22 Outubro 2021, Sexta-feira
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Nuno Canta: “Estou mais inclinado para governar em colaboração do que para atribuir pelouros à oposição”

João Afonso (PSD/CDS/Aliança) rejeita acordos com o PS e promete recandidatar-se em 2025. Ana Baliza (CDU) em silêncio, para já

 

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Nuno Canta espera governar a Câmara Municipal do Montijo, neste novo mandato, em colaboração com a oposição, como sucedeu entre 2013 e 2017 (quando foi eleito pela primeira vez com maioria relativa). Mas não descarta totalmente a hipótese de oferecer pelouros às forças adversárias. O PS perdeu no último domingo a maioria absoluta no órgão – os socialistas ficaram agora com três eleitos no executivo, a coligação PSD/CDS/Aliança com dois (conquistou um ao PS) e a CDU manteve dois – e o presidente da autarquia confessa-se “mais inclinado” para ir em frente sem acordos de governação.

“Estivemos numa situação idêntica no mandato 2013-2017, em que governámos em colaboração com as oposições [sem pelouros] em algumas questões. Mas, não excluímos a possibilidade de os atribuir. Contudo, estamos mais inclinados para a primeira hipótese”, disse Nuno Canta, que se prepara para entrar no seu último exercício consecutivo na Câmara por força da lei de limitação de mandatos.

“Fomos eleitos para um terceiro mandato consecutivo. Os montijenses fizeram as suas escolhas e o PS continuará a governar, agora com mais limitações e necessidade de entendimentos com as oposições”, frisou. E ao mesmo tempo atirou: “Esperamos um mandato de convergência, estabilidade e diálogo entre as diferentes forças políticas, para melhorarmos os serviços e fazermos crescer a economia e o emprego. Esperamos maior responsabilidade, mais colaboração, menos populismo e ódios, da oposição neste mandato.”

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O socialista foi reeleito com 5.897 votos (29,49%), resultado substancialmente inferior ao alcançado em 2017 quando chegou aos 8.591 votos, equivalentes a uma percentagem de 45,42, que agora lhe custou a maioria absoluta. O PS viu-se ainda sem maioria absoluta na Assembleia Municipal e na Junta de Freguesia de Montijo/Afonsoeiro. Conseguiu manter as juntas de Atalaia/Alto Estanqueiro-Jardia, Pegões e Canha, com maioria absoluta, mas deixou de ter o pleno ao perder a de Sarilhos Grandes (por maioria relativa) para a CDU.

Resultados que constituíram uma advertência forte do eleitorado. E quando confrontado com a “cor do cartão exibido” ao PS, Nuno Canta não hesitou em optar pelo tom mais suave. “Cartão laranja? Não. Foi mais amarelo. Mas, retirámos algumas respostas inequívocas dadas pelos montijenses: entre a renovação da confiança no actual presidente da Câmara e a escolha de outro candidato, por exemplo, decidiram renovar a confiança no PS e no actual presidente por mais quatro anos”, defendeu. E as prioridades de acção estão definidas. “Vamos continuar a desenvolver o projecto de modernização, desenvolvimento, justiça social, habitação e ambiente neste futuro próximo”, assumiu.

João Afonso: “Seremos candidatos em 2025”

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Já João Afonso, que encabeçou a coligação PSD/CDS/Aliança, ficou a 1,75% da votação de Nuno Canta: a diferença foi de 350 votos. O social-democrata subiu de 3.676 votos (19,44%), conseguidos em 2017, para 5.547 (27,74%). Contas feitas: a coligação de direita não só arrebatou um vereador ao PS, ficando agora com dois eleitos, como relegou a CDU – que manteve dois lugares no executivo composto por sete – para terceira força política mais votada.

Se para os socialistas a vitória quase soube a derrota, para a coligação PSD/CDS/Aliança a derrota praticamente soube a vitória – um paradoxo na noite eleitoral do Montijo, conforme fica implícito no discurso de João Afonso.

João Afonso

“Estou bastante feliz com a confiança de grande parte dos montijenses. Não temos qualquer azedume por não termos vencido ainda a Câmara Municipal. Sabemos que estamos no bom caminho. Iremos trabalhar nos próximos quatro anos com a mesma dedicação e afinco para que os que confiaram em nós e os que ainda não confiaram possam fazê-lo daqui por quatro anos. Estou convencido de que se as eleições fossem hoje, as pessoas dariam a vitória à nossa candidatura”, afirmou o social-democrata, que reforçou ainda a convicção. “Nuno Canta e o PS no Montijo estão a prazo. São passado. Estamos convencidos de que ao sermos sérios, humildes e trabalhadores, continuando a estar ao lados das populações como temos estado, teremos todas as condições para ganhar a Câmara daqui por quatro anos”, vincou.

Descartada fica, desde já, a possibilidade de aceitar pelouros. “Não iremos fazer qualquer coligação com o PS. Não pretendemos pelouros. Somos a força política em ascensão no Montijo, mas não queremos mordomias, viaturas, telemóveis. Não precisamos de pelouros para trabalhar em prol do Montijo. Nos últimos quatro anos provámos que, mesmo sem pelouros, conseguimos fazer muito pelos montijenses. É isto que os montijenses esperam de nós, que continuemos a trabalhar para derrubar a clientela do PS”, disparou.

De resto, o social-democrata – que obteve para o PSD o melhor resultado de sempre no concelho montijense e o melhor destas eleições no distrito – abre já a porta a uma recandidatura em 2025, como também já foi defendido pelo presidente da distrital de Setúbal do partido, Paulo Ribeiro, a O SETUBALENSE. “Não só admito como tenho todo o gosto em voltar a recandidatar-me, a não ser que surjam quaisquer imponderáveis. Assumimos já o compromisso de que seremos candidatos nas próximas eleições. Connosco não há tabus”, admitiu João Afonso.

Ana Baliza remete análise para depois

Ana Baliza estreou-se como cabeça-de-lista pela CDU, que registou um ligeiro crescimento na votação – mais 76 votos do que a candidatura de há quatro anos liderada então por Carlos Jorge de Almeida. A coligação de esquerda conseguiu agora 3.879 votos (19,40%), mantendo os dois eleitos para a Câmara Municipal, mas foi mais longe ao conseguir destronar o PS da presidência da Junta de Freguesia de Sarilhos Grandes (ainda que sem maioria absoluta).

Ana Baliza

Contactada por O SETUBALENSE, a comunista preferiu remeter para mais tarde uma análise aos resultados obtidos pela CDU no concelho. “Ainda estão a ser feitas reuniões internas, pelo que não há, para já, uma análise detalhada e completa concluída. A mesma está a ser feita, verificando-se dados mesa de voto a mesa de voto”, justificou, sem deixar de vincar a posição agora também assumida pela estrutura distrital do PCP a O SETUBALENSE, em função dos totais distritais alcançados pela CDU (ver https://osetubalense.com/ultimas/2021/10/01/eduardo-vieira-os-resultados-da-cdu-ficaram-aquem-mas-sao-significativos-e-importantes/). Ao mesmo tempo, Ana Baliza não esclareceu se a CDU está ou não na disposição de vir a aceitar pelouros propostos pela maioria socialista liderada por Nuno Canta.

A abstenção no Montijo cifrou-se nos 54,37% – mais de oito pontos percentuais acima da média nacional (46,35%) – que compara com os 54,48% registados há quatro anos.

Estreantes Chega e IL ultrapassam Bloco de Esquerda

Os estreantes em eleições autárquicas Chega e Iniciativa Liberal (IL) obtiveram, respectivamente, 1.320 (6,60%) e 871 (4,36%) votos para a Câmara Municipal. Resultados insuficientes para eleger qualquer mandato, mas que colocaram quer um quer outro partido à frente do Bloco de Esquerda (BE), quarta força política no concelho até ao último domingo – os bloquistas descerem de 960 votos (5,08%) para 827 (4,14%). Melhor do que em 2017 esteve o PAN ao registar 634 votos (3,17%) que comparam com os 460 (2,43%) alcançados quatro anos antes. O PPM não foi além dos 201 votos (1,01%).

O resultado da IL, quinta força mais votada, acabou por merecer uma análise do presidente da distrital de Setúbal do PSD, Paulo Ribeiro. O responsável “laranja”, em balanço anterior feito a O SETUBALENSE sobre o pecúlio dos social-democratas no distrito, apontou o Montijo como exemplo de uma oportunidade desperdiçada pela direita. “O PS só ganhou a Câmara no Montijo muito por força dos votos na IL, que não esteve disponível para integrar a nossa coligação [com CDS e Aliança]. Os 871 votos que conseguiu seriam mais do que suficientes para que se libertasse os munícipes desta gestão de Nuno Canta e do PS”, lamentou.

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