27 Maio 2022, Sexta-feira
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Estacionamento pago começa hoje a dar ‘dor de cabeça’ a residentes e comerciantes de Setúbal

Setubalenses receiam que novos lugares tarifados prejudiquem negócios, quer a título pessoal quer ao nível dos clientes

 

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Os olhares são maioritariamente de desconfiança e de alguma intriga. Os comentários, em tom de sussurro, deixam trespassar o desagrado que parte dos setubalenses, quer a título pessoal ou enquanto comerciantes, sentem perante os parquímetros que têm vindo a ser ‘plantados’ na cidade e que começam hoje, de forma gradual, a funcionar.

“Acho que vai prejudicar o negócio”, desabafou Deolinda Balseiro por diversas vezes na passada sexta-feira, enquanto abanava a cabeça em jeito reprovador. Referindo-se ao Café Tiagos, onde é funcionária, situado junto ao Tribunal Judicial de Setúbal, explica não saber como é que “muitas das raparigas, que moram, por exemplo, em Pinhal Novo, vão conseguir pagar o balúrdio que pedem em Setúbal”.

“Nós somos muitos. Eu ainda consigo vir a pé porque moro em frente ao Liceu de Setúbal, mas nem sempre consigo”, afirma, antevendo que “no Inverno será mais complicado”. Apontando para a rua, diz compreender que “o estacionamento passe a ser pago no Parque do Tribunal”. “Só que não é só o parque, que já estávamos à espera. É a cidade toda. Não temos hipótese de pôr o carro sem ter de pagar”, refere.

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No momento em que entra um cliente no espaço, dispara: “Até para os clientes acho que vai prejudicar. Temos aqui pessoas que trabalham em Tróia e que têm de pôr o carro às 06 horas e só regressam depois das 16 horas. Isto assim vai ser muito complicado”.

Um factor que diz não jogar também em seu favor é a “rede de transportes muitas vezes não chegar à zona”. “Não estou de acordo e nós vamos reclamar. É incompreensível para quem trabalha e para quem mora. As pessoas não vão aguentar”, sublinha.

Na mesma rua, na porta imediatamente ao lado, encontram-se várias funcionárias da Clínica Tiagos, mas apenas Marta Garcia pretende expressar a sua opinião sobre os novos parquímetros. “É principalmente prejudicial para as colegas que vêm de longe, que já estiveram a fazer uma estimativa de valores e ao fim do mês dá mais de 130 euros”, revela.

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No seu caso, como reside em Setúbal, a alternativa “passa por apanhar o autocarro ou deixar o carro um bocadinho mais longe”. “Mas tenho colegas que vêm da Quinta do Anjo e da Moita, que já gastam dinheiro nos combustíveis, como é que ainda vão pagar o estacionamento?”, questiona.

“Chateada” é a expressão que utiliza para descrever o que sente, até porque “em termos de clientes também pode prejudicar o negócio, mas é já mais relativo”. “É um bocado dúbio porque poderá prejudicar, porque há pessoas que têm de vir todos os dias, como poderá ser ligeiramente benéfico por haver mais estacionamento”, avalia.

Avenida 5 de Outubro é zona complicada para se estacionar

No caso da Avenida 5 de Outubro, uma das mais movimentadas da cidade, considera Hélder José, que explora o espaço dos Jogos Santa Casa, que “com os parquímetros o estacionamento vai continuar a ser o mesmo”. “Aqui é raro haver estacionamento. Penso que ficará igual porque é uma zona complicada”, explica, para em seguida acrescentar: “Quem aqui tiver o carro, se sair já não arranja lugar”.

Apoiado no balcão enquanto olha para um cliente, que tenta descobrir se a raspadinha que comprou tem prémio, comenta que “prejudicar o negócio prejudica, mas se não houver parquímetros é a mesma coisa”. “Isto porque há outras questões, outros factores, para além deste”, diz, sem se querer alongar no assunto.

“O problema que tem é o preço. Deveria de ser mais barato”, confidencia, revelando que optou “pelo dístico porque assim teve de ser”. “Não tinha outra hipótese. Não há nada a fazer. Daqui para a frente haverá cada vez mais carros e não haverá solução a não ser existirem mais parquímetros e o preço ser cada vez mais caro, mas não concordo nada”, revelou.

À porta do estabelecimento encontra-se Henrique Manuel Coelho, à espera para ser atendido. Depois de escutar a conversa, e dizer também “não concordar nada” com os parquímetros, explica: “Tenho um estabelecimento aqui perto e tenho de deixar o carro perto do Hospital [de São Bernardo] porque nunca há onde estacionar aqui”.

Já de saída do espaço dos Jogos Santa Casa, estica o braço e aponta. “O meu café, A Muralha, fica ali. Não posso meter o carro e ficar o dia inteiro a pagar. Isto não é justo. Deveriam de dar oportunidade aos comerciantes da baixa para terem o carro”.

No seu caso, o problema não passa pelo valor a pagar, mas sim “pela falta de estacionamento na zona”. “Deveriam de ter um espaço preparado para os comerciantes. Agora, pago esplanada, pago o estabelecimento e ainda vou pagar o estacionamento, sem que me garantam que tenho condições para meter o carro?”, pergunta, enquanto começa a caminhar.

Município reconhece que processo “não tem sido fácil”

Os parquímetros começaram a ser instalados na cidade a 28 de Março pela empresa concessionária, a DataRede. A acompanhar o processo tem estado Rita Carvalho, vereadora da Mobilidade na Câmara Municipal de Setúbal, que explica ter conhecimento de que o mesmo “não tem sido completamente fácil”.

“Tem-nos chegado retorno de algum desagrado, como algum agrado de moradores e comerciantes. Como tudo não há soluções consensuais”, referiu. Apesar do desagrado apresentado, garante que “a medida é efectivamente aquilo que a autarquia defende”.

“Tem de haver uma regulação sobre as condições e a forma de estacionamento automóvel, em que nomeadamente nas vias principais têm de ser criadas medidas de controlo e rotatividade, até para dar resposta àquilo que são as necessidades das áreas comerciais ou outro tipo de actividades”, salientou.

Sobre as consequências da medida na “utilização do transporte privado”, garante a autarca que é “inevitável tomar esta acção”. “O comprovativo disso é que todas as cidades têm criado zonas de estacionamento tarifado para regular as condições de estacionamento e de utilização de transporte individual nos centros urbanos”.

No que diz respeito aos dísticos, assegurou ter conhecimento de que “tem havido um número elevado de pedidos”. “Sabemos que é uma medida que traz alterações às rotinas e à vida de cada um, mas também sabemos que as cidades têm de ter medidas que criem um melhor ambiente urbano, do ponto de vista do ambiente, mas também da imagem urbana e da qualificação para quem circula a pé”, afirmou, a concluir.

Tarifários Valores diferem consoante as zonas

Nos próximos 40 anos, será a empresa madeirense DataRede a ‘mandar’ no estacionamento em Setúbal. Significa isto que a concessão abrange os 1 487 lugares tarifados existentes até à data, aos quais acresce uma expansão de 6 813 novos lugares de estacionamento tarifado.

No entanto, o valor a pagar difere consoante as zonas da cidade, estando estas repartidas por vermelha, azul e amarela. “As zonas vermelhas são as zonas onde se prevê uma maior rotatividade, pelo que têm o tarifário mais elevado.

As zonas azuis têm o tarifário intermédio e as amarelas são áreas de baixa rotação”, explica Rita Carvalho, vereadora da Mobilidade na Câmara Municipal sadina.

Já Luís Sousa, presidente do conselho de administração da DataRede, garante que “o processo tem corrido muito bem, sobretudo para os residentes e comerciantes que passam a ter maior disponibilidade de estacionamento, aumentando a sua mobilidade”.

Os parquímetros começam hoje a funcionar nas ruas do Regimento de Infantaria n.º 11, Engenheiro Ferreira da Cunha, Cláudio Lagrange, dos Trabalhadores do Mar, da Doca, do Clube Naval, Henrique Lopes Mendonça, João de Deus, Guilherme Gomes Fernandes, do Gaz, Praia da Saúde, Faustino José Santana, 1.º de Maio, Ocidental do Marcado e Teotónio Banha.

O estacionamento passa também hoje a ser pago no Parque do Tribunal, no Largo José Afonso, incluindo junto à Pousada da Juventude, na Praceta Jornal A Indústria e nas avenidas Alexandre Herculano, Jaime Rebelo, José Mourinho e Baía de Setúbal.

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