17 Outubro 2021, Domingo
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Eduardo Vieira: “Os resultados da CDU ficaram aquém, mas são significativos e importantes”

Direcção regional de Setúbal do PCP diz que resultados que o partido obteve não podem ser “apoucados”

 

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Na primeira entrevista após as eleições autárquicas, a Direcção da Organização Regional de Setúbal (DORS) do PCP, através de Eduardo Vieira, faz a análise “provisória” dos resultados. O partido diz-se preocupado com as consequenciais para a qualidade de vida das pessoas e acusa o PS de ter usado o aparelho de Estado na campanha.

Que análise faz o PCP aos resultados no distrito?

Na análise provisória, feita pelo executivo da DORS, temos uma avaliação valorativa destes resultados. Obtivemos 96 mil votos, 31% do total na península, e 322 mandatos directos, para órgãos municipais e de freguesia. A estes, acrescerão aqueles que são eleitos de forma indirecta na constituição das juntas de freguesia, que serão mais umas dezenas. É um resultado que consideramos significativo, onde obtivemos vitórias nas câmaras de Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, que é a capital de distrito, e em mais 15 freguesias, com recuperação de duas, Sarilhos Grandes e Azeitão. Consideramos os resultados aquém daquilo que tínhamos como objectivo, mas que são significativos e importantes. Exigem uma avaliação significativa da sua dimensão e expressão, que não pode ser apoucada e diminuída como temos estado a assistir ultimamente.

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A perda de votos, de mandatos e até de câmaras, no distrito, nas últimas dezenas de anos, é uma preocupação para a DORS?

A maior preocupação dos resultados “menos conseguidos” pela nossa parte é em relação ao futuro do nosso país e às condições de vida do nosso povo. Os resultados menos bem-sucedidos por parte da CDU, e perca de posições, significam inevitavelmente, como têm vindo a demonstrar, piores condições de vida para as populações, piores serviços públicos, menos capacidade das populações verem traduzidas as suas preocupações e anseios. Como é evidente, o partido que somos, com cem anos de história, procuramos analisar friamente as causas dos resultados menos bem sucedidos.

E quais são as principais causas?

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Podemos dizer que nesta campanha eleitoral pesaram vários aspectos significativos. É isso que nos compete analisar. A pandemia teve condicionalismos, que introduziu no plano da participação da vida social, das pessoas. O significado que ela teve, na vida associativa, para os estudantes, os reformados e comunidades.

Essas razões são comuns a todos os partidos.

São comuns a todos e particularmente sentidas por nós, porque a nossa maneira de fazer política é com as pessoas. Não somos beneficiários da promoção da nossa actividade por parte dos órgãos da comunicação social dominante. Não deixarão de estar presentes razões que a nós nos afectam numa dimensão e de uma forma superior a outros. Essa é a leitura que fazemos. As causas sociais inerentes à epidemia, abateram-se sobre a esmagadora maioria da população. Ao contrário do que alguns dizem, não se abateram de igual modo sobre todos nem vamos sair todos bem desta situação. Os trabalhadores que estiveram com salários em lay-off sentiram de forma evidente, em particular quando viram as suas retribuições afectadas – que só foram alteradas por proposta do PCP. As grandes empresas, cotadas na bolsa, algumas delas aqui da região, que beneficiaram de fundos públicos para apoio do lay-off, são as mesmas que também distribuíram dividendos pelos seus accionistas. Olhamos para o caso da Navigator, 194 milhões de euros distribuídos em dividendos pelos accionistas.

Pode considerar-se Setúbal o melhor resultado da CDU na Península?

Os resultados na península podem e devem ser lidos à luz de cada realidade. Temos três concelhos onde subimos a votação em absoluto: Seixal, Montijo e Almada, onde tivemos o resultado percentualmente inferior ao de há quatro anos, mas subimos a votação em algumas centenas [de votos]. Essas leituras também têm de ser feitas. As razões de condicionalismos que foram tidos sobre a campanha eleitoral e de aproveitamento do aparelho de Estado a favor do partido do Governo não podem deixar de estar presentes. De certeza que não fomos os únicos a ser alvo dos efeitos desses aproveitamentos. Outros partidos dirão o mesmo. Mas nós sentimos com uma força maior, face às responsabilidades que temos.

Mas no caso de Setúbal que análise faz?

É importante o resultado de um candidato novo. Estas mudanças não são automáticas. O resultado que a CDU obteve com o seu primeiro candidato André Martins, consideramos positivo, animador e que nos permite continuar a trabalhar pelo progresso e desenvolvimento do concelho de Setúbal.

O que encontra no concelho da Moita que explique o desfecho eleitoral?

O que encontramos é um resultado que não é positivo, que vai prejudicar o desenvolvimento e progresso do concelho. Vale a pena lembrar que o concelho da Moita foi, com a CDU, o primeiro concelho do país a ter um Plano Director Municipal. Um concelho que sofreu fortemente, ao longo dos anos, a nível económico e da sua actividade, com o encerramento de várias empresas onde trabalhavam milhares de pessoas – fruto do processo político existente no nosso país e da desindustrialização. Temos um resultado que é mais um conjunto de factores externos e de conjuntura nacional.

Como tenciona o PCP governar nas autarquias em que ganhou com maioria relativa?

Nunca é demais mencionar que nós temos uma forma singular de exercer o poder. Sempre distribuímos responsabilidades pelas forças que estão presentes. É um aspecto que não está discutido, mas que será norteado por questões de princípio e do entendimento que temos do exercício do poder local. Um poder de grande proximidade das populações em que importa levar o mais longe possível o conjunto de vontades e saberes, existentes em cada um dos sítios. Não nos descaracterizaremos para nos mantermos à frente do destino de nenhum dos municípios nem de nenhuma autarquia, como fizemos até hoje – mas iremos tentar encontrar as melhores formas e condições de exercício possíveis.

Sente que o PS tem algum dever de cooperação com o PCP aqui na região de Setúbal, tendo em conta que também precisa de cooperação no Parlamento?

O primeiro dever que o PS pode e deve ter é com o povo português. Estar preocupado com as suas aspirações, os seus interesses e anseios. Não nos esquecemos, e penso que a comunicação social regional também não, de uma entrevista dada pela Comissária Elisa Ferreira, em que a mesma disse que a região não tinha planos para se desenvolver. Nada mais falso. Existe um plano estratégico de desenvolvimento da Península de Setúbal, aprovado por todos os municípios, incluindo municípios do PS, com a colaboração de entidades locais e parceiros económicos e sociais. Constitui um elemento que deveria agora receber os fundos comunitários que existem e que são anunciados como muitas dezenas de milhares de euros. Era aquele o momento oportuno para se promover uma grande operação integrada de desenvolvimento da península.

Na distribuição de pelouros a abertura a outras forças inclui o Chega?

É um aspecto que vamos considerar. O PCP tem questões de princípio. Em relação ao Chega, sabemos que têm aspectos de carácter antidemocrático, profundamente xenófobos e racistas – consideram as vozes mais avisadas que quaisquer formas de relacionamento, e atribuição de responsabilidades a uma força que visa esses objectivos significaria que a estávamos a potenciar. Não temos nenhuma decisão tomada, a seu tempo decidiremos. Os próprios também decidirão o que fazer em relação à forma de como se vão posicionar. Uma força nova, que concorre pela primeira vez às eleições autárquicas. A vida demonstrou, aqui na região, quer em relação ao PS, ao Bloco, ou ao PSD, que são as forças que mais presença têm nas autarquias locais. Ao longo dos anos fomos distribuindo responsabilidades. Relembro também que não tivemos problemas em assumir responsabilidades quando nos foram propostas, que é o caso do Barreiro nos anos 2000, quando o PS teve a câmara. O que não significa o abdicar das posições políticas de cada um.

Quer dizer que a CDU não descarta a possibilidade de aceitar pelouros na Câmara do Montijo?

Não descartamos a possibilidade de aceitar em lado nenhum, como não descartamos a possibilidade de oferecer em qualquer lado. A seu momento, de acordo com a realidade concreta, norteada pelos nosso princípios e orientações, tomaremos as decisões que temos de tomar. Dialogando com quem temos de dialogar, que são as forças que estarão em presença em cada um dos órgãos.

Relativamente aos resultados no concelho do Montijo, o que gostaria de destacar?

Que deixámos de ser a segunda força, mas subimos a votação e recuperámos a freguesia de Sarilhos Grandes. Com os resultados e com votação que nos foi atribuída, faremos o máximo possível e que esteja ao nosso alcance para dar resposta às preocupações da população. Contribuiremos com a nossa presença, com responsabilidades atribuídas, caso nos convidem para tal e fruto de uma avaliação nossa, de como o podemos fazer. [Vamos ver] se são conferidas meramente para ‘faz-de-conta’, ou atribuídas de facto, com capacidade de intervenção e desenvolvimento de um projecto, o que nos condicionará na aceitação ou não das responsabilidades. Vamos contribuir, de certeza, com os eleitos que temos na câmara, na assembleia municipal e juntas de freguesia. Contribuiremos para a melhoria das condições de vida e apoiaremos todas as propostas que visem esse propósito.

A CDU vai continuar a ter a maioria na Associação de Municípios da Região de Setúbal [dos 13 municípios do distrito, apenas Grândola e Sines não são associados, pelo que são seis municípios CDU e cinco PS].

Nós trabalhámos sempre no quadro da AMRS para encontrarmos forma para que o conjunto das forças se encontrem representadas nos órgãos. Assim é na Associação Nacional de Municípios, na Associação Nacional de Freguesias, e também o foi ao longo dos anos, na AMRS. E assim pensamos que deve continuar a ser.

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