29 Novembro 2021, Segunda-feira
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Campeã de judo estreia-se na escrita com livro de poesia e emoções

Sonho de menina tem dia e hora marcada. A judoca montijense lança a 5 de Dezembro a sua primeira obra

 

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Os 30 lugares de pódio já alcançados em campeonatos domésticos e internacionais – entre os quais se destaca o título nacional de cadetes em 2018 – colocam a jovem montijense entre os maiores talentos do judo português. Andreia Serrão, 19 anos, iniciou-se na modalidade com apenas 11, sempre ao serviço do Clube Judo Montijo e com várias chamadas à Selecção das Quinas.

Mas este não é talento único. Ainda antes dos primeiros passos no tatami, Andreia já tinha descoberto uma outra paixão – a escrita. E no próximo mês cumpre o sonho de lançar o seu primeiro livro. A obra de poesia, intitulada “Perdida em Emoções” e ilustrada pela autora, vai ser apresentada no dia 5, pelas 11h00, na Galeria Municipal do Montijo.

Quando é que começou a ficar perdida de emoções pela escrita?

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Cedo. Logo no 1.º ciclo. Eu e duas amigas escrevemos e ilustrámos uma “continuação“ de um livro que eu tinha levado para a escola. Ao longo do 3.º ciclo  fiquei a meio de uma tentativa de escrever um livro de ficção científica, sobre o espaço e a poluição no planeta. Só no secundário é que senti a necessidade de pôr os meus pensamentos a limpo e a forma mais rápida, pessoal e eficaz que encontrei foi a poesia. O 11.º ano acabou por ser o ponto de partida para a minha viagem em rimas. Ao iniciar o 12.º ano nasce a ideia deste livro, quando as emoções fortes do ano anterior caem a pique sobre os meus ombros e tenho de tomar decisões importantes. É nessa circunstância em que me sinto perdida e vulnerável, onde as minhas emoções estão no auge e que, consequentemente, consigo reflecti-las nos meus poemas.

Quanto tempo demorou a escrever este livro? Lembra-se do momento e do local onde o iniciou?

Acabei o 11.° ano com um esboço de um livro terminado. Esse foi o livro que, pela primeira vez, tive a intenção de publicar. Mas só no dia 13 de Outubro de 2018 comprei o primeiro caderno dedicado aos meus poemas e decidi que iria ver a evolução da minha escrita e explorar novos temas e emoções para lá do amor e paixão do esboço anterior. Foi nesse dia que nasceu o livro “Perdida em Emoções”. Ficou terminado em Fevereiro de 2019.

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Como define esta obra e porquê  poesia?

É a tentativa de uma adolescente ultrapassar as etapas normais da vida que lhe vão aparecendo. Neste livro apresento várias fases vulneráveis, mas da maior importância para aprender e decidir o caminho a seguir.  Os poemas estão divididos em cinco diferentes emoções chave e por isso mesmo há cinco capítulos com diferentes temas e realçados com ilustrações que eu mesma fiz. O livro apresenta uma evolução no estado de espírito da personagem desde o primeiro ao último poema.

A poesia tornou-se uma parte de mim. Expresso-me melhor quando escrevo em versos e acho um desafio incrível rimar.

Este é apenas o início de um trajecto de autora? Pondera escrever sobre outro género literário?

O meu objectivo é conseguir que este livro seja só o início de uma trilogia de poemas de uma adolescente. Nos três anos do secundário consegui quase concluir três livros em poesia e sonho vê-los publicados um dia. Os três juntos contam uma história maior onde, já neste livro, aparecem pequenas conexões entre os poemas dos outros dois livros, que só serão descobertas nas publicações futuras. Gosto da ideia de que estou a espalhar pistas para os leitores um dia desvendarem estes pequenos mistérios. Embora neste momento a poesia seja a minha forma de escrever predilecta, continuo paralelamente a escrever rascunhos de textos narrativos, mas não tenho ainda nada avançado para sequer pensar num livro.

Tem uma carreira desportiva de alto rendimento, no judo. Quais os títulos ou participações que mais a marcaram?

O título de Campeã Nacional de Cadetes em 2018 foi o que mais me marcou, já que abriu portas para que participasse com mais frequência em estágios da Selecção Nacional e em campeonatos internacionais. Ressalvo a prova que me concedeu o estatuto de alto rendimento e que me marcou pessoal e desportivamente: o Campeonato Europeu em que conquistei o 9.º lugar, nesse mesmo ano, em Sarajevo, Bósnia.

A última época e o início desta está a ser diferente do habitual face à pandemia.

Teve de haver uma organização melhor dos treinos, com todos os cuidados. A minha mãe dizia-me quando eu era mais nova: “Parar é morrer”. Segui esse lema durante esta pandemia. Os treinos começaram por ser através de vídeochamada e tive grande vantagem por ter como parceira de treino a minha irmã. No fim da quarentena, passaram a ser no exterior, num parque. Só em Setembro regressámos ao pavilhão.

Ao mesmo tempo, está a tirar a licenciatura em Conservação-Restauro na FCT da Universidade Nova de Lisboa. Em que lugar fica a poesia na conciliação com os estudos e o judo?

A poesia é como se fosse a minha terapia pessoal. Quando sinto uma emoção forte, pode ser raiva, tristeza, desapontamento, paixão, sinto-a no seu estado puro e bruto. É nos meus poemas que expulso essas emoções e aclaro a mente. Escrever um poema assim demora-me no mínimo cinco minutos, porque o que preciso de dizer sai-me em versos como uma avalanche. Quando termino sinto-me mais relaxada e aliviada e por isso é mais fácil estudar ou treinar de seguida. Se, pelo contrário, não escrevesse, estaria desconcentrada nas tarefas e possivelmente não seria produtiva. A minha vida desportiva e escolar sempre foi um meio de inspiração para muito dos meus poemas, ou seja, uns complementam os outros.

O que considera mais difícil: passar os títulos conquistados para a escrita ou aportar poesia à prática competitiva do judo?

Sem dúvida a segunda pois quando estou a praticar judo, mesmo nas competições, eu transformo-me e não sou a pessoa calma e ponderada do dia-a-dia, concentro-me nos objectivos e trabalho para a vitória. Enquanto que a poesia me dá o oposto, traz-me o equilíbrio necessário. Após as provas escrevo poemas sobre o que senti e o que aconteceu.

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