14 Abril 2021, Quarta-feira
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MAEDS apresenta novas exposições entre paisagens, memórias e natureza

“Pouca terra… Pouca terra. Que paisagens?” e “Olhos fechados/memórias diárias” foram inauguradas este fim de semana e ficam patentes até 16 de Fevereiro

 

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Do Cabo de Sines, por Celestino Alves, a uma breve referência ao “naturalismo poético” de Augusto Júlio, as paisagens guiam a viagem que se inicia ao visitar a exposição colectiva “Pouca terra… Pouca terra. Que paisagens?” que está desde sábado no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal.

“Esta exposição procura gerar uma reflexão sobre a Terra e sobre aquilo que queremos que o nosso planeta seja. Os artistas exprimem-se dentro desta óptica, cada um à sua maneira”, começou por dizer Joaquina Soares, directora do MAEDS, frisando a importância da realização de exposições como esta: “a arte traz-nos o conhecimento como a ciência. É uma forma diferente de passar a mensagem, dirigida à nossa inteligência emocional”.

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A compor o rol estão ainda as obras de Acácio Malhador, que retratam desde os viveiros de ostras a uma última ceia no Espichel, de Alberto Pereira, que considera que Setúbal “tem uma luz muito própria”, e de Ana Férias, que junta plásticos a seres vivos para alertar para este problema ambiental na série fotográfica “Natureza Morta”. Os três artistas marcaram presença na inauguração, a par de Ana Quintino, que apresenta “Opened Beehive” e “Falso Verde”, de Jorge Pé-Curto, com o seu “Lagarto da Arrábida”, e de Misé Pê, cujo trabalho, “num apelo contra o desperdício a favor da transformação”, é inspirado na Lei de Lavoisier, que defende que “na natureza nada se perde, tudo se transforma”. Também pinturas de José Cascada e gravuras de Margarida Lourenço preenchem a sala do piso térreo do museu.

Nas palavras de Rui Garcia, presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), “em plena crise pandémica, em que a distância social se impôs no nosso vocabulário e comportamento, não nos podemos esquecer que, por natureza, os humanos são seres gregários e que a actividade cultural e seus agentes não podem ser suspensos. A sua produção é tão ou mais necessária nos momentos de crise como o que vivemos”. Sobre a temática que norteia as criações apresentadas, o dirigente da AMRS considera ainda que “todos os meios de comunicação são poucos para a criação de uma consciência universal sobre os problemas ambientais com que nos defrontamos”.

 

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Do colectivo ao individual

A exposição “Olhos fechados/memórias diárias” traz um conjunto de trabalhos de técnica mista com “uma dupla forma de ver”. Catherine Henke expõe pela segunda vez no MAEDS e, de acordo com a directora do museu, “o seu trajecto conduz-nos à redescoberta da natureza”. Joaquina Soares refere ainda que a artista plástica “chegou a Portugal depois da Revolução de Abril de 1974 e escolheu Montemor-o-Novo como ‘homeland’. A partir de 1976, a paisagem de montado, os ciclos de luz e água mediterrâneos, a terra e a agricultura entraram no seu universo de interesses e constituíram-se como sua “musa” inspiradora”.

Hoje é agricultora e a partir do seu contacto directo e quotidiano com a natureza cria as obras que agora mostra. “Para mim, não é bem natureza morta. São retratos. Não percebo muito bem por que se faz esta diferença entre pessoas e natureza. Os elementos representados são-me familiares, uma vez que trabalho no campo e os encontro muitas vezes”, explica a artista plástica, que apresenta nesta mostra uma “dupla forma de ver” e explica porquê: “sempre me interroguei como é que as pessoas vêem finalmente os trabalhos. Todas vêem diferente, consoante os seus olhos, história e vivência, e por isso estes são trabalhos que têm uma visão dupla, que se vêem com luz e também no escuro”.

Ambas as exposições são temporárias e podem ser visitadas até 16 de Fevereiro de 2021, tal como “Embodying the landscape”, com fotografia de Rosa Nunes, patente desde Julho.

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