22 Outubro 2021, Sexta-feira
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Manuel Matias: “É tempo de dizermos ao PS que se deixe de palavrinhas e acabe com os bairros degradados”

O Chega reconhece que a caminhada autárquica em Almada não vai ser fácil, mas acredita que a população vai dar bom acolhimento às suas propostas

 

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Manuel Matias, 54 anos, casado, reside no Seixal, mas teve boa parte da sua vida profissional em Almada. Trabalhou na área de recuperação de toxicodependentes, e acompanhou ainda famílias com casos de violência doméstica. Actualmente é assessor do líder do Chega, André Ventura, na Assembleia da República. Define-se como um pai e cidadão comum que conhece Almada como a palma das suas mãos, por isso, diz: “Almada é quase a minha terra”. Está confiante de que vai ter uma palavra a dizer no próximo executivo municipal de Almada.

O que o motiva a candidatar-se à presidência da Câmara de Almada?

Foi um desafio colocado pelo Chega, que aposta em Almada, e o facto de eu ser assessor de André Ventura na Assembleia da Républica e ex-presidente do Partido Pró-Vida, que tinha uma grande expressão no Distrito de Setúbal, levou o partido a propor o meu nome. É um desafio ao qual não podia dizer não. Este é um município muito difícil para um partido de direita, para o Chega, e também os nossos adversários políticos são de peso, tanto do Partido Socialista como do Partido Comunista. Mas venho numa atitude de serviço, dar o corpo às balas no sentido de afirmar os valores do Chega e ser o rosto do partido e de André Ventura aqui, junto da população de Almada.

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Como vê o posicionamento do Chega, apontado como um partido de extrema-direita, num concelho com ADN de esquerda?

É um desafio, e dos grandes. Primeiro: o rótulo de extrema-direita não corresponde à realidade, porque também não vejo ninguém dizer que o PS ou o Bloco de Esquerda são partidos de extrema-esquerda. O que é importante é as pessoas ouvirem-nos e conhecerem-nos. Quando no final do mês apresentarmos o nosso programa para Almada irão ver que é um programa de direita nos valores, mas também com uma grande componente das promessas de Abril que não foram realizadas, com grande atenção a problemas sociais. Os partidos e os políticos devem estar ao serviço de quem os elege e colocar os interesses das populações acima de tudo. Mas o que temos visto, passado 47 anos [pós o 25 de Abril de 1974] é que Almada, no Distrito de Setúbal, é o concelho com mais desempregados e onde existem cerca de 55 mil utentes sem médico de família, entre Seixal e Almada. Temos o hospital Garcia de Orta sobrelotado e sem urgências pediátricas à noite e não se vê a presidente da Câmara [Inês de Medeiros] nem os partidos da oposição a reivindicarem. Claro que muitas questões não são da responsabilidade directa do município, mas a presidente da Câmara de Almada tem de ser a voz da defesa de todos os almadenses, não pode ficar amedrontada porque o sistema partidário a que pertence [Partido Socialista] politicamente não tem interesse em apostar em Almada.

A quem dirige mais as suas críticas, à CDU que liderou a Câmara de Almada desde 1976 até 2017, ou ao actual mandato da presidente socialista Inês de Medeiros?

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Certamente que a presidente Inês de Medeiros tem culpas no cartório, no sentido de que nos últimos quatro anos fez muito pouco. Sabemos que os problemas estruturais de Almada, como a falta de habitação, os bairros sociais, e outras situações, não são coisas que surgiram nos últimos quatro anos, foram-se agravando e vão continuar a agravar-se se nada for feito para o evitar. O PCP tem responsabilidades porque governou sempre o concelho até há quatro anos, mas para mim o principal responsável é o Partido Socialista que agora está com uma campanha de charme para os almadenses. A responsabilidade é também do PS e do PSD, que têm alternado no governo central, e têm tratado Almada como um parente pobre. É tempo de dizermos ao Partido Socialista que se deixe de palavrinhas e acabe com os bairros degradados; quase todas as semanas são contruídas novas barracas em Almada. A Câmara propôs no Orçamento Municipal, como solução para os problemas de habitação, a construção de 100 casas, vamos chegar ao fim do ano e quantas foram construídas? Mesmo se forem construídas é uma gota no oceano. Segundo se consta, existem no concelho cerca 4 mil famílias em situações de grande precariedade de habitação, isso requer uma intervenção da Câmara Municipal, mas também tem de ser o Estado a ajudar a resolver este problema que foi criado nos últimos 47 anos.

O Chega tem sido crítico do Rendimento Social de Inserção. Como se posiciona relativamente a este apoio?

Não somos contra os apoios, somos contra a forma como são concedidos. Não queremos que as pessoas fiquem sem apoios, o que queremos é que consigam sair dessa situação. Existem bairros sociais em Almada em que uma família foi para lá há 40 anos, e os netos ainda lá estão. O que falhou foi a capacidade ou uma estrutura ou um apoio do Estado que ajude estas pessoas a saírem desta condição. Estou numa organização do concelho de apoio a famílias carenciadas onde fizemos um estudo que nos permitiu verificar que o ciclo de pobreza não se inverte. Neste momento estão a ser apoiados netos de famílias em que os pais já foram apoiados, assim como os avós. Queremos que as pessoas ganhem autonomia.

Está a pensar fazer campanha eleitoral em bairros sociais?

Sim! Não tenho medo. No parlamento o Chega recebe pessoas de todos os bairros que pedem audiência ao deputado André Ventura, e são recebidas. As pessoas estão desesperadas, ninguém as ouve.

Recentemente disse que Almada tem de liderar a Península de Setúbal. Quais são as suas razões?

Almada é o maior concelho da Península de Setúbal, mas o seu peso na definição das políticas para a Área Metropolitana de Lisboa não se ouve. Ou seja, Almada conta muito pouco nos destinos da AML. A responsabilidade não é dos almadenses, é da falta de coragem de afrontar os poderes das máquinas partidárias. Vivemos numa ditadura da partidocracia em que as máquinas do PSD, mas principalmente do PS e também do PCP, colocam os interesses de Almada em segundo lugar. Almada é pensada na lógica das forças de poder da AML e não na óptica do que é melhor para as pessoas de Almada.

Como avalia os seus adversários nestas autárquicas, começando pela actual presidente da Câmara, Inês de Medeiros, que se recandidata?

É uma pessoa simpática, extremamente inteligente, com uma capacidade de comunicação grande, mas que não consegue deixar de ser um instrumento das mãos de António Costa e dos amigos que mandam no PS. É amiga do grupo Bilderberg, juntamente com os amigos do PSD, também de Medina [presidente socialista da Câmara de Lisboa] e de Moedas [social-democrata, candidato à câmara da capital]. Por isso, pertencem mais ou menos à mesma família. Todos os lisboetas e almadenses sabem que correm o risco de terem um presidente ao grupo Bilderberg.

E quanto à candidata comunista, Maria das Dores Meira?

É uma mulher com provas dada, mas com uma visão para Almada já desadequada. Está muito presa à máquina do Partido Comunista, faz aquilo que o Comité Central lhe propuser, mandar ou impuser. Não tem autonomia.

Sobre o recandidato social-democrata Nuno Matias, que agora concorre pela AD – Almada Desenvolvida?

Está numa situação complicada. Deu a mão ao PS neste executivo e agora não se consegue ver livre disso. Possivelmente vai ter a campanha condicionada por esse passado recente e pela promessa de um futuro próximo, em que se o PS não ganhar as eleições, poderá ter de lhe dar outra vez a mão para governar Almada.

E como comenta a recandidata Joana Mortágua, pelo Bloco de Esquerda?

É uma pessoa que passa por mim todos os dias, sabe perfeitamente quem eu sou, que baixa a cara e não fala, mas isso é uma característica do Bloco de Esquerda, que se nos poder eliminar, elimina e pronto. É uma pessoa que representa o pior que a esquerda tem: intolerância, ressentimento e ódio. Não é o futuro de Almada. Será muito mau para a cidade se o Bloco de Esquerda não deixar de ter essa representante.

Peço-lhe que traduza a sua expressão: “Libertar Almada rumo à IV República”.

A IV Républica é uma metáfora. É um Estado a funcionar: a ser Estado, que não deixa ninguém para trás. Um Estado que não oprime a iniciativa privada e que faz com que as pessoas se possam realizar. “Libertar Almada” é uma expressão que incomoda muita gente. Incomoda a esquerda, que diz que o “Povo, a Liberdade e Abril” são propriedade exclusivamente sua e que os partidos da direita não podem falar em “Liberdade”, nem em “Povo”. Depois, temos algumas pessoas de direita, mais conservadores e mais rígidos, a achar que não podemos usar os termos de esquerda. Como lhe disse, somos uma direita moderna e a língua portuguesa é universal, não tem esquerda nem direita, e nós queremos libertar Almada da precariedade. Queremos libertar Almada da corrupção, do compadrio dos partidos políticos que, no acto da governação, metem os seus interesses acima dos interesses da população. Uma das nossas medidas é fazer uma auditória às contas dos últimos mandatos para ver onde é que foi gasto o dinheiro. Faço-lhe um desafio: vá ver nas adjudicações directas feitas pelo executivo de onde é que são os fornecedores. 90% deles não são do concelho de Almada, e depois dizemos que queremos ajudar as empresas do concelho.

Entende que têm sido tomadas opções erradas?

Esta auditoria vai servir para ver onde se gasta o dinheiro. A CDU fez o traçado do Metro Sul do Tejo, agora a sua candidata [Maria das Dores Meira] quer enterrá-lo no centro da cidade. Assistimos, há pouco tempo, à apresentação pela Câmara de um projecto megalómano para alterar o eixo central de Almada, e pergunto: vai custar milhões? Será que tem de ter aquelas dimensões? Vamos gastar 3 milhões de euros em ciclovias? Estive nessa apresentação e não ouvi preocupações [com acessibilidades] para as cadeiras de rodas e para os carrinhos de bebé. Não ouvi preocupações com a população idosa no centro de Almada. Vamos pensar numa cidade só com respostas para os jovens e para o turismo? E os habitantes que trabalham e contribuíram com os seus impostos para Almada, ficam esquecidos? Por tudo isto temos de saber onde é gasto o dinheiro e quais as prioridades.

Quais os principais problemas do concelho de Almada?

O principal problema são as acessibilidades. É necessária, o mais rápido possível, uma terceira travessia entre Almada e Lisboa. Não vale a pena prometer cidades, grandes investimentos e projectos, e transformar Almada ao modelo da Expo se continuarmos só coma ponte sobre o Tejo. Há ainda que melhorar os transportes.

Refere-se à travessia em túnel ou em ponte, na Trafaria?

Sim, na Trafaria. Mas tem de haver uma resposta da parte dos técnicos. A decisão política é fácil, depois os técnicos dirão como e qual será a travessia. Outro problema é com a segurança, embora não seja da responsabilidade directa do município, este deve ter uma palavra a dizer. Temos zonas do território em que se uma pessoa tiver um ataque de coração ou outro problema de saúde, o socorro só lá pode entrar quando a polícia também chegar ao local. É inaceitável. Não se pode investir num território assim. Tivemos reuniões com a forças de segurança… é preciso investimento em meios, viaturas, protecção e equipamento. É preciso reforçar o efectivo em 20% ou 30 % para que as forças de segurança não estejam sobrecarregadas com turnos. Na saúde, é preciso investir e reforçar em Almada os centros de saúde, os médicos de família e repor as urgências pediátricas no Garcia de Orta. É preciso também reforçar os apoios sociais às famílias. Perto de 70% dos problemas nas CPCJ prende-se com crianças monoparentais, isto passa pela falta de tempo que estas famílias têm para acompanhar os filhos, aqui o município pode ter respostas. Dia 29 de Julho vamos apresentar o nosso programa político, onde vamos referir também alguns incentivos através da diminuição de impostos, o que está a ser estudado para calcular os valores da perda de receita, e o que é que se perspectiva para a equilibrar.

Se vencer as eleições quais as primeiras medidas que vai tomar para alavancar o concelho em termos sociais e económicos?

Em termos económicos, uma das medidas que o Chega defende é reduzir ao mínimo o Imposto Municipal sobre Imóveis, e acabar com ele quando for possível, isto dá uma perda de receita em cerca de 5 milhões de euros por ano, o que tem de ser bem pensado. Reduzir alguma carga de impostos sobre as empresas de forma a dar-lhes mais liquidez para que possam contratar mais pessoas e cativá-las a instalarem-se no município. Devolver também parte do IRS às famílias para terem mais rendimentos e gerarem mais riqueza para que a economia se torne mais potente. Outra medida é avaliar os serviços municipais, desburocratizá-los e melhorá-los. Combater a corrupção, que nós sabemos existir; ter uma relação diferente com os trabalhadores do município, valorizá-los, ouvi-los. Reduzir ao máximo as gorduras do aparelho do município, uma delas são as avenças em que não se percebe porque são tantas quando na Câmara existem serviços jurídicos, técnicos, entre muitos outros.

Pretende rever os apoios às associações e colectividades?

É preciso repensar a relação com o mundo associativo, esses apoios são tradição ancestral em Almada, e isso é uma riqueza. Com o Chega, não importa a cor política das direcções para terem apoios, mas não somos socialistas para distribuirmos verbas a todas de forma igual. Por exemplo, uma colectividade com escola de música tem mais gastos – como em instrumentos -, do que tem um clube de leitura para funcionar. As despesas são diferentes, por isso temos de olhar caso a caso, avaliar o trabalho desenvolvido e valorizar os orçamentos para incentivar que a qualidade da produção cultural ou outra, seja superior de ano para ano. Isto independentemente de serem associações ou colectividades, e da área de intervenção que tiverem.

O Chega estreia-se este ano em autárquicas. Temos uma recente sondagem do Expresso/SIC para Almada que lhe dá 5% quando nas legislativas de 2019 o partido teve no concelho 1,54%. Que comentário estes dados lhe merecem?

E nas Presidenciais deste ano André Ventura foi o terceiro candidato mais votado com 11,11%. Eu disse aos militantes que nós partíamos dos resultados das legislativas, e essa era uma boa base. Olhando para as sondagens do Expresso/ SIC, são importantes, mas somente um indicador de que temos muito trabalho pela frente. Somos um partido com dois anos, com dificuldades de implementação em Almada, mas que vai apresentar candidatos à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e a todas as juntas de freguesia. Esta sondagem deixa-nos mais tranquilos, mas não mostram verdadeiramente o nosso valor e a nossa força. Estou certo de que, no próximo executivo municipal, o Chega vai ser determinante nas políticas de gestão, e o meu compromisso, assim como o de toda a nossa equipa, é ouvir os anseios e os sonhos dos almadenses e darmos tudo o que temos dentro de nós e buscar forças fora para servir a população de Almada.

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