4 Dezembro 2021, Sábado
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Adega de Pegões resiste a ano atípico apenas com ligeira quebra de 2% na facturação

Gestor Jaime Quendera mostra-se orgulho com os resultados obtidos, relacionando-os com a “grande relação preço-qualidade que os produtos apresentam”

Apesar de não ter sido “o melhor ano de sempre, dado o que se passou no País e no mundo” com a propagação da covid-19, a Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões, com 62 anos de história, orgulha-se em afirmar que fechou 2020 com uma ligeira quebra de 2% na facturação, comparativamente aos 23,1 milhões de euros alcançados em vendas há dois anos.

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“Temos de estar contentes. Não tivemos as mesmas vendas de 2019, mas foram praticamente iguais. Foi um ano muito bom, até porque os dados oficiais do sector do vinho indicam uma quebra em valor de 25% em Portugal e nós, com 2%, não é nada. O ano passado fizemos 23,1 milhões. Este ano fizemos 22 milhões e picos”, revelou Jaime Quendera, enólogo e gestor da Adega de Pegões, a O SETUBALENSE.

Fazendo-se acompanhar por Mário Figueiredo, presidente da cooperativa sediada no concelho do Montijo, e Carlos Pereira, administrador da mesma, o enólogo relacionou os bons resultados obtidos com a “grande relação preço-qualidade que os produtos apresentam”. “Todos os anos temos vindo a crescer. Neste momento já somos a maior cooperativa do País, mesmo neste ano [2020] e com estas dificuldades. Quanto mais dificuldades há, mais as pessoas olham para a qualidade e para o preço dos produtos. Isto é um factor a nosso favor. Como há menos rendimento, procuram a melhor compra. Nós temos uma boa oferta, além de termos vinhos de topo”, revelou.

A quebra de 2% registada, justificou, ficou a dever-se à restauração, uma vez que “os restaurantes fecharam e o turismo reduziu-se bastante”. No entanto, a facturação acabou por contrabalançar com o ligeiro crescimento “na moderna distribuição”, acabando por fazer com que o “mercado nacional ficasse igual”.

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“Onde se perdeu mercado foi na exportação, principalmente no continente asiático, como na China, nas Filipinas e no Japão. Curiosamente já estão a recuperar. No mercado europeu ficou mais ou menos igual, apesar de termos ganho na Polónia e na Rússia e termos perdido em Inglaterra e na Alemanha. Onde o vírus atacou mais, foi onde houve mais prejuízo. Onde o vírus atacou menos, vendeu-se mais vinho. Na Holanda e na Bélgica, por exemplo, tivemos quebras. Já nos Estados Unidos da América decresceu, enquanto no Brasil e no Canadá compensou”, explicou o gestor.

O ‘barco’ aguentou-se, também, devido ao facto de a Adega de Pegões estar presente em “em praticamente todos os supermercados de Portugal e em bastantes restaurantes, além de se encontrar à venda em 40 países, distribuídos por todo o mundo”. “Mesmo com quebra aqui ou ali, há sempre um factor que compensa. Imaginando que nós só vendíamos em restaurantes, a crise que não seria. Como estamos muito divididos, o ano acabou por ser compensado, apesar de tudo. No ano passado crescemos 20% e este ano não crescemos. Perdemos até 2%, mas acabou por não ser tão grave”.

Os planos para o presente ano permanecem ainda muito nas incertezas dos tempos, apesar de existirem já algumas novidades ‘na manga’. “É complicado estar a fazer uma projecção. Achamos que a partir do segundo semestre tudo vai melhorar, mas também achámos isso no ano passado. Se a tendência continuar assim, achamos que vai ser um ano igual ao do ano passado. O que já notámos é que as exportações para a Ásia estão a aumentar, mas é muito cedo para fazermos uma previsão. Em termos de novidades, temos vários planos. Vamos ampliar as instalações de verificação e armazenagem, com a obra já a decorrer, e vamos, também, lançar alguns vinhos novos, como mais um Vinhas Velhas ou mais um Rosé Reserva”, contou.

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Com vinhas espalhadas pelos concelhos do Montijo e de Palmela, nas freguesias de Pegões e Poceirão e Marateca, a Adega de Pegões possui actualmente mil e 100 hectares de terreno, contando na sua equipa com 90 elementos.

Cooperativa mantém-se além-fronteiras mesmo em ano atípico

 Com mais de seis décadas, a Adega de Pegões carrega no seu portfólio centenas de prémios, conquistados não só em Portugal, como também em concursos disputados a nível mundial. Mesmo em ano atípico, em que “não houveram nem metade das competições que costumam haver”, a cooperativa conseguiu arrecadar, entre tantos outros, “o troféu de melhor vinho tinto na Rússia, o troféu de melhor vinho português em Hong Kong e o troféu de melhor vinho português na Coreia do Sul”. “Isto só revela, mais uma vez, a nossa qualidade. As pessoas sabem perfeitamente que, quando compram Adega de Pegões, é bom e é barato”, afirmou Jaime Quendera.

Contas feitas, chegaram à freguesia de Pegões 74 medalhas de ouro, 47 de prata e 36 de bronze, num total de 178 distinções. Em território russo, por exemplo, foram distinguidos com o Grand Prix Prodexpo, no “Prodexpo 2020”, graças ao vinho “Adega de Pegões Aragonez” Tinto 2015. Já o vinho “Adega de Pegões Syrah” Tinto 2017 foi galardoado na Coreia do Sul, no “Korea Wine Challenge 2020”, enquanto “Melhor Vinho Tinto de Portugal”.

 Passando pela China, o vinho “Adega de Pegões Alicante Bouschet” Tinto 2017 arrecadou uma dupla medalha de ouro, no “China Wine and Spirits Awards 2020”. Todo este sucesso, confessou o gestor, representa “um grande orgulho”. “Para nós é importantíssimo. Por isso é que secalhar a região [de Setúbal] é o que é. Este ano, no País, o consumo de vinho caiu enormemente. No entanto, a única região que em as vendas cresceram foi Setúbal. Para o conjunto de todos os produtores da zona, isto é óptimo”, sublinhou, a concluir.

 

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