23 Setembro 2021, Quinta-feira
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Braamcamp divide candidatos ao Barreiro unidos por mais e melhores acessibilidades

Candidato socialista fez ponto de situação do processo da quinta. Restantes forças políticas apontam críticas à gestão de Frederico Rosa nas áreas da mobilidade e habitação

 

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O Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC), no Barreiro, acolheu na manhã desta segunda-feira, o oitavo debate das eleições autárquicas, inserido no ciclo de encontros que está a ser promovido por O SETUBALENSE, em parceria com a Rádio Sines e a Rádio M24, Popular FM e o jornal ‘O Leme’, e a empresa Morning Panorama, em todos os concelhos da Península de Setúbal e Litoral Alentejano.

O confronto de ideias entre os candidatos à presidência da Câmara contou com a ausência de Lurdes Santos, candidata do PAN, e ficou marcado pela divisão de opiniões sobre o projecto previsto para a Quinta do Braamcamp e pela necessidade de mais e melhores acessibilidades para o concelho, que facilitem a mobilidade, por serem consideradas “fundamentais para o desenvolvimento económico” de um território que continua a perder população.

Jorge Martinho, candidato do Livre, considera que o projecto “é um erro crasso do actual executivo camarário, apoiado na sua muleta de direita”, referindo-se ao eleito social-democrata, Bruno Vitorino, para quem “a quinta tem um factor diferenciador que é a vista para Lisboa” e a necessidade de interligação à Avenida da Praia e ao antigo Terminal. “É importante que [este] fosse recuperado e era preciso uma estratégia integrada”, sublinhou.

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Também o candidato do CDS, Hélder Rodrigues, defendeu que o seu partido tem uma visão integrada de todo aquele território, desde a estação fluvial até ao fim da Avenida da Praia: “o CDS não é contra a venda da quinta, no entanto, somos contra a venda nos moldes actuais”, frisou. “O espaço deve ser de usufruto para a população com equipamentos para todos os barreirenses”, afirmou.

Já Marta Trindade, candidata do Chega, garantiu que “não temos nada contra investimento privado na Braamcamp”, contudo, sublinhou, o projecto “deve ser discutido com a comunidade”, defendendo que o partido que representa tem “sensibilidade para os desafios ambientais que se apresentem”, sugerindo a criação de um Fluviário do Tejo neste espaço, que seja pedagógico, à semelhança do que sucede em Mora.

Candidato do PS lembra “usufruto público” da quinta

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Frederico Rosa, candidato do PS e actual presidente da Câmara, lembrou que a quinta “tem de ser um local de residência, vivência, visitação [e gerador] de emprego, [para a] criação de valor para o Barreiro”. O socialista recorda que mais de 85% da área destina-se a usufruto público e destaca que é “preciso dar resposta com investimento público e privado, de forma descomplexada”.

Num ponto de situação sobre o assunto, Frederico Rosa adiantou durante o debate: “o processo da Braamcamp continua em providência cautelar” e a autarquia não tem qualquer “indicação” de que o vencedor do concurso continue ou não interessado no projecto apresentado, revelando que a Câmara tem sido contactada por outros possíveis interessados.

“Temos mantido conversações, mas nunca nos foi transmitida essa vontade”, revelou. “No dia em que isso acontecer as coisas podem se alterar, mas há algo que não se altera: não dizemos que queremos investimento e andamos com providências cautelares a parar [projectos] e esta é uma posição firme”, assegurou.

Relativamente a esta matéria, o anterior presidente comunista, Carlos Humberto, candidato pela CDU, foi bastante peremptório: “estou em frontal desacordo com o que está previsto para a Braamcamp”.

Explicou ainda que “comprámos a quinta para não se construir habitação [e] ali desenvolver um espaço de lazer, [para] usufruto da população, com actividades desportivas, lúdicas e culturais e, como é evidente, [com] actividade económica”, através da instalação de restauração e de uma pequena unidade hoteleira.

“Já tínhamos conseguido cerca de 1,5 milhões para as primeiras obras de reconstrução do moinho, acessos pedonais, cicláveis, entre outros”, acrescentou, esclarecendo que “não foi a CDU, nem nenhum dos [seus] eleitos que colocaram a providência cautelar, mas um grupo de cidadãos”, até porque “as pessoas têm direitos” e “não critico a atitude”, reconheceu.

Segundo Daniel Bernardino, candidato do Bloco de Esquerda, a população “deveria ser ouvida” e realizado um refendo junto dos munícipes sobre o assunto. “Para os especialistas, dentro de 50 anos, aquela zona pode ficar debaixo de água”, alertou, tendo em conta as alterações climáticas.

“Poderá ser uma área de lazer para todos [e] não faz sentido construir na quinta, quando temos casas que precisam de ser reabilitadas”, salientou.

Resolver questões da mobilidade e acessibilidades

Outra das necessidades apontadas pelos candidatos prendeu-se com a necessidade de mais mobilidade e acessibilidades para o concelho.

Na área do desenvolvimento económico, Jorge Martinho (Livre) afirmou que o seu partido está apostado em que o município “deixe de ser um dormitório”, criando para o efeito um Plano de Desenvolvimento Estratégico a Longo Prazo, com uma visão e metas até 2033.

Na sua opinião, é essencial criar condições atractivas para as empresas e uma das principais é a questão das acessibilidades.

Para Hélder Rodrigues (CDS), este é o tempo de resolver os problemas da mobilidade e da “incerteza dos barcos a tempo e horas”, defendendo que a distância com os municípios vizinhos devia ser mais curta: “propomos que se faça uma ponte entre o Barreiro-Seixal nas vertentes rodoviária, pedonal, com uma faixa central que permita a circulação do Metro Sul do Tejo (MST)”, sugeriu.

Marta Trindade (Chega) referiu, neste âmbito, que “não se consegue fixar jovens nem empresas, se não tivermos resolvidos o problema da mobilidade do Barreiro aos concelhos contíguos e à capital”, partilhando as mesmas preocupações quanto aos problemas na Soflusa, que na sua óptica, devem ser resolvidos.

A este propósito, o candidato da CDU lembrou ao socialista Frederico Rosa – que afirmou que o traçado da ponte iria colidir com o MST –, que a ponte Barreiro-Seixal “estava prevista e o Metro […] também” e que ambos “eram [projectos] compatíveis”.

Problemas nas áreas do emprego e da actividade económica, para Carlos Humberto, não se resolvem “se não resolvermos o problema da acessibilidade ao concelho”, avisou.

Em relação a este assunto, Bruno Vitorino (PSD) considera que “é importante a questão das acessibilidades” e que seria fundamental que “fosse cumprida a ligação ao Seixal, mas nada saiu do papel”, lamentou.

O ciclo de debates das Autárquicas 2021 prossegue esta quinta-feira na Moita, nas instalações da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça.

Frederico Rosa Estratégia Local de Habitação é a “porta de entrada para tratarmos uma série de questões”

O debate ficou também marcado pela discussão em torno da Estratégia Local de Habitação (ELH), aprovada na Assembleia Municipal do passado dia 7, com as abstenções do PSD, PAN, Bloco de Esquerda e CDU.

Para Frederico Rosa (PS), o documento “é a porta de entrada para começarmos a trabalhar uma série de questões” e “dar respostas em matéria de habitação social, encontrar soluções para habitações a custos controlados, com rendas acessíveis”.

O actual presidente da autarquia afirmou que, com a libertação dos terrenos do Nicola pelos serviços operacionais do município, “temos condições para termos um plano” e criar “habitação, apoiando os jovens” naquela zona da cidade.

Nesta matéria, o socialista recordou que o Bairro Alves Redol, no Alto do Seixalinho, tinha “um processo de candidatura que apoiava a 50%, colocando 37 famílias sem habitação e isso recusamos fazer”, facto desmentido por Carlos Humberto.

Com o Plano de Recuperação e Resiliência “pretendemos contar com 100% do valor” para resolver a problemática, acrescentou Frederico Rosa.

Para o candidato bloquista, Daniel Bernardino, a política de habitação “deve ser levada mais a sério” e deve passar por “melhorarmos as casas devolutas e reabilitar o que é possível, com rendas acessíveis”, nomeadamente, no núcleo histórico.

Já Marta Trindade (Chega) defendeu que para o Barreiro possa crescer na área da natalidade, “temos que dar um sinal claro aos jovens de que para eles também existem apoios”. Neste âmbito “iremos sempre defender um modelo disperso e não concentrado de habitação social e apostar mais na reabilitação”, garantiu.

Hélder Rodrigues (CDS) explicou que a perda de população e a saída dos jovens do município está associada à “falta de habitação condigna, a preços [que sejam] realistas”.

Já o candidato do PSD afirmou que “é preciso olharmos para o nosso parque habitacional [e] para o estado do tecido social”, tanto no Barreiro Velho, Lavradio Antigo e na Quinta da Mina, na Cidade Sol.

O ex-presidente Carlos Humberto (CDU), por sua vez, destacou que “esta Estratégia Local de Habitação, na minha opinião, é inadequada […] e se ganhar a Câmara, naturalmente que teremos que a rever ou permitir que a Estratégia Metropolitana de Habitação que está em construção, colmate a ELH, que não refere o Barreiro Velho nem o Bairro das Palmeiras e tem de referir”, disse.

Finalmente, Jorge Martinho (Livre) considerou que “o Barreiro está com grandes problemas” e que é preciso criar “um real e efectivo Plano Municipal de Habitação”, com a criação de uma bolsa habitacional onde se possam inscrever os cidadãos à nascença, para que, uma vez atingida a maioridade, possam “ter acesso a uma habitação pública de renda reduzida”.

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