17 Outubro 2021, Domingo
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Fernando Pinto: “Vou atribuir pelouros apenas a quatro dos cinco eleitos do PS”

O socialista, que alcançou uma vitória histórica no último domingo, considera que para um município da dimensão de Alcochete não se justifica cinco eleitos a tempo inteiro

 

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A noite eleitoral de domingo em Alcochete foi histórica para o PS. Fernando Pinto, que vinha de uma maioria relativa conquistada quatro anos antes, catapultou o partido para uma vitória sem precedentes: pelo inédito segundo triunfo consecutivo dos socialistas para a Câmara; pela maior votação de sempre registada por um partido no concelho – o PS foi o primeiro a ultrapassar a barreira dos quatro mil votos; e pelos mandatos alcançados (os socialistas elegeram cinco vereadores pela primeira vez). Mas nem todos vão ter pelouros. E não será apenas a oposição a ficar de mãos a abanar.

“Com esta maioria absoluta, não temos necessidade de atribuir pelouros. Somos coerentes e vamos fazer o que sempre defendemos: atribuir pelouros apenas a quatro dos cinco eleitos do PS, porque para um município com esta dimensão não existe a necessidade de o fazer por cinco. No entanto, mesmo sem pelouros, contamos com a dedicação e empenho de todos para podermos construir um futuro auspicioso para todos no concelho”, disse Fernando Pinto a O SETUBALENSE.

O socialista foi reeleito com 4.732 votos (52,95%), mais 1.876 do que os conseguidos quando destronou do poder a CDU há quatro anos – em 2017, o PS chegou aos 2.856 votos (34,41%). Os números agora alcançados resultaram na manutenção de três eleitos a juntar à conquista dos dois mandatos que a coligação CDS/PSD tinha na autarquia, ao passo que a CDU, apesar de descer na votação, manteve os dois vereadores. A esmagadora vitória socialista estendeu-se, de resto, a todos os outros órgãos autárquicos: o PS ganhou com maioria absoluta a Assembleia Municipal e as três juntas de freguesia – manteve São Francisco e arrebatou Alcochete e Samouco à CDU.

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Resultados que, de acordo com o autarca do PS, espelham o contentamento do eleitorado com o trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos. “Tivemos um mandato muito difícil, de muito trabalho, com uma pandemia – que ainda perdura – a atravessar metade desse mesmo mandato, e ainda assim conseguimos concretizar um conjunto de objectivos delineados. Os resultados reflectem o reconhecimento da população em função daquele que foi o nosso empenho e o nosso trabalho, em prol das pessoas”, considerou, para adiantar de seguida: “Estamos muito satisfeitos e gratos pela confiança depositada em nós. E queremos tudo fazer para não defraudarmos expectativas”.

E as prioridades para o novo mandato estão definidas. “Dar continuidade aos pilares estratégicos que desenvolvemos desde 2017 e que assentam em áreas como educação, acção social, higiene urbana, rede viária, turismo e cultura e equipamentos municipais. Assentam no nosso compromisso eleitoral, o qual tem uma amplitude de 12 anos, renovável de quatro em quatro anos, cumpridos que ficaram os primeiros quatro”, apontou.

Luís Franco admite “mau resultado”

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Luís Miguel Franco – que presidiu à Câmara de Alcochete entre 2005 e 2017 (cumprindo, pela CDU, os três mandatos consecutivos permitidos por lei) – voltou a ser aposta para recuperar a autarquia para a coligação, depois de no referido período ter alcançado três maiorias absolutas – duas das quais com a eleição de cinco vereadores (2009 e 2013). O comunista contabilizou agora 1.983 votos (22,19%), menos 683 do que o resultado obtido pela CDU com José Luís Alfélua em 2017 (2.666 votos, equivalentes a 32,12%). Ainda assim foi suficiente para manter os dois mandatos conseguidos há quatro anos.

Luís Franco

“Os resultados eleitorais, no que respeita à CDU, foram (sem eufemismos) maus e, portanto, não corresponderam às expectativas que tínhamos”, admitiu Luís Franco. “Apresentámos um projecto político de desenvolvimento para o concelho de Alcochete e candidatos capacitados e competentes para o executar, mas o povo, que é sempre soberano e deve ser respeitado nos seus juízos, entendeu conceder uma maioria inequívoca ao Partido Socialista”, acrescentou o comunista.

Quanto à disposição de os eleitos da CDU poderem vir a aceitar pelouros – cenário que Fernando Pinto afasta –, Luís Franco foi taxativo: “No que nos respeita, estamos absolutamente serenos e tranquilos e empenhados no que será o exercício das nossas funções autárquicas no próximo mandato”.

Vasco Pinto e Pedro Louro “culpam” Chega

Também aquém das expectativas ficou Vasco Pinto (CDS) que, tal como Pedro Louro (PSD), perdeu assento no executivo camarário. Em 2017, os dois partidos haviam concorrido em coligação, obtendo 1.963 votos (23,65%) e dois mandatos. Agora, a solo, o CDS contabilizou 858 votos (9,60%) e o PSD atingiu os 602 (6,74%), que, somados, dariam 1.460 (menos 503 votos do que há quatro anos).

“Assumo que não é o resultado que esperávamos em função do ‘feedback’ que fomos recebendo ao longo da campanha, e também da avaliação positiva feita pelos munícipes ao trabalho realizado enquanto vereador. Neste momento, ainda estamos em fase de análise dos resultados. Contudo, é inegável que houve uma dispersão de votos nos partidos mais à direita no espectro político”, analisou o democrata-cristão, que no último mandato foi responsável pelos pelouros do Turismo e da Cultura. “A soma dos votos dos três partidos (CDS, PSD e Chega) é semelhante ao votos alcançados pela coligação CDS/PSD em 2017”, juntou.

E reforçou de seguida: “Considerando a bipolarização dos votos apresentada nas sondagens e a possibilidade do regresso da CDU ao poder versus a opinião favorável generalizada ao mandato do actual executivo – para o qual contribuí com o trabalho realizado nos pelouros que me foram atribuídos – houve um reforço de confiança no partido maioritário no executivo de 2017-2021.” Apesar de perda de mandatos, o CDS, sublinhou, “continua a ser a terceira força política no concelho”.

Já Pedro Louro considerou que o PSD foi penalizado pelo voto útil no PS e pela nova realidade à direita. “O resultado do PSD ficou aquém das nossas expectativas. Acredito profundamente que, pelo programa eleitoral e pela campanha que fizemos, merecíamos outro resultado. No entanto, o voto útil no PS para impedir o regresso da CDU ao poder e, por outro lado, o aparecimento do Chega e do seu discurso populista prejudicaram claramente as nossas ambições de manter a nossa representação no executivo municipal e em todos os órgãos autárquicos”, resumiu, para realçar depois “o resultado para a Junta de São Francisco onde o PSD se consolida como segunda força política”.

A abstenção em Alcochete voltou a ficar abaixo da média nacional (46,35%): diminuiu 1,75% em relação ao acto eleitoral de 2017, ao passar de 43,24% para 41,45%.

Mithá Ribeiro: “Resultado do Chega foi aceitável e animador”

Gabriel Mithá Ribeiro encabeçou a lista do Chega à Câmara Municipal de Alcochete. Alcançou 468 votos (5,24%), insuficientes para conseguir qualquer mandato. O também vice-presidente do partido liderado por André Ventura destaca, por isso, o resultado conseguido para a Assembleia Municipal.

“Obter 5,24% da votação para a Câmara Municipal de Alcochete, e não eleger nenhum vereador, e 6,41% para a Assembleia Municipal, com a eleição de uma deputada, acabou por ser um resultado aceitável”, assumiu. Mithá Ribeiro lembra as dificuldades inerentes a um partido que se estreou em eleições autárquicas.

“Enquanto os demais partidos adversários (PS, CDU, CDS e PSD) não necessitavam de explicar ao eleitorado quem eram, tal como os respectivos candidatos – por isso poderiam investir muito mais no que iriam fazer –, o Chega, como se apresentava pela primeira vez, partia de uma posição distinta. Era muito mais importante apresentar-se ao eleitorado, explicar quem é e só numa fase posterior poderá explicar com maior facilidade aos eleitores o que se propõe fazer. Foi a estratégia que seguimos para garantir resultados sólidos a médio e a longo prazo”, explicou.

“Nessa perspectiva, os resultados eleitorais obtidos são francamente animadores, assim como o desaparecimento da vereação de Alcochete de partidos não socialistas (CDS-PP e PSD), sendo um efeito colateral indesejado, servirá no entanto para a renovação profunda do campo político da direita”, concluiu.

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