28 Novembro 2021, Domingo
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Montijenses criticam traça arquitectónica do B&B Hotel mas aplaudem investimento

Há quem diga que parece um pombal e quem o compare a uma prisão. No entanto, o serviço é visto como mais-valia

 

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O negro domina a fachada e contrasta com o verde das plantas do outro lado da estrada. O Sol aberto reluz nos plátanos frondosos do parque municipal “pintados de castanho” neste final de estação. E o barulho, de quando em vez, da maquinaria, com uma grua a auxiliar nos últimos preparos exteriores, faz despertar ainda mais para a silhueta imponente do novo B&B Montijo Hotel e abafa o pio das espécies voadoras que por ali habitam, na Avenida João XXIII. Está para breve a inauguração da segunda unidade hoteleira da cidade.

Trata-se de um Bed & Breakfast de três estrelas, com quatro pisos e capacidade para 112 quartos, cujo investimento global previsto foi de 5,5 milhões de euros.

A obra foi lançada em 18 de Outubro de 2019 e, por fora, na manhã desta última quarta-feira notava-se a intensificação dos trabalhos de construção, que aparentam estar quase concluídos.

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A movimentação na rua era fraca. As pessoas só iam surgindo, muito espaçadamente, a conta-gotas. O trânsito automóvel tem estado cortado naquela artéria. E dois agentes da polícia monitorizavam o local.

Mas, a apenas escassos metros de distância, formavam-se filas à porta de uma dependência bancária ali situada. O acesso ao multibanco mesmo ao lado, num espaço interior contíguo, era maior mas também mais dinâmico. Tempos de pandemia…

Quem por ali passa não fica indiferente ao ritmo da empreitada. E muito menos ao aspecto do novo edifício. A traça moderna do edifício não mereceu elogios de quem por ali calcorreava as calçadas pedonais, ao contrário do investimento prestes a reforçar serviços no centro da cidade, visto com bons olhos.

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Joaquim Grave, 68 anos, deteve-se na esquina da Avenida D. Afonso Henriques, para onde o futuro hotel se prolonga, a seguir os trabalhos. E a primeira impressão sobre o resultado (quase) final do futuro hotel ficou longe de o seduzir.

“Esteticamente, para mim, está mal. Retira a beleza arquitectónica do prédio antigo. Agora, parece quase um pombal. É um edifício moderno, mas não sou a favor desta arquitectura”, disse. O sexagenário considera que a nova unidade hoteleira é, no entanto, “benéfica para a cidade”, desde logo porque até “traz mais emprego”.

Menos confiante mostrou-se Ana Maria, 70 anos, que também usou uma analogia para definir a imagem do equipamento. “Parece uma prisão. Não gosto. Acho que não fica bem aqui, em termos estéticos.”

E o serviço hoteleiro também “não parece” que possa vir a ser uma mais-valia. Até porque, já “há um outro hotel mais acima [a umas dezenas de metros]”. A não ser que “o turismo venha a aumentar muito”, ressalvou. “Mas não estou a ver isso para o Montijo”, atirou, com desconfiança.

“Mamarracho” já meteu mais medo

Sentado num dos bancos que circundam o parque municipal, junto à Avenida João XXIII, encontrava-se António Moreira. O homem de 84 anos tinha acabado de dar descanso às pernas e trocava dois dedos de conversa com um compincha, que preferiu não comentar a obra. António Moreira, não. Solícito e bem informado sobre o investimento, ajeitou a máscara preta que até então lhe descobria o nariz, e atirou de rompante: “Olhe, parece um mamarracho. Mas já está melhorzinho. Ao princípio até metia medo. Podia ser uma coisa mais engraçada, não tão escuro.” Mas, claro está, o hotel “é bom para a cidade”. O Montijo precisa de mais oferta hoteleira. “Está ali um outro hotel, mas, segundo dizem, está sempre cheio”, justificou.

Satisfeito com a obra mostrou-se Fausto Alves, 70 anos, por mais do que uma razão. “Sou, praticamente, o único que vivo neste [lado do] quarteirão. Agora vou ter mais vizinhos”, revelou, por entre sorrisos. E, sem fugir ao mesmo registo de boa disposição, avançou: “Estou à espera que me convidem para a inauguração, como vizinho.” O novo edifício parece-lhe bem, apesar de não estar imune a um reparo semelhante a outros. “Olhando, parece que não se enquadra bem na paisagem. Mas está melhor do que estava, isto era um prédio em ruínas.”

O investimento, reconheceu, é mais “um bom serviço” para o Montijo, contudo a comparação com a unidade hoteleira vizinha também não lhe escapou. “Nos bons tempos, o outro hotel estava sempre cheio. Agora…”, frisou, num misto de esperança e incerteza face aos efeitos causados pela pandemia no sector do turismo.

Os plátanos frondosos é que nem com o Sol sorridente conseguem iluminar os dias a Fausto Alves. Por esta altura do ano, não há mãos a medir para apanhar a folhagem acastanhada, alerta o vizinho do futuro hotel. “Vão ter é muito trabalho a limpar as folhas que irão lá parar, como eu na minha casa”, concluiu.

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