22 Setembro 2021, Quarta-feira
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Afonso Brandão: “É preciso um plano para as zonas rurais de Palmela”

Cabeça-de-lista do Chega propõe “atacar” o problema da dispersão do concelho por fases, para que as infra-estruturas sejam planeadas

 

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Gestor logístico na Visteon, casado e com dois filhos, Afonso Brandão, reside no concelho de Palmela. É líder da concelhia do Chega e, aos 52 anos, assume o desafio de ser candidato à Câmara Municipal.

Por que razão se candidata?

Porque faço parte de um partido que vem romper com os interesses instalados, com a corrupção, e vamos alargar esta forma de fazer política ao País todo, inclusive Palmela. Apareceu o convite para formar a concelhia de Palmela, foi o que fiz. Em seguida apareceu o convite para ser candidato à Câmara, que aceitei com muita honra.

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Como pode garantir que vai combater a corrupção melhor do que outros candidatos?

Fazendo uma política séria, com contas claras para toda a gente. Transformando alguns processos que se passam na política nacional de uma forma muito mais objectiva. Não fazendo da política um modo de vida eterno. Não quero continuar e fazer da política a minha profissão até aos últimos dias. Espero poder fazer parte da força de trabalho do País.

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A recente sondagem que O SETUBALENSE publicou, indica que o Chega pode ter à volta de 2,5% dos votos. Qual é a sua expectativa?

Sondagens são sondagens. Todas metem o partido Chega muito para baixo e depois vê-se que, na realidade, no dia das eleições, não é bem assim. Vamos estar cá dia 26 para ver muito serenamente e democraticamente o que as pessoas do concelho de Palmela têm a dizer sobre isso.

É a primeira vez que o Chega concorre a eleições autárquicas. Como tem sido o processo de construir a lista e encontrar candidatos? Vão conseguir concorrer a todos os órgãos?

O nosso compromisso é concorrer a todos. Fazer as listas, pela primeira vez, é um desafio, porque são 128 pessoas, e um trabalho moroso, de conversa aberta com pessoas que estiveram disponíveis para nos ouvir e que estão connosco neste projecto. Há ainda muita gente que nos diz “vamos votar no Chega, mas não queremos dar ainda a cara porque temos medo”. Com o tempo, vai passar.

Diz que conhece muito bem os problemas do concelho de Palmela. Quais são os principais?

Conheço bem o problema do ambiente, é transversal ao concelho todo e tem-se deteriorado nos últimos anos. Não é só o lixo, que vemos quando atravessamos o concelho, mas a falta de planeamento, de jardins e de pulmões verdes, para fazer face às mudanças que aí vêm em termos de ambiente. Temos de investir muito mais nessa área. Enquanto não entendermos que o lixo é um problema, não o vamos conseguir combater. Para o Chega isto é um problema e grave, que, quando fizermos parte do executivo, traremos as medidas necessárias para o resolver.

A recolha de lixo funciona mal? Como pode funcionar melhor?

Funciona pessimamente. Seja na área urbana, seja na rural, vemos constantemente lixo fora dos contentores. Necessitamos de uma política diferente, entre a área urbana e a área rural porque a tipologia do lixo é diferente. Desafio o executivo a fazer um exercício simples que eu já fiz: ir atrás do carro do lixo, várias vezes em sítios diferentes. Vê-se o operador a sair do carro, abrir o balde e, quando está meio, fecha a tampa e o contentor não é vazado. O custo está feito com o transporte, com o combustível, com o operador que está a ser pago. Logicamente que esse contentor depois vai deitar por fora, porque já ficou meio.

Está a dizer que a solução passa sobretudo por outra conduta dos operacionais que trabalham nesse sector?

Passa por outra conduta dos operacionais, por uma política de proximidade e percebermos o que se passa. Passa por sensibilização nas escolas, das nossas crianças e jovens, para construir um futuro em relação a este tema. Isto não se vai conseguir mudar de um dia para o outro, requer muito trabalho e preparação.

E que outros problemas identifica?

O urbanismo. Variadíssimas vezes, desde que sou candidato à Câmara, recebo mensagens e telefonemas de cidadãos que estão desesperados. Dizem que o urbanismo não funciona e pedem ajuda para sensibilizar ou para ver como podemos resolver. Vou dar-lhe um exemplo. Na urbanização ‘Palmela Village’ temos mil e poucas pessoas, com um desespero brutal, porque não se consegue resolver uma série de problemas. Aliás, foi criada uma associação de moradores para fazer diligências junto da Câmara e do turismo para dar andamento aos seus problemas, que não andam há anos. Outro exemplo: esta semana, contactaram-me umas pessoas, que compraram um terreno nos Olhos de Água, com um parecer positivo da Câmara, para poderem construir. Quando apresentaram os processos, a Câmara diz “enganámo-nos no parecer, vocês não podem construir e, se quiserem resolvam, em tribunal”. Isto é inadmissível. Não contem com o Chega para isto, porque nós não vamos fazer isso, embora também possamos ter um erro. Até admito que quem deu o parecer se tenha enganado, mas a Câmara tem moralmente a obrigação de validar aquilo que se comprometeu no primeiro documento que deu às pessoas. As pessoas gastaram as suas economias para poderem construir, isto não se faz.

‘Palmela Village’ é uma urbanização que foi licenciada, na altura. Que problemas persistem?

As pessoas têm um problema com a água, com uma ETAR que não está legalizada, com um campo de golfe que devia estar legalizado para permitir o estatuto de aldeamento turístico. As pessoas pedem pareceres jurídicos e auxílio à Câmara, de modo a poderem desenvolver acções com o Turismo, para levar isto a bom porto. O que me dizem é que não têm receptividade nenhuma, quando nós, como executivos, estamos cá para servir as pessoas. A nossa mensagem, aquilo que me traz para este projecto, é servir a população de Palmela.

O slogan da sua candidatura é “Renascer Palmela”. O que quer dizer?

É renascer estes temas que estamos a discutir. “Renascer o desporto”, por exemplo, na Quinta do Anjo não há um pavilhão para os miúdos brincarem e poderem desenvolver actividade física. Vamos à sede de concelho, nãotemos um pavilhão. É renascer isto tudo. É renascer o ambiente, o desporto, o urbanismo e as condições de vida das populações rurais. As populações rurais, na sua grande maioria, não têm infra-estruturas, não têm uma estrada pavimentada, não têm saneamento nem água. Temos de renascer isto.

Falou no pavilhão desportivo na vila de Palmela. Há muitos anos que se fala de um pavilhão, para preencher essa lacuna, na Escola Secundária, e o município tem estado à espera que o Ministério da Educação avance com essa infra-estrutura. O que quer dizer é que já devia haver um pavilhão construído pelo município?

O da escola é um tema. Eu estou a falar de um pavilhão de acesso ao cidadão e aos seus filhos para podermos ir desfrutar. Temos as colectividades, que a Câmara apoia, e bem, mas a colectividade não me permite a mim, se não estiver ligado, ir lá fazer desporto. Os meus filhos não podem ir se não estiverem inscritos numa certa modalidade. É necessário haver um pavilhão de uso livre, para fomentar o desporto, que é saúde, e até trazer as pessoas mais velhas, que não têm acesso.

Diz que o concelho foi “abandonado pela CDU”, que está “estagnado” e “à deriva”. Como é que fundamenta estas afirmações?

Dou-lhe um exemplo. Ao transitar das zonas mais urbanas (como Palmela e Pinhal Novo) para a zona rural, a diferença que vemos, é abismal. A grande maioria das pessoas não têm absolutamente nada das infra-estrutura que a Câmara tem a obrigação de lhes proporcionar. Estão ao abandono, completamente. Em especial nessas áreas, mas se viermos aqui à vila também vemos muitas coisas. O centro da vila está a cair e ao abandono. Acho que merece uma política mais objectiva, que consiga trazer investimento, para que se possa recuperar o centro histórico da vila.

Algumas das coisas que referiu, nomeadamente serviços e condições para o “mundo rural”, não decorrem de este ser um concelho com uma área tão dispersa e tão grande? Reconhece que possa ser mais difícil?

Reconheço. O concelho é grande, é o que temos e com muito orgulho. É um dos maiores concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, mas não é por isso que temos de ter pessoas, há 45 anos, sem qualquer infra-estrutura ou plano. Compreendo e sei que é moroso e dispendioso, mas temos que ter um plano de início e um plano de conclusão, por fases, para as zonas rurais. Um plano que seja capaz de projectar as coisas a longo prazo. Não podemos ir a um aceiro, no campo, pavimentá-lo, e, daqui a cinco ou dez anos, destruir o que fizemos e que os contribuintes pagaram, para colocar infra-estrutura por baixo. É o que se passa hoje: pavimentamos uma estrada, sem infra-estrutura por baixo, e, passados uns anos, destruímos o dinheiro que lá investimos para passar as manilhas.

Quais são as linhas principais do programa do Chega?

Modificar a forma de trabalhar do urbanismo, pôr o ambiente a funcionar, na área da saúde, discutir seriamente um programa com o Governo, quer da edificação dos centros de saúde quer daqueles que não estão em condições – e o da Quinta do Anjo não dá sequer para os Portais [da Arrábida], quanto mais para a freguesia toda. A Câmara colocou lá uma placa a dizer que já há o terreno, mas a obra já devia estar iniciada há cinco anos. No Centro de Saúde da Venda do Alcaide, nem notamos que é um centro de saúde, a não ser que passemos muito cedo e que vejamos uma fila imensa de gente para conseguir uma consulta. Funciona duas ou três vezes por semana, nos restantes dias, aquelas pessoas não podem estar doentes. No Poceirão e Marateca há o mesmo problema. Temos de ir sentar-nos à porta do Governo. Temos, em Palmela, metade da média dos médicos de saúde por mil habitantes que têm os outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e não aceitamos isso.

O município tem feito um trabalho de procurar envolver o Governo. Conseguiu construir o Centro de Saúde do Pinhal Novo em protocolo com o Estado central e tem já assinado um acordo para construir, da mesma forma, o da Quinta do Anjo. O que se pode fazer mais do que isto?

Acho que pecam por tardios. A Quinta do Anjo tem muita população e sabemos que aquele centro de saúde, que tem cerca de dez anos, é pequeno. É uma questão de estudar. Tivemos dez anos e só agora é que estamos a assinar um contrato com o Governo. Andamos sempre atrasados. E os outros, para o resto do concelho? Temos de meter o plano em cima da mesa, seriamente, com o Governo, e dizer que só temos três médicos por cada mil habitantes e precisamos de mais. Têm de vir, porque nós não somos inferiores a outros concelhos da AML e não aceitamos ser.

Que outros aspectos destaca do seu programa?

A segurança também nos preocupa bastante. Aliás, há uma medida aprovada agora pela Câmara, a contratação de dois guardas nocturnos, que é sinal de que Palmela não é uma vila segura. Os guardas nocturnos, vêm ajudar, certamente e não é prejudicial, mas temos de ir mais longe com o Ministério da Administração Interna porque o número de guardas e de viaturas é muito aquém num concelho tão grande. Temos um posto, que já visitei, da Guarda Nacional Republicana, no Poceirão que não tem condições. Mais uma vez, estamos atrasados 10 anos para que aquela força tenha a dignidade que merece para poder trabalhar na segurança das populações. Mas, ainda vou um bocadinho mais longe na segurança. Nós não temos trabalho ou formação com os idosos. Se tivermos o azar de haver um terramoto ou outra catástrofe qualquer, ninguém sabe o que fazer. Não há simulacros, não há formação – nem mesmo em espaços urbanos. É muito importante a Câmara desenvolver é esta proximidade com o cidadão e dar-lhe formação.

O concelho de Palmela é dos que têm mais corporações e que têm apoiado mais os bombeiros. Acha que ainda assim não há uma boa política de Protecção Civil?

Não é esse o ponto. O ponto é transmitir os conhecimentos destas três forças, que mencionou – que nos honram muito -, à população, porque se tivermos uma catástrofe nunca há meios que cheguem a toda a gente. E se nós, na nossa casa, conseguirmos ter uma visão e uma formação, ajudará certamente a população. É uma das preocupações.

Na relação com as associações e os clubes do concelho, o que defende?

Defendo uma proximidade grande, de interajuda, da Câmara com essas colectividades, porque são muito importantes para o desenvolvimento, e para a formação, em particular, dos nossos jovens.

Há mais alguma coisa que queira destacar?

Uma que estamos a estudar, é um seguro de saúde, para ajudar os idosos, cujas reformas são baixas. Poderá ter pernas para andar e acho que é uma inovação. Preocupa-nos o facto de as pessoas não terem dinheiro para usufruir dos cuidados de saúde a que têm direito, porque atingiram determinada idade e as reformas em Portugal são baixíssimas.

Sobre o facto de existirem tantas candidaturas, tem, para si, algum significado?

É a democracia a funcionar. São várias frentes e vários programas a serem desenvolvidos, penso que é muito positivo termos esta variedade de pessoas e de partidos a concorrerem.

O que será um bom resultado para o CHEGA em Palmela?

É o trabalho que estamos a desenvolver e que vamos continuar a desenvolver nos próximos quatro anos, quer sejamos eleitos ou não. Começámos e vamos continuar, obviamente, porque somos novos. Vamos continuar a trabalhar, a ganhar visibilidade e a estar ao lado do povo, durante quatro anos, para podermos cimentar as nossas ideias e a nossa forma de trabalhar. Não estamos aqui só por cargos, viemos com espírito de missão, e o povo fará a leitura e dará o resultado que nós merecemos.

Se for eleito vereador, está disponível para aceitar pelouros e ajudar a construir uma maioria?

Viemos para trabalhar, para representar as pessoas que nos vão eleger. O momento não é o próprio para responder à sua questão e é uma decisão em que tem de participar, sempre, a direcção nacional do partido. Não serei eu a decidir isso. Será a direcção nacional a decidir.

Apoio à produção: Adrepal – Espaço Fortuna, Artes e Ofícios

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