28 Novembro 2021, Domingo
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Superpolícias da esquadra do Montijo sagram-se campeões europeus de jiu-jitsu

José Peres e João Pavia fizeram brilhar Portugal em Espanha. Ouro desportivo soma a méritos profissionais: um já salvou uma vida humana; o outro efectou detenções fora de serviço

 

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Iniciaram-se na prática de artes marciais com tenra idade. Em comum viriam a ter também o mesmo desejo de proteger e servir, que os uniu profissionalmente. No último fim-de-semana, os superpolícias da esquadra do Montijo José Peres, 30 anos, e João Pavia, 36, sagraram-se campeões europeus de jiu-jitsu brasileiro (BJJ), em Valência, Espanha.

A dupla esteve entre os cinco atletas (ver caixa) que, em representação da Gracie Barra Montijo, subiram ao pódio no “Spain BJJ Tour – Europe Cup”, competição promovida pela Federação Internacional de Jiu Jitsu Desportivo (FIJJD). José Peres alcançou dois primeiros lugares: triunfou na luta com kimono (GI) na categoria Adulto (-100,5 Kg) e venceu ainda na luta sem kimono (NO GI) na categoria Master 1 (-97 Kg). João Pavia conquistou a vitória em Master 2 (-85 Kg) NO GI e o 3.º lugar na mesma categoria (-82,3 Kg) GI. Títulos que valeram aos dois agentes o reconhecimento da Polícia de Segurança Pública (PSP), na página que esta força de autoridade administra na rede social Facebook.

À partida para Espanha, as expectativas dos dois polícias eram diferentes. Pavia – que entrou para a PSP em 2007 – arriscou, depois de ter travado uma outra dura batalha: contra a covid-19. “Hoje a história escreveu-se de outra forma em terras espanholas. Apesar dos muitos obstáculos diários, nos últimos meses decidi colocar-me à prova, mesmo sabendo que as condições físicas e mentais não estavam reunidas para este desafio e mesmo assim parti para a guerra com a nossa bandeira. O resultado foi positivo”, lembrou Pavia no Facebook, após a conquista.

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“Ele passou muito mal. Nem pensava voltar sequer a treinar. Ainda hoje tem sequelas da covid-19”, complementa Peres, que assumiu como meta, desde a primeira hora, um lugar no pódio. “Já eu preparei-me diariamente para o campeonato. Tinha o objectivo de conseguir uma medalha”, confessa o agente que integrou a PSP em 2011 e a esquadra montijense em 2017.

A maior medalha de todas tem o Pavia. Recebeu o Prémio de Segurança Pública, da PSP, por ter salvado a vida de um cidadão

E apesar de ter conseguido melhor do que o companheiro, Peres é peremptório: “A maior medalha de todas tem o Pavia. Recebeu o Prémio de Segurança Pública, da PSP, por ter salvado a vida de um cidadão.” Uma premiação que vale mais do que qualquer um dos vários títulos conquistados, fruto de um episódio que teve final feliz, conforme recorda João Pavia. “Resgatei, de um poste de alta tensão, um homem que tentou enforcar-se. Trouxe-o em braços até terra e, felizmente, ainda consegui reanimá-lo.”

Bombeiro nas horas vagas

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Em termos de acções louváveis fora dos tapetes de competição (leia-se, no desempenho das funções profissionais), José Peres também já foi reconhecido pela PSP. Guarda um diploma de elogio por ter detido, com outros dois colegas, um grupo criminoso em flagrante delito, num momento em que se encontrava fora de serviço.

“Mas esse reconhecimento nada tem a ver com o que Pavia tem”, sublinha, de forma humilde, o agente que até nas horas vagas não deixa de prestar socorro à população. É que, desde 2017, Peres é também bombeiro voluntário na corporação do concelho vizinho de Alcochete, durante “as folgas da PSP”.

“Ser bombeiro voluntário é ter a honra e o privilégio de servir a comunidade. Saber que podemos fazer a diferença na vida de alguém”, justifica. Daí ter sido alvo de felicitação pública por parte da unidade alcochetana no Facebook, face à conquista alcançada em terras de “nuestros hermanos”.

O sucesso desportivo, porém, começou a ser desenhado há muito, quer por Peres quer por Pavia.

“Começámos a praticar artes marciais desde muito cedo. Eu comecei aos 5 anos no judo. Depois segui karaté e jiu-jitsu”, afirma José Peres, que tem integrado regularmente os trabalhos da Selecção Portuguesa de jiu-jitsu tradicional.

Para João Pavia as artes marciais começaram ainda mais cedo. “Iniciei-me no karaté, em Coruche, aos 4 anos, modalidade que treino até hoje. No jiu-jitsu tradicional comecei aos 14 e treinei judo. Aos 20 anos aventurei-me no muay thai. Em 2013 participei num campo de treino em Phuket na Tailândia”, recorda João Pavia, que é treinador de jiu-jitsu tradicional e de Kapap/Krav Maga na escola que detém no Montijo – a Pavia Fight Team, onde Peres estagia também como treinador de jiu-jitsu.

Ambos são cinturões negros de karaté – Pavia tem o 2.° Dan e Peres o 1.° Dan – e têm registado presenças assíduas nos pódios dos campeonatos nacionais de jiu-jitsu tradicional nos últimos anos. Pavia é quem apresenta maior currículo. Além de Campeão Nacional (2018), já foi Campeão Europeu (2019) e vice-campeão de Espanha. E quanto à importância da prática de artes marciais, os dois agentes não deixam de admitir que acaba por constituir uma mais-valia até a nível profissional.

“Tal como qualquer desporto, ajuda a manter a capacidade física e psicológica, de forma a podermos responder o melhor possível às exigências que a profissão tem”, considera José Peres, com João Pavia a anuir: “Ajuda bastante, traz mais tranquilidade e confiança nas abordagens mais exigentes.”

Os dois agentes preparam-se agora para o campeonato nacional de jiu-jitsu, a disputar em Dezembro próximo.

Gracie Barra Montijo coleccionou nove medalhas

Além de José Peres e João Pavia, participaram pela Gracie Barra Montijo na competição europeia de jiu-jitsu brasileiro, em Espanha, mais três atletas, todos eles também medalhados. Cláudio Sturges e André Cruz sagraram-se campeões em luta GI, respectivamente nas categorias Master 2 (-76 Kg) e Adulto (-70 Kg). Tal como José Peres, André Cruz arrebatou ainda uma segunda medalha de ouro ao triunfar também em luta NO GI (sem kimono). E David Feio foi vice-campeão em luta GI na categoria Adulto (+100,5 Kg) e obteve o 3.° lugar na categoria Absoluto.

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