16 Maio 2022, Segunda-feira
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Bruno Nunes: “Setúbal teve sempre uma direita fofinha”

Candidato diz que é possível eleger três deputados, num distrito onde “o PSD tem sido um PS dois”

 

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Consultor e administrador de empresas, residente em Sesimbra, o cabeça-de-lista do Chega é vereador em Loures. Bruno Nunes tem 45 anos, é coordenador autárquico do partido e mostra-se confiante na eleição de tantos deputados quantos o PSD elegeu em 2019. Diz que a direita na região tem tido medo de ir à rua e oferecido o palco à esquerda.

Por que razão foi escolhido para cabeça-de-lista? Tem a ver com ser próximo do líder do partido?

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Teria de ser o André Ventura a responder, mas, de qualquer forma eu sou próximo do líder como, acredito, 94% daqueles que são militantes do partido, porque todos eles votaram na reeleição do André Ventura, é uma decisão exclusiva dele. A minha escolha passou por uma série de critérios que só ele pode definir. Acredito que o facto de eu residir no distrito há mais de dez anos, e conhecer boa parte, foi um dos motivos. É uma posição de confiança. Nós acreditamos, piamente, que vamos eleger representantes deste circuito eleitoral, o que é uma grande responsabilidade e é com elevado sentido de responsabilidade e com uma honra enorme que aceitei, de imediato, o convite quando me foi proposto pelo André.

Ventura escolheu uma pessoa que não é da estrutura distrital, isso significa que não haveria pessoas com igual capacidade e notoriedade?

Estou há 25 anos na política e, talvez, essa experiência tenha sido decisiva. A capacidade de combate político, em que me revejo e não tenho falsa modéstia com isso, e a capacidade que tenho demonstrado e o trabalho que tenho desenvolvido em prol do partido, quer enquanto vereador, quer enquanto deputado municipal. Obviamente que existiriam dezenas de opções na estrutura local e na estrutura nacional. Não temos que, obrigatoriamente, escolher aqueles que estão no distrito para candidatos a nível nacional, porque, caso contrário, o André Ventura, que não é presidente de nenhuma distrital, não estaria em nenhuma lista. Portanto, não poderia ser esse o factor decisivo para tomar uma decisão para a Assembleia da República.

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Essa escolha não causa mal-estar na estrutura distrital nem quebra a motivação das pessoas?

Pelo contrário. Tenho um apoio incontestável por parte do Luís Maurício, o presidente da distrital e meu mandatário que, para além disso, é uma pessoa de extrema confiança por parte de André Ventura. O André tem uma grande confiança, e existem demonstrações de grande lealdade por parte do Luís Maurício. E, portanto, o Luís acompanha-me desde o primeiro dia, sei que recebeu com agrado a notícia. Está ao meu lado a 100%, assim como eu estou ao lado dele.

E as bases também?

Não vou ser hipócrita e dizer que 100% dos militantes ficaram satisfeitos. Aqueles que poderiam ser, eventualmente, candidatos, se calhar, ficaram mais desgostosos com a possibilidade de ter sido eu, mas esse processo também nasceu e morreu muito rápido. Quem estava mais desgastado acabou por, neste momento, aceitar e todas as estruturas nos deram apoio e estamos convictos que temos a base do partido também connosco aqui em Setúbal.

Na propaganda que já tem rua, o Chega diz que vai “fazer tremer o sistema”. Isso quer dizer o quê exactamente?

O Chega faz tremer o sistema desde que chegámos. Concorremos aqui a Setúbal com uma candidatura legislativa de uma forma diferente de quando começámos há dois anos. Temos outra visibilidade, temos já segundas linhas apresentadas. E o “fazer tremer o sistema” é claro. É um sistema implantado com corrupção, com inactividade de propostas e de desenvolvimento. Vivemos no distrito durante 47 anos numa política muito de esquerda, uma alternância entre PS e PCP em grande parte dos municípios, que acabou por ditar um atraso significativo no desenvolvimento local. Queremos tremer com o sistema porque sabemos que existem problemas sérios a nível da saúde; começando no Hospital de Santiago do Cacém, vindo até ao Hospital Garcia da Orta, continuamos a ter um Hospital do Montijo que parece um centro de saúde, continuamos a ter o problema do Hospital do Seixal. Temos aqui uma série de problemas infra-estruturais ao nível da saúde, pelo que este sistema tem que abanar. Na questão da segurança, a mesma coisa.

Hoje mesmo [18 de Dezembro] saiu uma sondagem que indica que a maioria dos inquiridos tem receio de uma solução de governo em que o Chega seja parte. Como vê esses receios?

Os receios são dos poderes instalados. Porque a questão de que nos acusam é de termos apenas um líder que é o grande rosto do partido, mas nós não temos culpa, tal como o Fernando Santos não tem culpa de ter Ronaldo. Quando temos o Ronaldo da política, não podemos ter receio de dizer que temos aquele que consideramos o melhor político português, depois do falecimento de Sá Carneiro. O partido tem esta visão e, se nos diz que existe gente de fora que tem medo, têm medo de quê? Têm medo de mexer naquilo no estatuto dos políticos e, por outro lado, por tradição, nos portugueses há um elevado receio e uma enorme resistência à mudança. E isto leva à oscilação entre governos PS e PSD. É medo de arriscar.

Em 2019, a direita elegeu, no distrito, apenas três deputados. E agora o Chega fixou como fasquia eleger quatro deputados. Acha viável?

Acho que é possível chegar aos três. Até porque a direita não elegeu no Distrito de Setúbal, porque não existe direita no Distrito de Setúbal. O PSD tem sido um PS dois.

Se não há aqui uma tradição de eleição por parte da direita, como é que o Chega vai eleger três?

Porque até hoje não existia uma alternativa como nós acreditamos que somos. Ou seja, as pessoas não se reviam nas alternativas, não conhecem nem sabem que são dos deputados que representam o Distrito de Setúbal. Existe um grande afastamento dos pseudopartidos de direita da ligação à população. Se for eleito deputado, como acredito que serei, uma das coisas que faço questão de ter é um gabinete aberto na capital de distrito para que o cidadão possa, pelo menos uma vez por semana, ter contacto directo comigo. E isso nunca aconteceu. Não existe essa proximidade. A direita aqui, como diz o nosso líder, foi sempre uma direita fofinha e que vai deixando que a esquerda vá aproveitando alguma guetização de algumas zonas – felizmente já existem zonas no distrito que já não estão nesse registo -, para tentar criar alguns problemas sociais e manter aquela lógica de aproximação da esquerda. A direita que, até hoje, existiu como alternativa no Distrito de Setúbal, tem medo de ir à rua e do contacto com a população e nós não somos essa direita.

E que outras ideias tem o Chega para o distrito, nesta campanha?

Temos que olhar para este território não apenas como a Margem Sul, porque esta conotação sempre teve um princípio de quase guetização e de desprezo por. Temos que olhar para o distrito com a capacidade económica que tem. Se começarmos por Almada, a Costa da Caparica, por exemplo, é uma praia a meia-dúzia de quilómetros de Lisboa, como não existe em mais nenhuma capital europeia. Há um desinvestimento total na área do turismo, nós não conseguimos vender a Costa da Caparica como vendemos o Algarve. Podemos depois ir para a Comporta, entramos num posicionamento que já não é típico para o português comum, mas existem algumas ligações. Temos uma zona de costa brilhante e tem de existir, claramente, uma visão diferente por parte do governo na futura legislatura. A situação da NUT II tem de ser resolvida, não adianta agora virmos pela décima quinta vez dizer que vamos resolver este assunto. Continuam a ser promessas adiadas.

O que propõe? Que seja criada uma NUT II e III para Setúbal?

A Península de Setúbal tem de ter uma NUT II, ponto final e parágrafo. A NUT II tem de ser o primeiro passo para criar capacidade económica, através dos fundos, a nova nomenclatura traz outra capacidade de investimento. As empresas que estão colocadas neste lado perdem com uma falta de visão por parte do governo, e isto gera desemprego. Nós temos um problema aqui no centro de Setúbal, o desemprego jovem brutal. Quando falamos da Margem Sul, a única coisa que os governos socialistas levantam como bandeira é fantástica e maravilhosa Autoeuropa. Mas o tecido empresarial da margem sul é apenas preso na Autoeuropa, existe muito mais por fazer aqui. E continuamos a ter problemas gravíssimos na área da saúde. É inaceitável que o Distrito de Setúbal, com umas densidade populacional e extensão territorial destas, esteja condenado a ter um elefante branco no meio do Alentejo, que é o Hospital de Santiago do Cacém. Este hospital foi criado numa perspectiva megalómana, em 2004, quando se faz o Euro, e é conhecido entre a comunidade médica como o “hospital de um médico só”, ou seja, só existe um médico para neurologia, um médico para pediatria, etc. Isto é surreal. Deixamos sempre esta margem numa lógica de subserviência a Lisboa, sem necessidade.

E relativamente à regionalização, que tem relação com as NUTS, qual é o pensamento do Chega?

Somos contra a regionalização. Pelo menos da forma como está estruturada que não é, mais nem menos, que pegar na macro-estrutura do governo, digamos assim, e subdividi-la para criar mais tachos e tachinhos, amigos e amiguismos. Temos uma visão muito mais ligada ao princípio do municipalismo do que à regionalização. E repare que, o municipalismo foi um valor, ou uma bandeira, que os tais partidos ditos de direita foram deixando cair ao longo destes anos, e que o Chega tanto honra a memória que vem de trás. Não podemos olhar para uma região em que Santiago do Cacém ou Sines têm as mesmas tradições e mesmo cultura da Moita, Montijo e Alcochete. Estamos a falar de zonas completamente díspares. Não podemos meter dentro do mesmo saco aquilo que não dá para meter, porque vamos criar um saco de gatos. Existe um princípio de preservação daquelas que são as culturas e tradições da terra, Setúbal tem uma tradição, Sesimbra tem outra, e nós não podemos continuar a misturar isto tudo.

O Chega já disse, nesta pré-campanha, que quer “colocar Setúbal na rota do investimento em infra-estruturas. Como é que pretendem fazer isso e de que infra-estruturas é que está a falar?

O Porto de Sines que, felizmente, passou à próxima fase do PRR e pode transformar-se na maior plataforma logística de entrada na Europa, do lado do mercado americano. Isto vai criar uma série de postos de emprego, mas não adianta continuarmos a gerir isto como temos gerido até aqui. Não lhe vou dizer que está tudo pensado, porque têm de ser envolvidas aquelas as forças vivas dos concelhos e do distrito. As câmaras municipais não podem continuar a trabalhar como feudos, desprendidos uns dos outros, em que o facto de termos uma câmara municipal comunista ao lado de uma socialista vai impedir que existam acordos inter-municipais de desenvolvimento entre as duas áreas. Esta área vai ter de ser repensada de forma séria. Nós temos uma zona costeira brutal.

E que outras infra-estruturas? O Aeroporto deve ser construído? Em Alcochete ou no Montijo?

O Aeroporto tem sido tratado como uma brincadeira. Temos estudos, em que têm sido gastos milhares ou milhões de euros e não saímos disto, porque não é tratado de uma forma séria. Se fossemos honestos e a não ter medo das palavras, sabemos que a solução passa muito por Beja. Agora, nós não podemos permitir que o Distrito de Setúbal perca esta oportunidade. E que esta perda de oportunidade seja causada por uma ineficácia por parte do governo, porque não estuda isto de uma forma acabada.

Não se percebe então o que está a defender.

Estou a defender que temos de nos sentar, de uma vez por todas, e criar uma equipa multidisciplinar, criar um estudo concreto. Estarmos aqui a atirar para o ar que “pode ser Alcochete só porque eu acho mais bonito” ou ser “o Montijo porque eu acho mais bonito” não tem eficácia.

Sobre a terceira travessia sobre o Tejo? Ou há outra infra-estrutura que queira destacar?

Somos apologistas da terceira travessia sobre o Tejo. Que não vai fugir muito daquilo que se passa com Alcochete. Ou seja, temos um princípio de que esta margem tem de ficar mais ligada à economia nacional, sendo que tem de ficar desprendida num princípio de identidade. Nós temos que ter maior ligação a Lisboa, a nível de vias de comunicação, mas temos que manter uma identidade própria e saber que temos gentes, empresas. Uma coisa que tem faltado muito neste distrito, que é o núcleo principal de toda a sociedade, é a família e o respeito pela família. Não temos tempo, mas bastava falar dos problemas sociais, o problema do estado em que estão as escolas no nosso distrito, em que até a remoção do amianto está muito atrasada. Parece que estamos noutro país, que existe uma franja do país que salta de Lisboa para o Algarve, e que, pelo meio, o distrito fica parado no tempo em determinadas questões. Portanto, a travessia é mais uma que, a par do aeroporto, não pode ser feita com compadrios socialistas. Tem de ser pensada de forma eficaz. Por que não ouvir a população? Por que que não fazer referendos a determinados aspectos?

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