19 Maio 2022, Quinta-feira
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Peixeiros e restaurantes prejudicados na Semana Santa com greve da Docapesca

Comerciantes dos mercados do Rio Azul e Livramento tiveram de encomendar peixe de Espanha. Restauração recorreu a grandes superfícies

A Sexta-Feira é, por norma, um dos melhores dias para se vender peixe, quer seja para as tradicionais refeições de família ou porque a crença religiosa leva a que parte da população opte por não comer carne.

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Na chamada Semana da Páscoa, a grande azáfama que se faz sentir faz com que as bancas de peixe da cidade de Setúbal, assim os restaurantes, estejam preparados e munidos das mais variadas espécies. No entanto, este ano foi diferente.

Com os trabalhadores da Docapesca a decidirem avançar com três dias de greve, cumpridos entre 13 e 15 de Abril, a lota de Setúbal foi obrigada a encerrar, o que acabou por provocar “um enorme prejuízo” aos peixeiros e restauração da zona.

É disso exemplo Andreia Salvado. Com uma banca no Mercado do Rio Azul, diz ter recorrido “a peixe de Espanha” para conseguir “vender alguma coisa” na passada quinta-feira. Agora, só deve “voltar a trabalhar terça-feira [amanhã], se houver”.

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“Claro que sentimos prejuízo. Logo na Semana Santa é que eles decidiram fazer greve. É uma semana em que se come muito peixe e em que há muita procura”, confessa. Apesar de não saber “estimar o prejuízo destes dias”, explica que “as próprias vendas têm estado fracas”.

“Estamos a apanhar uma altura má, derivado também da guerra [na Ucrânia] e de outros factores. Tenho sofrido muito nos meses de Março e Abril e esta seria uma semana em que as pessoas procuram muito peixe e dão o dinheiro que lhes for possível. Foi muito mal escolhido”, considera.

Na banca em frente encontra-se Gilberta Campeão, que diz não concordar com a data escolhida. “É uma péssima altura, mas eles já a escolheram porque sabem que nos dói mais. Além de não haver peixe, o que há também é muito fraco, além de que o negócio também já anda fraco”, acrescenta. No seu caso, para conseguir vender algumas espécies na passada quinta-feira, teve de as comprar na segunda e terça-feira.

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No entanto, “a quantidade que chegou foi muito fraca”. “Esta semana era uma semana em que não parávamos. Vendia tudo o que tinha na bancada. Agora não, mas também não digo que seja só culpa da greve, mas é derivado de tudo o que tem vindo a acontecer”, justifica.

Peixeiros do Livramento dizem que data foi estratégica

Também no Mercado do Livramento a paralisação dos trabalhadores da Docapesca fez-se sentir entre os comerciantes de peixe. No caso de Sandra Gonçalves, a peixeira garante concordar “que eles [funcionários da Docapesca] reclamem pelos seus direitos, até porque se calhar não conseguiriam reivindicar o que pretendem noutras alturas”.

No entanto, devido à grave acabou por não conseguir ir trabalhar “nem na sexta-feira nem no sábado”. “Agora só venho em princípio terça-feira [amanhã], que é quando volta a haver peixe na lota. Vou estar estes dias parada, em que não se ganha nada”, lamenta.

A acrescentar a este factor, diz que o que também pode “vir a afectar o mercado são os parquímetros a ser instalados na zona”. “As pessoas vão ter de pagar para vir e não estão para fazer isso. As coisas já são caras e ainda têm de pagar estacionamento. Vai ser um bocado difícil”, revela.

Já para António Silva, o que acabou por prejudicar a venda de peixe na altura da Páscoa “foram as notícias”. “As pessoas vêem na televisão que a Docapesca está fechada e deixam de vir ao mercado. Pensam logo à partida que já não há peixe”.

Sobre a altura escolhida para a realização da greve, comenta o comerciante que “foi por estratégia, para ter mais impacto”. Assim, decidiu antecipar-se e comprou “peixe dois dias antes da paralisação começar”.

“Veio de Espanha, apesar de com menos qualidade. Para estes dias não consegui foi ter a quantidade e a variedade que costumo ter”. No lado oposto da praça setubalense, Nuno Henriques tem opinião contrária.

A trabalhar com carapaus e “algumas espécies mais miúdas”, afirma: “Não acho que a greve faça nada de especial, até porque a Docapesca não tem todo o tipo de peixe. Não é como dizem, que se não há Docapesca não há peixe fresco. É mentira porque actualmente o peixe vem de todo o lado”.

Até porque “há também muito peixe de viveiro, infelizmente, porque é sinal de que o mar já não consegue alimentar todos”. “Por isso peixe fresco há sempre, faltam é algumas variedades, que são as que se vendem na lota, basicamente”, descreve.

Com a banca já praticamente vazia, Ana Coelho diz não concordar, revelando que a greve prejudicou os peixeiros “em mais de 80%”. “Eu nesta altura tinha tudo cheio de caixas de peixe. Este ano não tenho nada em cima da pedra. Isto é muito ruim para nós. Costumava vender mais de 200 quilos de tamboril, esta semana só comprei 100. Safios vendia mais de dez entre quinta e sexta-feira e este ano não tive nenhum. Prejudicaram-nos muito”.

Durante esta semana, prevê que acontecerá o oposto. “Haverá peixe com fartura e poucos clientes”.

Greve trocou ‘as voltas’ à restauração da cidade Na parte da restauração, a greve trocou também as voltas a Hugo Trindade, responsável pela Pancada do Mar, e a Diogo Marques, dono da casa O Ramila.

No primeiro estabelecimento, o impacto foi sentido na quarta e quinta- -feira, uma vez que trabalha com a Docapesca “em 50% e os restantes 50% com um cliente da cidade”. “É fácil de ver o prejuízo. Ontem [quarta-feira] trabalhámos bem menos dos 50% e hoje [quinta-feira] não vamos trabalhar nada porque a lota está fechada. As sardinhas, por exemplo, tive de comprar numa superfície comercial”, esclarece.

No fim-de-semana, por sua vez, “já não prejudica”. “Com o feriado de sexta-feira a lota também não estaria aberta, e ao sábado e domingo também não há mercado. Mesmo assim tive a sorte de não ter sido tão prejudicado porque tenho os armazéns aqui que posso pedir emprestado e ando a comprar dourada de viveiro para poder trabalhar. Agora tenho aqui clientes que têm bancas e a quem lhes ‘cortaram as mãos’”.

Em seguida, comentou: “Não vivemos tempos fáceis. Março foi muito difícil. Quase ninguém vinha buscar peixe. Agora tinham aqui uma boa semana para compensar os prejuízos. Não podemos pensar só na nossa barriga”.

Já n’O Ramila, Diogo Marques refere ter sentido “impacto na oferta que a Docapesca tem para dar, por ser muito reduzida”. “No fim-de-semana há muita procura e pouca diversidade para oferecer. Tivemos de procurar mercados alternativos para suprir esta falha”.

Além disso, lamentou o “aumento de preço de alguns peixes”. “A partir do momento em que há menos oferta no mercado, o preço sobe automaticamente, e é o suficiente para nós sentirmos”, salientou, a concluir.

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