22 Janeiro 2022, Sábado
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Montijo aposta na integração social para ter emprego de proximidade e cidade de futuro

Nuno Canta, presidente da Câmara, inaugurou o ciclo de encontros online promovido pela Associação de Promotores Imobiliários e revelou estratégia

 

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A integração social é uma das principais chaves para a construção das cidades do futuro. Porque aporta-lhes a segurança pretendida por quem nelas trabalha e porque aumenta a capacidade de atracção de investidores e o consequente emprego de proximidade. A ideia foi ontem defendida por Nuno Ribeiro Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, no arranque do ciclo de encontros online, intitulado “As Cidades Amanhã” e dedicado às autarquias locais, promovido pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

“No Montijo estamos a dar especial atenção e a trabalhar para concretizar uma cidade capaz de integrar as pessoas”, disse o autarca. A integração social, defende, “dá segurança” e “produz equilíbrio no desenvolvimento dos tecidos urbanos”, permitindo que “as pessoas se sintam pertencentes” à comunidade local. Por essa via, “potencia também investimentos”, até porque “é muito mais importante investir onde existe segurança”. E atrás de investimento vem o trabalho. “Uma cidade constrói-se com emprego de proximidade”, o que por sua vez implica uma outra vantagem – um aumento da qualidade ambiental. “Cerca de um terço das pessoas da Península de Setúbal deslocam-se, em transporte público ou privado, para trabalhar em Lisboa e isso constitui um passivo ambiental”, lembrou. Assim, justificou, a criação de mais emprego local (de proximidade) contribui para diminuir estes movimentos pendulares e, consequentemente, a pegada do carbono.

A aposta da Câmara Municipal centra-se igualmente “nas áreas dedicadas a empresas e negócios”, para incrementar a empregabilidade local. “Queremos mais empresas, mais serviços e atrair mais talento. É fundamental na relação com o futuro”, frisou, sem deixar de realçar que no concelho montijense “o volume de investimento no sector agrícola ultrapassa largamente o que é feito no sector da construção civil e imobiliário”.

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Habitação com rendas acessíveis

A possibilidade de construção do aeroporto complementar a Lisboa na Base Aérea n.º 6 também foi um dos factores que Nuno Canta apresentou como “fundamental” para o reforço da centralidade do Montijo. Mas não só. “Será também uma forma de responder à pandemia, para a alavancagem da região e do País, com mais investimentos e emprego. E permitirá internacionalizar a cidade”, considerou.

O autarca respondeu depois a perguntas lançadas por alguns dos empresários imobiliários que participaram no encontro. A estratégia de construção habitacional para arrendamento a custos controlados foi um dos temas aflorados, com Nuno Canta a sublinhar que está agora a arrancar o projecto que visa edificar “cerca de 60 fogos para rendas a custos acessíveis, para os mais jovens”, no espaço da antiga fábrica do Izidoro recentemente adquirida pelo município. E esclareceu que a autarquia também vai “tentar encontrar soluções” em relação ao regime de “coliving” (moradias compartilhadas) no referido projecto, que englobará ainda “área de serviços”.

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Polignac de Barros, presidente da APPII, abriu a sessão e explicou a importância deste ciclo de encontros online. “A APPII tem-se distinguido por uma actividade permanente e por tentar encontrar novas formas de continuar em contacto com os seus associados e os políticos, que, em conjunto, podem fazer as cidades. É importante e apropriado que alguns autarcas que se estão a distinguir possam conhecer alguns promotores imobiliários”, disse o responsável pela associação que já conta três décadas de existência. O ciclo de encontros prossegue hoje com a participação de Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal.

“Não bloquearemos localização do aeroporto no Campo de Tiro”

A localização do aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete voltou a estar em “cima da mesa”, no âmbito do avaliação ambiental estratégica determinada pelo Governo. Nuno Canta continua a defender a opção pela localização na Base Aérea n.º 6, porém deixou uma garantia. “Já defendemos a localização no Campo de Tiro e se for para aí não bloquearemos a decisão”, admitiu. Fundamental, reforçou, é o investimento aeroportuário localizar-se “na margem sul do Tejo”, de forma a “reduzir a assimetria económica existente entre o rendimento per capita da Península de Setúbal e o de Lisboa”.

Ainda assim, adiantou, “a opção Campo de Tiro [neste momento] serve apenas para colocar o País num beco sem saída”. E juntou a concluir: “Uma localização é central a Lisboa [na Base Aérea]. A outra [Campo de Tiro], com entrada em Canha e que assenta em território de Benavente, é mais excêntrica a esta região urbana. Além disso deveria dar origem a uma cidade aeroportuária, à qual nunca fomos a favor e alertámos para isso na altura.”

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