27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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José Ornelas apela a “sentido de Estado” dos políticos para resolverem crise

Bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa avisa que “o momento é delicado”

 

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O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apelou ontem aos agentes políticos para que, perante a actual crise política, “encarem com credibilidade e sentido de Estado os grandes desafios e oportunidades que se encontram no futuro imediato” dos portugueses.

“No nosso país, vivemos tempos de dificuldades, mas também de grande esperança, que exigem, uma vez mais, o empenho e a mobilização de todos. O momento é delicado”, alertou José Ornelas, também bispo de Setúbal, na abertura da 201.ª Assembleia Plenária da CEP, que hoje se iniciou em Fátima e se prolonga até quinta-feira.

Para o presidente da CEP, “depois da rejeição da proposta do Orçamento do Estado, da dissolução anunciada da Assembleia da República e consequente realização de eleições antecipadas, exige-se agora que todos” estejam “à altura”.

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Segundo o bispo, “isto significa tomar decisões certas que tenham por base única e exclusivamente o bem comum, sobretudo numa atenção particular aos mais frágeis e marginalizados e a todos aqueles que por causa da pandemia enfrentam agora tantos problemas sociais e económicos”.

“Por mais que o processo tenha levado muitas pessoas ao cepticismo sobre o panorama político nacional, é fundamental que esta nova etapa da vida do país possa contar com a participação acrescida dos cidadãos, na clarificação do panorama político”, sendo também “urgente que os partidos e todos os intervenientes encarem com credibilidade e sentido de Estado os grandes desafios e oportunidades que se encontram no futuro imediato de todos nós”, disse José Ornelas perante o plenário do episcopado português.

O bispo de Setúbal aproveitou depois para criticar a aprovação, na semana passada, da legislação sobre a eutanásia, tendo em conta o anúncio de dissolução do parlamento.

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“Diante deste quadro político em que o país mergulhou, torna-se ainda mais incompreensível a discussão e aprovação da lei da eutanásia por uma Assembleia da República moribunda”, afirmou o presidente da CEP, acrescentando que “o modo e o momento desta iniciativa parlamentar lançam um ulterior manto de sombra sobre todo o processo desta lei, que não dignifica os últimos dias desta legislatura”.

“A ideologia não se pode sobrepor à defesa intransigente do direito à vida, plasmado na nossa Constituição. As mais altas instâncias do país devem, por isso, pronunciar-se de acordo com as prerrogativas constitucionais de que dispõem”, apelou o prelado, assegurando que “do lado da Igreja fica a garantia de que continuará a fazer tudo para que a dignidade da vida humana seja respeitada sem ser necessário o recurso à morte”.

O Presidente da República convocou eleições legislativas antecipadas para 30 Janeiro de 2022 na sequência do “chumbo” do Orçamento do Estado do próximo ano, no parlamento, em 27 de Outubro.

A perda do apoio parlamentar no Orçamento do Estado de 2022 foi um dos motivos invocados por Marcelo Rebelo de Sousa para justificar a dissolução do parlamento e a antecipação das eleições.

Os bispos católicos portugueses estão reunidos desde hoje em Fátima, com a questão dos abusos no seio da Igreja em cima da mesa, sendo dada como certa a criação de um grupo coordenador nacional para tratar do tema.

O episcopado vai debater também o “itinerário de iniciação à vida cristã com as famílias, crianças e adolescentes”, o sínodo dos bispos que o Papa Francisco abriu em Roma no início de Outubro e a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

Durante os dias de reunião, haverá ainda um período de formação sobre o Livro VI do Código de Direito Canónico, sob a orientação de Juan Ignatio Arrieta, secretário do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos.

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