rapidamente identificou uma outra lacuna. “Na Praça do Brasil, no novo terminal, a Câmara de Setúbal recusa-se a colocar informações nas pistas. Como passageiro, entre oito pistas, não está lá nada que identifique os destinos”, descreveu. Este é um dos motivos que leva “a atrasos nas carreiras”.

“As pessoas perguntam a quem? Ou na bilheteira ou aos motoristas. Só que nós só temos cinco minutos entre carreiras e temos de sair. E quando chego ao destino, depois do atraso inicial, as pessoas dizem-nos que chegámos tarde”.

“Nós queremos trabalhar, mas só que nestas condições não. Queremos formação. Queremos mais organização. Outra das alterações é a hora do almoço. Se por exemplo acabar a carreira em Brejos do Assa [Palmela] sou agora obrigado a almoçar lá”, disse o primeiro motorista.

Sobre o dia de hoje, adiantou que “possivelmente os motoristas vão sair com as chapas antigas”. Segundo informação que recolheu junto de colegas, “a TML tenciona dar 15 dias, período em que o serviço vai continuar o antigo, para dar formação aos trabalhadores”.

Contactada por O SETUBALENSE, a TST garante ter “cumprido os requisitos estabelecidos contratualmente, tendo sido uma parte facilitadora em todo o processo, nomeadamente com todos os seus trabalhadores, autoridade e com a operadora Alsa Todi”.

Além disso, a empresa assegura que “se manteve empenhada em prestar os serviços de mobilidade às populações até 31 de Maio, consciente do desafio que a operação Carris Metropolitana representa”, ao “disponibilizar os trabalhadores que fariam parte da área 4 para que pudessem ter as acções de formação solicitadas pela Alsa Todi”.

Pressão e ofensas de passageiros levam a desmaio de motorista

A “pressão” colocada pelos passageiros nos motoristas acabou ontem por levar “ao desmaio de uma profissional”, que se viu obrigada a parar o serviço “devido a ofensas”.

“Uma colega ainda foi fazer o serviço ontem e acabou por desmaiar porque ficou extremamente nervosa com ofensas verbais. Nós sabemos que as pessoas não têm culpa, mas quando num dia só aparece um autocarro, quem o vai a conduzir é que ouve”.

Por este motivo, consideram os motoristas que “se calhar foi preferível não se ter saído ontem”.

Município de Setúbal Preocupação com incumprimento de horários e lotação dos autocarros

A Câmara Municipal de Setúbal assegura ter manifestado junto da TML “as suas preocupações com os problemas surgidos” no serviço de transporte rodoviário de passageiros, “em particular no que diz respeito ao incumprimento de horários e lotações dos autocarros”.

“Perante as dificuldades sentidas nos primeiros dias de operação da Carris Metropolitana no concelho”, o município revela ter apelado “à entidade para que transmita à Alsa Todi as preocupações e a necessidade de desenvolver os imprescindíveis esforços para normalizar a operacionalidade dos transportes públicos rodoviários no concelho”.

“Trata-se da maior mudança alguma vez operada num só dia nos serviços de transportes e que, logo que sejam sanados os problemas, oferecerá aos utentes de transportes públicos mais qualidade de serviço em várias vertentes”, garante a edilidade em comunicado.

TML Falhas no serviço motivadas por “questões entre a operadora Alsa Todi e os trabalhadores”

A TML garantiu ontem que “algumas das falhas de serviço” sentidas nos concelhos onde a Carris Metropolitana entrou em funcionamento a 1 de Junho “se devem a questões laborais entre a Alsa Todi e os seus trabalhadores”.

Em comunicado, a TML revelou que “a operação nos municípios da área 4 é assegurada pela Alsa Todi, que assumiu contratualmente um nível de serviço que ainda não conseguiu atingir, nomeadamente no que diz respeito ao cumprimento de horários e disponibilização de informação ao público”.

Por este motivo, estão já a ser “desenvolvidos todos os esforços para garantir que a operação da Carris Metropolitana seja realizada nos termos contratuais definidos, com vista à rápida e completa resolução das actuais situações de incumprimento”.

“É expectativa da TML que a partir de hoje a operação da área 4 possa retomar o seu funcionamento, efectuando os horários praticados pelo operador anterior”.

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