4 Dezembro 2021, Sábado
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Trabalhadores da Central a Carvão de Sines lamentam fecho perante futuro incerto

O anunciado fecho da central termoelétrica de Sines, esta sexta-feira, devido à transição energética, deixa os cerca de 500 trabalhadores diretos e indiretos “numa situação delicada” para enfrentarem um futuro que dizem ser incerto.

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“É com grande tristeza que assisto ao encerramento [da central] porque a instalação ainda podia trabalhar mais meia dúzia de anos”, lamenta em declarações à agência Lusa Bruno Carreira, trabalhador da EDP Produção há 20 anos.

O funcionário, de 44 anos, casado e com um filho menor, foi dos primeiros a aceitar a mobilidade e divide agora os seus dias entre Sines, onde reside, e outras centrais do grupo.

Bruno foi colocado na central termoelétrica do Carregado (Alenquer) e tem de deslocar-se também à central de ciclo combinado de Lares, Figueira da Foz, e à de cogeração do Barreiro.

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“Com a família em Sines e eu a andar mais deslocado, o tempo útil acaba por ser menor, porque agora estou num departamento que me obriga a ir a várias instalações da produção térmica e aos escritórios em Lisboa”, conta o técnico principal de manutenção, que não pondera para já sair de onde vive.

Numa “situação delicada” diz estar Paulo Mota, 56 anos, trabalhador há seis anos da Zilmo, empresa de manutenção industrial, com o fecho da central a carvão de Sines.

“Sinto-me muito mal, mais ainda com a conversa do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que disse que os 400 trabalhadores iam ter formação específica na área do hidrogénio, mas, quando a Segurança Social e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) foram à EDP fazer uma sessão de esclarecimento, disseram que não tinham conhecimento de nada”, critica.

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O operador especializado, que esteve 31 anos na central termoelétrica, em várias empresas prestadoras de serviços, recebeu a carta de despedimento no final de dezembro do ano passado e mostra-se “apreensivo” quanto ao futuro.

“Já me inscrevi no fundo de desemprego e mandei currículos para várias empresas na minha área na esperança de conseguir” trabalho, adianta.

A central “tinha licença ambiental até 2030 e o que não faltava era trabalho. Agora, fechamos para ir comprar a Espanha mais caro, o que não tem lógica. Quem vai pagar são todos os consumidores da energia”, vaticina.

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Já Rui Galindro, funcionário da EDP há 35 anos, não esquece aquela que considera ter sido “a pior forma de anunciar” o encerramento da central termoelétrica de Sines, durante a tomada de posse do atual Governo de António Costa.

Fruto desse anúncio, “a EDP ficou como ‘peixe na água’, porque tinha uma data de encerramento político que iria utilizar de duas formas: uma para ‘sacar mais uns cobres’ ao Estado e outra para jogar com a falta de rentabilidade por via dos impostos suportados pela central”, opina.

Para este operador de produção térmica, de 58 anos, “confirmou-se a segunda hipótese, infelizmente para a maior parte dos trabalhadores que passaram na central os melhores anos das suas vidas”.

“Isto é como quando se termina um namoro. Por muito violento que seja esse período final, há sempre recordações que ficam”, reforça Rui, que recusa chamar “processo negocial” ao modelo “mais ou menos imposto” pela EDP para a pré-reforma.

No âmbito das conversações, “ou aceito aquilo que a EDP me quer impor, ainda que com prejuízos, ou não aceito e continuo a ser trabalhador da EDP, porque não há nada que me obrigue a aceitar a pré-reforma”, indica.

Sem opções está Manuel Ferreira, de 52 anos, que terminou o contrato com a empresa de manutenção ATM, em novembro último, após 22 anos “a passar por várias empresas” prestadoras de serviços.

“Comecei na vigilância, nas portarias, e a partir daí foram surgindo outros empregos”, sempre em empresas daquele tipo, “até aos últimos seis anos, na ATM, na área da lubrificação”, recorda.

Com a cessação do contrato, Manuel, residente em Vila Nova de Santo André, no vizinho concelho de Santiago do Cacém, inscreveu-se no IEFP. Está agora a receber o subsídio de desemprego, que lhe vale “menos 300 euros” na “carteira” do que quando trabalhava.

“É uma situação delicada. Aos 52 anos parece que já somos velhos e, hoje em dia, não é fácil arranjar trabalho no concelho. Com a covid-19, as empresas também têm dificuldades financeiras e não estão a recrutar, mas temos de continuar a tentar, apesar de ser preocupante”, lamenta.

Com os investimentos previstos na área do hidrogénio verde, este ex-trabalhador espera ser contactado para “fazer formação” e aguarda respostas quanto ao seu futuro.

Lusa

 

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